OFICINA DE ESPIRITUALIDADE INACIANA

 

CONCEITOS DE DISCERNIMENTO – 20.02.2010

 

RELATÓRIO

 

Assessoria:  Jair  

 

Introdução:  

Hoje vamos trabalhar um pouco sobre conceitos de discernimento.

Ao pensar em discernimento, não devemos pensar apenas no objeto,  mas quem vai discernir também deve ser levado em conta.  Isto porque, quem discerne é o sujeito e não o objeto.

Durante as oficinas, vamos pensar em discernimento numa visão psicológica, antropológica, bíblica e ética.  E ainda, vamos pensar o tema discernimento de forma pessoal e comunitária.

 Vale ressaltar, que existe diferença entre fazer um processo de discernimento em comunidade e na comunidade.

Estes são alguns aspectos sobre o “discernimento”, que iremos construir juntos.

 

Sobre as Oficinas:

Horário – 07:30 h às 11:30 h, pontualmente

Metodologia:   As oficinas acontecem de forma participativa, construindo conceitos. Aqui não existe uma verdade absoluta.  Todos são convidados a se colocar, se expressar, para se formar uma verdade.  O texto que se propõe não é a verdade absoluta, é somente uma referência.

 

Sobre os EE - Os Exercícios Espirituais de Santo Inácio (EE) configura-se como uma escola de discernimento.     Oferecemos os EE na Vida Corrente  - EVC, que algumas pessoas aqui já estão vivenciando.   Temos como acompanhantes:  Pe. João Inácio, Jair, Arlene, Ir. Mariza e Maria Benedita.   O EVC é um processo pessoal de oração e discernimento, com tempo e passos diversos.  Cada um faz o seu processo. 

Se alguém tiver interesse, pode procurar a coordenação.

   

Sobre o tema: 

Poderemos começar a oficina respondendo a pergunta:  “O que você entende por discernimento?”

 

·         Despir-se de alguma coisa;

·         Escolher o que é ou não de Deus;

·         Definir alguma coisa na minha vida,  escolher entre duas coisas;

·         Saber escolher.  Discernir é ter clareza, é saber separar o que é certo ou errado dentro da minha história de vida.  Escolho por mim, por minha comunidade, por minha família?   Escolho por mim?  É ter total clareza;

·         É o  entendimento de um todo.   É ter uma leitura de um conjunto, como por exemplo, no texto bíblico.  É ter um entendimento de todo um contexto;

·         É exigente.  Não dá para saber o que Deus quer de uma hora para outra. É preciso tempo.  Ver vantagens, desvantagens...  É possível, mas é exigente.

·         É dentro da gente.  Às vezes não se está bem, então não se consegue discernir.  Tem que se estar bem consigo mesma para tomar uma decisão;

·          E ter certeza do que eu quero e do que Deus quer e lutar por isso;

·         É estar em sintonia com Deus.  É ver Deus com profundidade, para poder descobrir as coisas que estão ai.... senão fica difícil discernir;

·         Ficamos preocupados com a moral e falta esclarecimento.... então é preciso conhecer o todo para saber discernir o joio do trigo.  Precisamos ter muita leitura e compreensão do todo, para poder trabalhar a questão dentro de você e escolher.

·         A gente tem que procurar o conhecimento para discernir o caminho certo e errado.  Vivemos em um mundo cheio de suposições.    Temos que descobrir o caminho certo a seguir.  Devemos estar sempre em busca da palavra de Deus para discernir.

·         Discernimento é no dia-a-dia, um conhecer profundo de pessoas e coisas.

·         Discernimento é despir-se de algo que se está bitolado.  Seria um desapego.  Seria deixar tudo para procurar Deus.

·         É um processo, como a vocação, por exemplo.  Já fiz os EE.  Estou discernindo a vocação.

