Oficinas de Espiritualidade
Relatório da Oficina de Espiritualidade – 18 de abril de 2009
CRITÉRIOS DE DISCERNIMENTO
Assessor:
Cleber
1. Fábula: Os três conselhos e comentários do grupo sobre o discernimento que teve o personagem da história, ao ter que fazer escolhas ao longo da sua vida. O que o levou a escolher os conselhos ao invés do salário – proposta do patrão? O que o fez seguir os conselhos? O que o fez a ter calma para tomar decisões? O que perdeu, o que ganhou?
2. Memória do Encontro passado
-
“Não vivemos isolados e precisamos seguir
as normas que regem a comunidade em que vivemos. A ética constitui exatamente o
lado do contato social. É um
discernimento comunitário.”;
- “Falou-se muito sobre a tradição, que
às vezes traz conflitos sociais;”
- “A questão da cultura.
Foi dito que devemos respeitar a vida e os valores da comunidade em que
vivemos;”
- “Um ser ético é não pensar só em si;”
- “A ética e respeitar o próximo;”
- “A ética está em todas as culturas e
sociedade. Em tudo vivemos a ética.
Ela é imperceptível no nosso dia-a-dia;”
- “É o respeito às culturas e tradições,
respeitando o jeito de ser do povo.
Nisso se aplica a ética para a convivência (ética dos mínimos), para a
globalização. Um ponto mínimo de
ética para convivência é a vida;”
- “É a ciência do ser e do agir dentro de
uma tradição. As normas de
conduta querem regular a convivência ética.
Como, por exemplo, as leis de transito.”
3. Texto para reflexões:
Critérios de Discercimento -
Carlos Rafael Cabarrús
O que seria de oração no processo de discernimento?
- “No momento que eu
decido;”
- “Na maneira de encontrar a
vontade de Deus na minha vida. A
busca da vontade de Deus. “Senhor, que queres que eu faça?”;
Daí é importante trazer a vida para a oração e para o discernimento.”
Não se trata de psicologia. Os desejos, as pulsões de vida e de morte devem ser levados em consideração. Também as questões éticas devem ser consideradas no momento do discernimento.
4. Leitura dos Comentários sobre o Diagrama no Processo de
Discernimento.
A experiência é o ponto de partida. Lembrando a fábula. A experiência do homem. Sentiu-se traído pela esposa. Foi a experiência. A decisão primeira foi tomar a decisão depois de dormir e refletir, mas a experiência foi essa – traição.
Experiência, segundo Cabarrus, é “o que está acontecendo comigo”. Pode ser vozes, imagens, sensações, desejos.
- “Muitas vezes embaçamos tanto a
resposta sobre o que está acontecendo comigo, tantos discursos, que não
conseguimos responder a pergunta;”
- “Costumamos não parar para detectar e
refletir o que está acontecendo conosco;”
- “É importante se conhecer;
relembrar a sua história, para pensar e definir algo;”
Não devemos fantasiar muito. Precisamos saber realmente o que acontece conosco. Dar nomes aos sentimentos, às sensações, aos desejos; ruminar, sentir primeiro. Nem sempre sentir algo que não é bom, é ruim. O importante é sentir e decidir o que fazer com esse sentimento. Estamos no mundo e as pessoas e situações despertarão experiências positivas e negativas em nós. Sufocar sentimentos é complicado. Na vida espiritual, é importante acolher o que surge. Perguntar-se porque veio a imagem e o desejo é muito importante. A vida espiritual é um combate. Devemos partilhar tudo que vier (sentir).
- “Há conflitos que envolvem questões e
situações, nas quais os conflitos aumentam.
Em uma questão pessoal, vi que no momento eu não percebia o que acontecia
comigo. Procurei pessoas para me
ajudar, as orações me ajudaram muito.
Mas, na época, eu não conseguia identificar o que acontecia.
Hoje, mediante o processo dos EE posso perceber que dou nomes aos “bois”.
As oficinas, os EE e o curso Crescer do Próprio Poço têm me ajudado muito
nesse processo.”
Quando acontece comigo? O que tem relação com outros fatos?
Cabarrús usa uma linguagem inaciana: Babilônia e Jerusalém. Santo Inácio propõe o exercício, na segunda semana, das duas bandeiras. Pensar que a Babilônia, cidade da riqueza e idolatrias, reino do mau espírito. Jerusalém, lugar em que aconteceu a morte e ressureição de Jesus, reino de Jesus. Imaginar o combate.
Devo estar atento ao meu estado: Como estava antes e como
estou? Levar em conta os diferentes
tempos espirituais. Diz o
texto “Somente a partir da combinação de
forças podemos esclarecer aquilo que Deus está agindo em nós”.
É o momento psicológico do
discernimento. Não se trata de fazer
um perfil psicológico da pessoa, mas apenas conhecer elementos que tenham a ver
com a psicológia. Como por
exemplo, fazer relação com experiências boas e dolorosas do passado.
Na primeira semana, o mau
espírito sempre se aproveita das feridas e traumas da pessoa para desviá-la do
caminho. Ele se aproveita dos
instintos exacerbados (aspectos físicos, por exemplo – cabelos compridos, barba,
etc.)
Na segunda semana, o mau
espírito usa de ideais exagerados.
A pessoa se entrega tanto a algum ideal apostólico, de forma que a pessoa
não enxerga mais nada.
Por exemplo, alguém que resolve a se dedicar a muitas pastorais e parte para o
extremo; não come, não dorme, não
descansa, não convive com a família, etc.
- “Talvez queira dizer que usamos Deus,
como homem, para justificar situações de opressão das mulheres?
Como por exemplo, mulheres, na Igreja Católica não poder ser sacerdotisa.
Isso porque Jesus foi um homem.
Será que seria isso?”
- “Isso
está certo. Porque Jesus escolheu 12
homens e não mulheres.”
-
“Mas, Maria, mulher, foi a maior
discípula. E Maria Madalena também” ;
- “Jesus escolheu mulheres, sim.
Muitas o ajudavam na missão.”
- “Maria Madalena estava ao lado de
Jesus, na última ceia.”;
- “Não, isso foi só no filme. As mulheres
só serviam a mesa”
A mesa do banquete do Reino
– Quatro pedestais da mesa: obras da justiça solidária, misericórdia alegre,
incompreensão e perseguição, amor a si mesmo. Consigna
– lema pessoal de vida. A armadilha
me afasta da mesa e do lema de vida.
Onde o que sinto me leva?
Para a mesa do reino? Estou
sendo justo, solidário, misericordioso?
Estou amando a mim mesmo?
- “A gente muda e as pessoas acham que
não somos mais os mesmos. Isso causa
dificuldade.”
Sobre a reação.
Como respondo ao convite?
Posso fazer uma aliança ou rejeitar.
Se eu sei que é uma armadilha, rejeito.
Se estou em dúvida, vou analisar os sentimentos.
Trata-se do aspecto moral do discernimento.
Nunca perder a calma.
Não agir por impulso. Sobre o
“discurso”, Cabarrús diz que há contradição entre o discurso e a prática.