Oficinas de Espiritualidade Inaciana
Centro Burnier Fé e Justiça

MÓDULO I – Espiritualidade

Relatório da Oficina de Espiritualidade – 03 de outubro de 2009


Tema: Fundamentos neo-testamentários

Assessor: Pe. João Inácio

Acolhida e oração inicial: Canto – Deus vos salve Deus – oração de interiorização e relaxamento (dirigida).

 

Memória:

“apesar de nossos pecados Deus sempre se revela”; “uma questão pessoal: que não foi respondida no encontro passado: dizem que quando nasce uma criança com algum defeito dizem que é a vontade de Deus, justamente porque falamos tanto em bondade e misericórdia”; “é preciso passar por um processo de amadurecimento, como afirma Paulo, quando éramos crianças recebíamos alimento para criança e quando adultos recebemos alimento próprio de adultos, então cada questão a seu tempo”; “comentamos sobre a questão de alguma religião se apossar da divindade de Deus, e aí falamos sobre a eucaristia, a nossa Igreja tem e as outras Igrejas não tem, aí concluímos que essa é uma forma de Deus se revelar aos cristãos.

 

Tema de hoje: vamos abordar o tema da revelação de Deus em Jesus; como Jesus revelou o Pai; os próprios discípulos pedindo para Jesus que os ensinasse a rezar a esse Pai, então Jesus lhes ensinou o Pai-nosso.

“um sobrinho que até foi seminarista, ele foi até uma Igreja evangélica e com a promessa de ficar rico, deixou tudo o que tinha na Igreja, e por fim não conseguiu nada; hoje está numa situação difícil”.

Algumas questões para o debate:

1 – Como me relaciono com Deus na minha oração: como eu O chamo, que palavras utilizo.

2 – E o seu grupo como se dirige a Deus, que substantivos e adjetivos utiliza.

3 – E para as crianças na catequese, para seus filhos.

4 – E na aflição, como me dirijo a Deus, o que falo a Ele.

“senhor Jesus, Pai amado, querido, tem misericórdia”

“Deus Pai, senhor da minha vida, Deus Pai me socorre, ensino que Deus é um Pai completo, está em todo lugar, Deus é tudo”

“senhor Criador, falo da necessidade do momento, gosto de ouvir as pessoas falando de sua experiência de Deus, assim consigo contemplar aquela experiência da pessoa, com crianças na catequese procuro mostrar que Deus está em todas as coisas, e digo a eles para abraçarem seus pais.

“dificilmente faço pedido em voz alta, nunca abro a boca, faço em silêncio; com crianças procuro ensinar o bem aos filhos e netos, conto historinhas; se estamos em aflição sempre pedimos auxílio para Deus”.

“meu Pai não me abandone, tudo que peço recebo, sou da Legião de Maria e a gente visita pessoas e quando alguém está em dificuldade a abraçamos; no momento vivo com muita aflição, pois meu filho está preso e o padre disse para me apegar com Deus e Maria; na catequese digo para as crianças terem respeito com as pessoas, com os pais, respeito na missa, não entrar de boné na igreja; leio a bíblia”.

“Deus Pai, tu és maior, sentir Deus Todo-Poderosos; peço, em grupo, que o Espírito venha nos conduzir; na catequese e para meus filhos falo do poder de Deus, testemunho a graça de Deus, falo sobre aquilo que :Deus pode realizar quando meus filhos estão em aflição”.

“Meu Senhor e meu Deus, peço perdão e agradeço, o Deus em quem confio; em comunidade peço o Espírito que conduza nossa Igreja; na catequese digo que Deus é nosso grande e verdadeiro amigo; na aflição digo meu Senhor e meu Deus”.

“Deus Pai e senhor, digo sempre que Deus é nosso amigo e que nos ama muito”.

“Pai amado preciso de ti, vem Senhor, cura-me Senhor; em comunidade digo que Deus seja louvado pelo universo; na aflição digo: Deus vem em meu socorro; na catequese não devemos dizer às crianças que Deus castiga, mas que Ele é amparo, Deus é amor”.

“Deus é Pai, tomo consciência da presença de Deus; na comunidade e catequese digo que a Palavra se torne vida”.

“falo mais com Jesus; na comunidade falo sobre o Pai-nosso e Javé Deus dos pobres; na catequese Jesus como amigo, nosso companheiro e na aflição Jesus fica comigo”.

“fé no nome de Jesus e o mal vai embora”.

Parece que Jesus é mais falado que Deus. Deus mora em nós, está presente, invocando a Ele afastamos o mal, saio do momento de agitação, porque é nosso espírito que está aflito. No salmo 22 “me conduz por vales tenebrosos”. Na expressão “Deus pode tudo”, mas Ele não pode tudo, Ele não tira a liberdade do homem e da mulher. Jesus foi fiel ao Pai até o fim, mesmo sentindo o abandono de Deus na hora da cruz Jesus não sentia o Pai, mas ele lá estava. Pela fé digo que Deus está presente. Ele escuta sempre nossa prece. Não posso obrigar a Deus a fazer aquilo que não é da sua vontade. No Pai-nosso fazemos três invocações antes de pedir algo para nós: que estás no céu; santificado seja teu nome; venha o Reino; seja feita tua vontade na terra e no céu, e por fim, as nossas necessidades, o pão, o perdão para os outros, para que não caiamos em tentação e que nos livre do mal.