·         Quem nos dá o discernimento é o Espírito Santo.  É Ele quem nos dá o entendimento e a capacidade para a escolha.  Ele é a palavra certa.   Por nós próprios não conseguiremos sequer raciocinar.  O ES nos capacita para caminhar com segurança.   Quem me conheceu quando cheguei aqui não me reconhece.   Eu me abri e busquei o Senhor e aqui, no CBFJ, me encontrei.

 

Quando se pensa em discernimento, palavra bastante nova diante da evolução da humanidade, podemos dizer que ela surgiu no século XV.    Antes disso, faziam discernimento também, mas não se usava essa palavra “discernimento”.

A palavra “discernir” -   “DIZ” – vem de SEPARAR, DISTINGUIR, DISCECAR.

“CERNE”  -  essencial, identificação, principal, etc..

Então, DIS+CERNIR  é  separar e classificar o todo em partes.

Assim, enquanto vivermos, estaremos em discernimento.  O discernimento faz parte da nossa vida.  

O antônimo de discernimento – confundir.   (colocar tudo no mesmo)

O prefixo “dis”, quer dizer 02 (duas) vezes – duplicidade.

Então, discernir é questão exigente, como já alguém disse.   Para discernir,  é preciso conhecer o que se quer escolher.  Discernimento é uma ação pessoal.   É preciso conhecer o que se quer discernir.  É saber da questão.  Discernimento é conhecer-se.   O processo de discernimento é um processo de autoconhecimento, segundo o discernimento Inaciano.    É se desprender para poder ver melhor o objeto de escolha.    Discernir é abrir porteiras para ver diferente. 

 

·         O discernimento é algo que não é definitivo.      um eterno discernir na vida.

·         Sobre a questão do “todo”  é complicada...

 

O homem é um ser radicalmente aberto para o outro.   O discernimento tem um peso na vida de cada um.   Estabelecemos quatro relações radicais:  com os outros, com as coisas, com o transcendente, com a natureza.    

 

·         O discernimento acompanha a história?  

·         Será que estamos evoluídos?  E a questão da guerra?  

 

Podemos citar um exemplo prático.  O passaporte brasileiro não é bem visto em qualquer lugar.   Então, esse fato tem diferença com o holocausto? 

Somos os seres mais privilegiados de todos os que viveram, pois temos tudo isso na vida da gente.    Todos os conflitos históricos estão dentro da gente mesmo.  Precisamos olhar para a questão interna da gente.   Aí acontece o discernimento.    No interior.  

 

·         O discernimento é um nível de conhecimento estabelecido em relação ao outro.   Não vejo o joio e o trigo como bem e mal, mas como um tempo estabelecido para cada um.   Na  medida que vamos crescendo, vamos entendendo o outro.  

·         O discernimento virou “moda”?  Todo mundo fala em “discernir”.

 

Discernir é aprender.   Ser mais.   Fazemos escolhas automáticas no dia-a-dia.  Outras vezes, precisamos realmente discernir (processo).    Por exemplo, sobre o casamento.   Um casal que vive a tantos anos juntos, quantas vezes foi reformulada a opção feita?   Filhos, netos, situações novas, etc... tudo deve levar a discenir de novo...  Quando não se é pai, não dá para saber o que é ser pai.   Quando não se é avô, não dá para saber o que é ser avô.  Assim, a certeza do objeto não existe.

O que se apresenta como fato novo deve ser discernido para se viver com liberdade.

 

 

 

As palavras no discernimento

 

·         As palavras mudaram tanto, que não se sabe mais o significado de cada palavra, como o amor, por exemplo; 

·         O amor tem tantos significados.   Assim, o discernimento é a forma, a essência mais profunda da comunicação.

·         Os gestos falam, às vezes, mais que as palavras.... 

 

A nossa fala é poderosa.  O poder da fala está nisso.  Se conseguirmos dizer o que se passa conosco, expressar em palavras, é um passo  para  a solução de problemas interiores.  Quando dizemos a verdade, é mais fácil discernir.

Em uma experiência clínica de psicologia, as pessoas chegam reclamando das outras.    Até que a pessoa fale dela mesma vai um tempo, às vezes longo.  

