Oficinas de Espiritualidade
Relatório da Oficina de
Espiritualidade – 01 de novembro de 2008
TEMA: Evolução
histórica da Espiritualidade Cristã: de Jesus aos nossos dias.
Monitoria: Jair José Schuh
Slide / Trindade
Revisão do encontro anterior: imagem e fetiche de Deus, amor de Deus sobre a criação e ação da o viver de uma nova experiência, com a oficina, lembrar a todo o momento a finalidade da vida, uma coisa nova, maravilhosa,
Fetiches pelas falsas imagens, depois o Deus de Jesus, o rosto do pai que Jesus Cristo veio mostrar, “quem me vê, vê o pai”, ele dá pistas, vai revelar o rosto compassivo e amoroso na humanidade, o espírito os envia em missão, depois textos bíblicos sobre a trindade, dois sobre o pai,depois sobre o filho, do bom samaritano e o lava-pés, caracterizando a missão do filho, e sobre o espírito, os dons, os carismas, formando só um corpo, a trindade cristã, evangelho de João, o sopro como símbolo que aparece; dá o espírito aos discípulos em missão.
Introdução à
temática:
Jair: Hoje vamos tentar fazer o percurso da História da
Espiritualidade. Mas desde já vamos limitando esta história, pois o enfoque será
na espiritualidade cristã.
Já muitas e muitas vezes ouvimos dizer que “O espírito sopra
onde quer, que ele é como o vento, não se sabe de onde vem, nem para onde vai”.
Porém sabemos, ao menos me parece ser, que faz história.
Por isso vamos começar com um exercício: Cada um é convidado a
olhar para a sua vida, a sua história, como ela evolui, quem sabe também
in-volui, olhar por tópicos - como o espírito, em mim, faz história? Fazer um
esquema da própria história da espiritualidade. Como comecei a entender minha
espiritualidade.
Seguem colocações dos oficineiros:
- “a minha história, já vivi numa igreja conhecendo o caminho da igreja, fica de maior, afasta um pouco, a Santa Missa, como um costume obrigatório, vai continuando, na hora que tem precisão de orar, pedir, encontrar, vem a hora da fé, as graças, a gente vai encontrando, pedindo socorro a Deus, nas horas da perseguição, tentação, a gente vai tendo que Deus esta junto, e mais na igreja, e nesta fé Jesus Cristo pede muito para os irmãos, a gente vê que tem coração, tem que crer, acreditar, e ajudar os irmãos, a tentação é muito, se não tem o que acreditar cai, este curso para ver se a gente conhece mais por fora Deus, Jesus Cristo, Espírito Santo, não ficar só no evangelho, de como era Jesus Cristo antes, naquele povo, que perverso tem até hoje, e para com amor viver no meio de nossos irmãos, virar as costas, quantas vezes Jesus já caiu conosco.”
- “Nasci numa família cristã, batizado, eucaristia, crismada, só que a espiritualidade não estava sentindo, foi meu chamado, servir, dedicar minha vida aos pobres, quando deixei tudo e segui a vida religiosa, não é só rezar, é viver, por em prática, coloco amor, acolho bem as irmãs, as pessoas, amar, servir, no trabalho vivo a espiritualidade, servir com amor, pais, funcionários, professores, nas visitas que faço, me sinto realizada com as pessoas pobres, se não posso dar material, mas conversar, espiritualidade.”
- “Não tem o que escrever, mas o que sinto dentro de mim, sede de saber mais, de entender, este mundinho que a gente vive dentro da igreja não é isso, tinha que desenvolver mais lá fora e não conseguia, tinha essa dúvida e buscava, até que surgiu esta oportunidade, aqui é a fonte, de saciedade, a gente vê o mundo lá fora com outros olhos, não é que era errado, mas é preciso mais, fico sentida quando vejo meus amigos de caminhada que não tem essa visão, hoje vejo lá fora com outra visão, graças a Deus.”
- “Na minha vida fui criada por mãe muito católica, anjo da guarda, terço, as regras dentro de casa, bênção todas as noites, dentro dos padrões dos nossos pais, aquilo era o certo, e na realidade é; ir a missa aos domingos, cresce, vem adolescência, a gente se afasta, questiona, recebe outras influências, me afastei da espiritualidade, o mundo me apresentava novas conquistas, mas depois, graças a Deus, consegui retornar, a gente quer que os filhos façam o bem, fui reconquistando o que aprendi com meus pais; conheci pessoas e fui obrigada através do sofrimento a reconquistar minha espiritualidade, estou voltando, conseguindo.”