“não seria justo se Deus ajudasse a um e não a outro: protege do assalto a um e não o outro, então que Ele proteja a todos para ser justo”

A questão de fundo é sobre o sofrimento do justo, das pessoas.

“perdemos três pessoas da família e as pessoas da comunidade disseram que isso era maldição de Deus, e se eu não tivesse fé em Deus não suportaria essa situação de tamanha angústia”.

O livro de Jó apresenta o sofrimento do justo, o motivo do sofrimento. O diabo faz uma aposta com Deus: fere Jó na pele, pois assim vai se injuriar com Deus. Todos os seus o abandonam e sua mulher questiona sobre algo que ele tenha de feito para sofer aquilo. E Jó acaba desafiando Deus sobre aquele sofrimento, pois Deus faz sair o sol sobre todos, está presente em tudo, assim não tinha motivo para fazer Jó sofrer. Jó se convence da presença de Deus. E no final do livro Jó recupera até em dobro aquilo que havia perdido.

Em Jo 9, 1-17 Jesus cura a cegueira dos homens e mulheres; qual a concepção dos discípulos sobre a cegueira?

“é por causa das gerações passadas que pecaram”.

“Essa mentalidade ainda subsiste hoje, vemos essa questão da maldição na Igreja”.

Mas ninguém pecou, Jesus quer manifestar a glória de Deus curando o cego. A nossa atitude, nosso olhar permite manifestar ou não a glória de Deus.

“às vezes a gente vai evangelizar e sai evangelizado, é uma questão de aceitação”.

No texto as pessoas tiveram dificuldade de aceitar aquela cura. Nós queremos enquadrar Deus em nossos conceitos; é preciso crescer na nossa compreensão de Deus.

Atividade: ler e comentar o texto “O credo dos pobres de Victor Codina.

Por um lado altos conceitos sobre Deus: Deus como motor imóvel, causa das causas, o Deus da Escolástica, fascinante e tremendo, mistério maior, inacessível, onipotente e sempiterno. E por outro lado a palavra deuzinho contrapõe esses conceitos, pois se trata de uma forma muito próxima de se relacionar com Deus.

No Êxodo somente Moisés se relacionava com Deus; as pessoas tinham que ficar longe da montanha; Jesus sobe `montanha e deixa as pessoas se aproximarem, diferentemente do que ocorreu no Êxodo. Para Codina o deuzinho expressa uma profundidade de fé.

Alguém disse que ensina às crianças que Deus é Pai e também mãe. Como afirmava o profeta que Deus tem entranhas, útero; a palavra Pai abarca a idéia do aconchego e amor materno.

Com o deuzinho nos acompanhe sempre, Codina quer colocar que Deus se sensibiliza com as pessoas, não é como os deuses do Olimpo, que estavam insensíveis  à vida das pessoas.

O povo da bíblia foi acompanhado por Deus; quando tiveram o Templo destruído e foram exilados se perguntaram sobre a presença de Deus na vida; aí nasce a bíblia como livro, e assim perceberam a forma que Deus os acompanhou.

Deus se revela sempre; vemos nas expressões: Deus te acompanhe e te guarde. Isso dá segurança às pessoas; é uma fé profunda que revela o Deus sempre presente e que não abandona seu povo. Isso é revelado pelo Espírito no meio do povo; demonstra uma compreensão de Deus.

Temos a idéia de que os padres ensinam o povo, mas Deus se revela no meio do povo, nos pequenos, na vida em família. O Espírito fala pelos simples.

“meu esposo é meio incrédulo, mas faz o sinal da cruz e pede a bênção para mim, para os filhos e neto”.

Quando vocês falaram sobre o que dizem na catequese sobre Deus: Deus é bom, é Pai, e não castiga, sempre acompanha. Deus castiga até a terceira geração, mas usa de misericórdia até a milésima, ou seja, Deus sempre usa de bondade e perdão.

Dizer que Deus é todo poderoso é afirmar uma estrutura de domínio e superioridade, mas quem domina hoje são os banqueiros e políticos.

A expressão deuzinho revela uma compreensão mais profunda de Deus, algo que, de fato, revela o Deus de Jesus.

O povo entende as homilias, as encíclicas? O povo simples entendia o que Jesus falava, porque falava em parábolas, falava daquilo que o povo vivia.

O texto mostra que deuzinho revela algo sempre presente na vida do povo.

Nos séculos XVIII e XIX foi decretado a morte de Deus. E no século XXI vemos um retorno ao sagrado; não se quer mais discutir se Deus existe.

“o que é lugar teológico?”

É o lugar a partir do qual vamos fazer uma compreensão sobre Deus, neste caso o autor diz que são os pobres.

Deus se revela ao pobre porque ele é mais necessitado, é como a mãe que está atenta ao filho que mais precisa.

Encaminhamentos para o próximo encontro:

Ler o texto “Deus de Jesus e os fetiches de Deus”

Identificar qual a imagem que tenho de Deus.

 

Avaliação:

“foi proveitoso, conheci mais sobre Deus, que Ele não é assim todo-poderoso”; “a interação do grupo, aquilo que vamos aprendendo”; “o conhecimento que cada um leva para si”; “me reportei à minha avó que dizia ‘vai com Deus, Deus te acompanhe’”.

 

Término com Pai-Nosso