 Muitas vezes demora muito para que a pessoa descubra que deveria falar dela mesma.

No discernimento, as palavras contam muito.  As palavras curam.   Na hora que eu consigo dizer, eu sou curado.   Como no texto bíblico, sobre a cura do cego de nascença, dá para perceber bem isso.   O cego falava dele mesmo, da sua experiência.  

No discernimento, quando vamos entrando em nossa verdade, é que podemos nos despir e escolher realmente o que realmente for bom para nós mesmos.   O fruto do discernimento é a possibilidade de se conhecer.

 

·         Quando fazemos os EE, percebemos mudanças.   Mas, é uma mudança de dentro para fora.  Talvez poucas pessoas percebam.   Mas eu percebo.    Apesar de sair fazendo mais perguntas, sinto que tenho aceitado mais a mim mesma e aos outros.   Os níveis do discernimento são diferentes.   As perguntas que eu tinha,  já não tenho mais.  Tenho agora outros questionamentos.  Vejo que os EE complementam a Oficina e vice-versa.      Tenho uma tendência grande a ser racional.   Contudo, tenho mudado muito, pela graça de Deus.

 

A questão da verdade é muito profunda.   Jesus não deu um conceito para ela.   A verdade é cada um.    Cada um tem a sua verdade.  Qualquer conceito  que expressamos  é a verdade que temos dentro de nós.   De repente, a verdade sobre algo pode ir mudando;  podemos ter outros referenciais.    Qualquer conceito é um espelho de mim mesmo, daquele que elabora.   

 

·         Nós temos a tendência de colocar em “caixinhas” pré-definidas, em nossa cabeça, pessoas, atos, etc... queremos padronizar as pessoas e os atos por elas praticados.    Para um verdadeiro discernimento, preciso abrir espaço dentro de mim, para outras pessoas, diferentes de mim.    Os  preconceitos nos atrapalham o discernimento.  

 

Não podemos separar Deus, Jesus e o Espírito Santo.   Devemos perguntar, em um discernimento espiritual, qual é a vontade de Deus em minha vida?   Na metodologia dos EE, Santo Inácio resgata o que Jesus incentivava.... o encontro com Deus na intimidade, na solidão do quarto.   Deus está em tudo, nas liturgias, na natureza, na comunidade, mas Deus pode ser encontrado, realmente, dentro da gente.

 

·         Sinto que nesse processo de autoconhecimento e aprofundamento, vamos nos tornando mais humanos.   Daí, vamos nos livrando dos preconceitos, da cultura familiar, tradição, etc... daquilo que nos atrapalha de lutar em favor da vida.  

 

Os maiores adversários do discernimento são os preconceitos, as pré-definições, etc...    Eles impossibilitam o verdadeiro discernimento, como também disseram.  Por exemplo, nas igrejas, percebe-se que as coisas vêm pré-estabelecidas, para serem cumpridas.   Contudo, somente quando a verdade aparece, quando vivo uma verdade para mim mesmo é que o que faço deixa de ser uma obrigação, um dever.   Para que as pessoas ajam livremente, elas devem discernir, conhecendo a verdade para elas.     

 

 

 

 

 

·         É difícil viver em comunidade.  Há diferentes pessoas, que não vamos mudar.   E há regras da Igreja que não vamos mudar.  Onde está verdade?

 

Na verdade, nós somos a verdade.   Jesus não dá um conceito de verdade. O referencial profundo que precisamos é estar em consonância com a nossa verdade interior e pautar-se nela.    Jesus não se incomodava com críticas a seu respeito.

 

·         A importância de saber o que somos é a base do discernimento.

·         Jesus estaria humanizando a verdade?

 

Sim, todos podem ser seguidores e servidores de Jesus, o humano.  Nós somos a verdade.  A mentira implícita é que nós podemos ser falsos.   Só Jesus é a verdade. 

 

 

                Finalizando, podemos ir pensando qual é o meu "conceito" de discernimento após estes debates? Continuamos na próxima...