- “Eu sempre fui católica, é como a L. falou, afastei durante uma época, e a espiritualidade veio muito forte em mim quando passei a ser voluntária, de cara fui na pastoral da sobriedade, onde procurei mesmo me interiorizar, eu com eu, eu com Deus, procurar ajuda, fazer curso bíblico, até hoje estou em busca, com muitos questionamentos, a maturidade ajuda muito, saí da rebeldia, vem as decepções, questionamentos, na casa dos 40 veio com tudo, quanto mais busco, mais quero.”
- “Espiritualidade, minha mãe já plantou isso, e não esqueça, do invisível para visível, desde criança a imaginar, de Jesus Cristo e N. Sra, Ave Maria e Pai Nosso, a primeira eucaristia, as coisas da infância você não apaga, afasta, mas esta sempre procurando; bíblia sempre teve, mas só quando comecei a participar é que comecei a entender, daí vem a sede do conhecimento; na escola permanente, a espiritualidade, a fluir, o carisma, tal curso, vontade, desejo, alguém que vai nos fortalecer, ensinar, 2 anos, aprendi bastante coisa, aquilo fluiu, a sede continua e por isso estou aqui hoje, participando num conhecimento mais profundo, conviver mais com a espiritualidade, principalmente na oração.”
- “Minha vida espiritual não é igual, mas também não e tão diferente, família católica não praticante, fez questões desde a infância, na escola o ensino religioso, direcionado para a religião católica, me despertou a necessidade de ter um seguimento, a saber, conhecer a religião cristã ficou bastante marcado em mim o que é Jesus Cristo, como filho de Deus, despertou essa vontade de ter uma religião, afastei-me por muito tempo na juventude, mesmo tendo o dom de fazer minha oração diária, mas sem freqüentar a igreja, na fase adulta, depois o matrimônio, daí a necessidade de dar seqüência nos filhos, como educar sem viver a experiência, me fez retomar minha formação, houve a necessidade de adquirir mais conhecimentos, faz com que esteja no meio de todos nós aqui. A religião que escolhi, me adaptei com ela, não que seja a melhor.”
- “bênção, cânticos da mãe, na adolescência afastamento, comunidade eclesial, descobri ali o desejo de ingressar na vida religiosa, convivendo com jovens, a vida religiosa fornece experiências para se pensar na própria vida, no noviciado, o retiro de 30 dias, surgiu o desejo de atuar nesta área, de orientação espiritual, de dar os EE de Santo Inácio, na etapa seguinte, a missão que recebi foi trabalhar na paróquia com exercícios para leigos, que me marcou muito, e fui aperfeiçoando minha experiência de fé, mais em conformidade com a realidade, me fez mudar minha visão, a comunidade como família humana e fruto de Deus, na humanidade, o rosto de Deus, e eu como jesuíta enviado a esta humanidade, neste rosto que estou.”
- “Perdi a mãe com 4 anos de idade, mas tinha uma coisa que me movia, que me indicava fazer as coisas, é por ai, o pai nos abandonou, os avós logo faleceram e fique a mercê, sentia a necessidade de sobreviver, tinha uma guia, uma coisa, que me orientava e dava certo, quando dava errado meu intimo rejeitava, fazia mal no estômago, jamais pensava que isso seria espiritualidade, isso foi criando dentro de mim uma defesa, me defender porque estava só, não tinha quem orientar, tinha que caminhar, o que me move a fazer uma coisa que não sei, e passei a ter esses cuidados comigo de não fazer as coisas que não me agradavam, pois fazia e faz mal. Experiência da cobra no caminho, da pessoa de branco que percebo que sempre me orientava, experimento algo dentro de mim que não sei explicar, hoje entendo como espiritualidade, não é meu, não é humano, mas algo que me faz sentir bem daquilo que fiz, quando não dá certo parece que tem algo que me avisa com antecedência, desde pequena esta experiência com este ser, pelo que vivi, experiências amargas nas casas de família, que me ensinaram a viver, ia escutando e aprendi a viver, Deus cuidava do órfão, me orientava, o espírito dentro de mim canta, alegria, vontade e desejo de estar servindo e orientando, não sei explicar mas sempre tenho a palavra certa para dizer para alguém que precisa. Nascimento de meu filho já sabia o que ia acontecer.Com 60 anos tenho muita energia, a qualquer hora, só pode ser espiritualidade que nos move a ser.Tenho que ir avante e rápido.”
