Histórico do Centro Burnier
Fé e Justiça
A história do Centro Burnier Fé e Justiça
tem sua origem no final da década de 1970, quando a Província do Brasil Meridional enviou alguns jesuítas para
Mato Grosso para estudarem a possibilidade de conceber um Centro de Investigação e Ação Social (CIAS) na região
amazônica. Cidades como Ji-Paraná, Porto Velho e Cuiabá foram visitadas. Optou-se por Cuiabá-MT como lugar
geográfico de referência. Contudo, não se criou um centro de investigação como fora previsto.
Por outro lado, neste intervalo de tempo,
foi criada a “Ação Social da Paróquia do Rosário e São Benedito”, constituindo um centro de apoio e referência
para o surgimento de diversos movimentos e organizações sociais. No campo da formação e capacitação, os jesuítas
que atuaram nesse período na paróquia desencadearam um amplo processo de organização de comunidades eclesiais e
de formação de lideranças, cujo destaque foi a formação de lideranças jovens.
Na década de 80, além de se manter a
proposta de constituir um CIAS em Cuiabá, a pastoral popular sugere a criação de um centro pastoral
em Porto Velho, CEPAPE.
A partir de 1995, começa um processo de
acompanhamento espiritual e alguns retiros são organizados para lideranças da paróquia Nossa Senhora do Rosário
e São Benedito. Nesse período, se concretizam os primeiros passos para a criação de um Centro de
Espiritualidade, a partir da Paróquia do Rosário, estabelecendo-se a primeira equipe em 1997. Esta experiência
serviu de base para a elaboração do projeto “Centro Burnier de Espiritualidade Inaciana” da Região do Mato
Grosso da Companhia de Jesus (BMT), criada em 2000.
Em 2001, o projeto idealizado no final da
década de 1970, as iniciativas tomadas pela Paróquia do Rosário e São Benedito nas décadas de 70 e 80 e os
projetos idealizados pela BMT - Centro Burnier de Espiritualidade, capacitação de lideranças populares e
atividades do setor social - se materializam com a criação do Centro Burnier Fé e Justiça, mantido, então, pela
Missão Anchieta, mantenedora da BMT. Desde então, o Centro Burnier vive um processo intenso de planejamento, de
estruturação e de consolidação de sua missão.
O primeiro passo foi a nomeação, pelo
superior regional, em agosto de 2001, de uma equipe de trabalho integrada por três jesuítas – Roberto Rossi,
Jair José Schuh e João Inácio Wenzel - que, até o final do ano, refletindo com outros jesuítas de Cuiabá, chegou
a um primeiro esboço do que seria o Centro Burnier Fé e Justiça, que deveria “começar pequeno e sonhar grande”.
Tendo como base uma infra-estrutura mínima – uma sede e um carro – o trabalho voluntário dos jesuítas e uma
secretária contratada a meio expediente, iniciaram-se os trabalhos de interação com o movimento social e a
composição de uma equipe de espiritualidade. Esta, integrada por leigas/os, uma religiosa e dois jesuítas,
iniciou com um programa de capacitação de acompanhantes dos EE pelo método aprender fazendo.
Com a visita de uma representante do
Centro Magis, surge a idéia de organizar e informatizar a biblioteca e criar um banco de dados. O projeto exigiu
também a adequação do espaço físico e a elaboração de um projeto estratégico que teve início em
05 a 07 de fevereiro de 2003, com a
assessoria do SINTEP-MT e a participação de lideranças do movimento social e eclesial dispostas a colaborar na
construção do Centro Burnier. Em 2 a 4 de maio de 2003, com a assessoria de Luiz Augusto Passos, deu-se continuidade a esse
planejamento com a realização do seminário para a definição do Projeto Político Pedagógico do Centro,
sistematizado pela equipe executiva e apresentado para discussão ampliada no dia 06 de agosto de
2003.
Em meados de 2003 foi contratada uma
pessoa para articular o Centro com o movimento social e a partir do final do ano foram consolidadas várias
parcerias: Com o Centro Pastoral para Migrantes o projeto Cidadania e Esperança, integrado mais tarde também
pela CRB; com a Paulus Livraria o projeto Bate Papo Literário e com o FORMAD, a partir de 2005, o projeto Mato
Grosso Sustentável e Democrático.
No segundo semestre de 2006 iniciamos um
processo de avaliação e planejamento com uma metodologia própria cuja referência fundamental é o Paradigma
Pedagógico Inaciano.
Em 2007 foi retomado o Projeto Político
Pedagógico a partir da realização de oficinas e um seminário sobre a Pedagogia Inaciana e a Pedagogia Freireana,
realizado dia 29 de setembro, chegando-se finalmente à atual redação.
Em dezembro de 2007 a Região do Mato
Grosso (BMT) foi incorporada a província meridional dos jesuítas do Brasil (BRM), mais conhecida como província
do sul. A Missão Anchieta (MIA) foi extinta e os bens foram passadas à mantenedora da BRM, a Associação Antônio
Vieira (ASAV).
A província do sul
também estava em processo de planejamento estratégico e tirou como uma das prioridades a criação de Centros
Jesuítas de Cidadania e Ação Social (CJ-CIAS).
Avaliando os trabalhos no Mato Grosso
prevaleceu a proposta de implantação de um Centro Jesuíta de Cidadania e Ação Social articulado, tomando como
referência e se apoiando no Centro Burnier Fé e Justiça, por se tratar de uma obra da Companhia de Jesus e estar
de acordo com os princípios do Centro Jesuíta. Desta forma o Centro Jesuíta está sendo viabilizado através do
Centro Burnier que possui uma estrutura física mínima e se encontra inserido na comunidade e têm relações de
parcerias estabelecidas.
Outros projetos sociais desenvolvidos no
Mato Grosso, com a aprovação da ASAV, serão coordenados pelo Centro Jesuíta (CJ-CIAS), na mesma sede do Centro
Burnier Fé e Justiça, que mantém a sua logomarca. É o caso dos Projetos de Ação Continuada do Centro Referencial
de Desenvolvimento Humano, localizado no Bairro Planalto.
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