- “Muito tempo fora da igreja, mas sem esquecer de rezar o terço, ou colocar os joelhos no chão nos momentos mais difíceis; parei para pensar que tem que ter uma saída, se Deus me deixou aqui é porque tem jeito de resolver as coisas, parei e pedi sabedoria, entreguei-me nas mãos de Deus, saí sem rumo, em situação crítica, andei, parei na porta da Igreja S Sebastião, estava só, rezei o Pai Nosso, voltei, em casa, as crianças contaram de um parente que veio nos visitar, trouxe alimento e dinheiro; encontrei o que precisava no momento em casa, dinheiro remédio e comida, fui procurar o tio, o parente, encontrei-o, a comadre trouxe parte do que precisava, e ele a conversa, a presença de Deus, tomei uma injeção muito doída, tinha diagnóstico de câncer, sarei com esta injeção e oração, muita dificuldade que passo na vida, tenho Deus e a N.Sra para pedir, tudo se resolve, toda dificuldade que passo vejo que a espiritualidade chega no momento certo; choro por tudo no mundo e me dei conta que nunca choro por Jesus Cristo, senti necessidade de chorar, e chorei muito, Jesus Cristo vem em primeiro lugar, não choro mais, não derramo lágrimas mais, não sei se é espiritualidade, dom, mas sinto lisonjeada que Deus sempre dá um jeitinho de mostrar que é o Senhor.”
- “Coisas que não conhecia, que acontecia, nunca fui de muita oração, envolvida em comunidade, essas coisas, mas sempre tive uma fé muito grande, cheguei aqui em 72, com duas filhas, sem marido, sem emprego, alguém me trouxe, quem? Eu tenho uma procura muito grande, às vezes acontecem coisas, e a gente não conhece, sempre busco, no texto, onde Inácio, tem fé e oração contínua, e não excesso de oração, de repente esse toque de ter vindo fazer essa experiência pessoal aqui, sempre procurei e encontrei aqui acho que a oração que acredito nela, não tinha experiência de pedir, orar excessivamente; após o nascimento da neta voltei a igreja, a N., quase morreu, não queria perde-la, não tinha ação, entrei com ela nos braços na Igreja do Rosário, e fiz um pedido de entrega, de silêncio, fiquei fazendo a oração, ela respirou fundo como se estivesse respondendo, aquilo me deu emoção e sensação de vitória, fiquei um bom tempo, fiz orações, pedido, com muita fé a entreguei a Jesus Cristo, dei chá de alecrim, ela amanheceu animada, passei a ver as coisas com muito respeito, até deixei de zombar do exagero das irmãs, mas não tenho a vocação para este exagero, mas vi que Jesus opera milagre, e o melhor lugar para encontrar com Deus é o silêncio, flui melhor, você entende melhor. Perder minha filha foi tudo planejado por Ele, a gente é que não visualiza as coisas boas, mas só as coisas ruins, me chama atenção; nunca fui abandonada, sempre fui muito bem acolhida, tudo foi experiência, ajuda, aprendi muitas coisas boas, hoje sei que valeu a pena, aprendi muitas coisas, profissão, dona de casa; Deus operou na minha vida, saí do estágio de quem nada tinha, e o básico consegui com a família. Com as freiras as exigências, o excesso de oração, órfã de mãe, pai que dava fartura, mas que não conversava com os filhos, encarregava as irmãs para fazer isso por ele, foi bom para todos nós, todos estudaram, e graças à confiança e o espelhamento em pessoas que tinham mais educação, mas faltou pai, família. Se Deus não tivesse operado em minha vida não chegaria onde cheguei, pois foi com fé, resignação. Amar a Deus sobre todas as coisas, e o próximo como a ti mesmo. A humildade leva o homem ao além, a humildade de Inácio é superior a qualquer outra.”
- “espiritualidade construída com a devoção dos pais, benção que se pede, da oração, momento da Ave Maria e se reunir, e com o tempo é que fui construindo, a partir de um momento em minha vida, em mudança interior, não um Deus fetiche, mas um caminhar lado a lado.”
Jair: Obrigado por isso que aqui cada um pode colocar. O se pode observar, pelas palavras de cada um, a questão da espiritualidade e da mística se co-relacionam. Alguns construíram uma a partir da outra, normalmente em momentos de crise. A história faz este movimento, em momentos de crise, se vai construindo, constituindo, fazendo marcos na história, a gente vai constituindo e fazendo a história própria, esta que contamos aqui e vamos construindo em palavras, aquilo que na terceira oficina aprofundávamos. Ali víamos o processo de revelação de Deus, que só se entende depois, olha-se o passado para se ver bem, só depois é que posso ver aquilo que Deus revelou. É no olhar do futuro que posso ver a revelação de Deus. Como podemos reparar, a espiritualidade, ela é um processo de amadurecimento na gente, a gente vai consolidado as coisas em nossa vida, vamos constituindo um jeito de sermos, isto para mim é a constituição da espiritualidade. Olhando nossas histórias, há esses movimentos históricos, o antes é diferente do depois, é agora não é mais como foi, essa coisa aconteceu também na história da humanidade e da espiritualidade, passou pela mesma dinâmica dessas histórias que contamos aqui, nas dúvidas e nas certezas é que se vão criando as coisas novas, é como o espírito que sopra como o vento, não se sabe seu caminho, mas vai se concretizando na história, assim como essa variedade de histórias, de formas distintas que foram sendo construídas, que não se apaga, não se encerra, vai se fazendo em cada um de nós; quando olharmos essas várias espiritualidades que se fazem presente na vida pessoal de cada um hoje, mesmo que olhemos no tempo coisas de mais de 3.000 anos. Este exercício foi para percebermos isso, como estamos envolvidos nessa história, nesta história mais ampla, e que outras gerações já vivenciaram e que hoje somos herdeiros.
Intervalo
Jair: O texto que temos é baseado numa coleção sobre a história da espiritualidade cristã. Este texto está bem organizado, segue o processo histórico de forma cronológica. Mas eu proponho que podemos olhar esta história da mesma forma como contamos a nossa própria história. Sem seguir uma ordem cronológica, vai se costurando, indo e vindo; vamos fazendo mais ou menos dessa forma, a proposta é começarmos onde alguém gostaria que se começasse, e daí vamos conversando e amarrando esta história de forma que faça nexo, vamos andando no sopro do Espírito, que sopra para todos os lados.
Oficineiro: “Tenho muita dificuldade no entendimento, na interpretação, tenho mais facilidade discutindo.”
Jair: Explicação de como está esquematizado o texto, a espiritualidade na história, parte a parte.
Este texto traz a espiritualidade a princípio, bíblica, para se pensar em história da espiritualidade cristã; existem espiritualidades de inspiração cristãs, não há apenas uma, na verdade existe uma única fonte desta espiritualidade, mas muitas espiritualidades, variedade bastante grande de espiritualidade. Na cristã não podemos colocar tudo no mesmo saco, numa mesma coisa. Existem muitas manifestações do espírito, ele sopra como vento, vem e vai para onde quer, nesta perspectiva a espiritualidade cristã se diferencia. Se olharmos para o Antigo Testamento, nesta primeira perspectiva, no próprio antigo testamento há uma variedade grande de espiritualidade, até hoje, a espiritualidade da Torá, fazia porque já antes se fazia, a geração anterior colocava, vem dos 5 primeiros livros da SE, no Gënesis, e Ëxito com narrativas importantes, e o Levítico cheio de leis, parece uma espiritualidade que surge desses 5 livros, uma espiritualidade muito rígida, esta primeira surge nestes parâmetros, embora o Pentateuco traga a beleza das origens e outras coisas, tem também uma características da rigidez da norma, de forma que a espiritualidade que daí brota é bastante legalista, conforme a lei, que existe até hoje, como percebemos na própria narrativa. Pensando que se cumprir com estas leis se cumpre todas as obrigações cristãs. Esta primeira espiritualidade está viva e presente em nosso meio, outra forma no AT era a profética, uma forma de vivenciar a espiritualidade da Torá não estava dando conta, então de forma melhor para vivenciar esta espiritualidade surge a profética: “Povo meu, abram os olhos, porque não estamos vivendo conforme a torá”, naquela época Isaías já denuncia isso, situações que não estavam bem nesta época, e que ainda se faz presente, na medida em que queremos uma vida melhor e diferente, que se realize em plenitude em nosso meio, nos leva a fazer opções em nossa vida, formas de nos posicionarmos.
Outra espiritualidade é a dos salmos, a forma do povo fazer oração, salmos são uma coleção de orações que se faziam naquela época, oração que era feita pelo povo, assim como hoje temos nossas devoções , com orações, ladainhas etc, o povo de Israel tinha como forma de ladainha seus 150 salmos, se reuniam, rezarem tais salmos a cada dia, oração de repetição deste povo, essa forma de manifestação de espiritualidade, de orações vocais de repetição, esta presente e viva hoje.
A espiritualidade sapiencial, das coisas que se encontram na sabedoria popular, e são introduzidos na Sagrada Escritura, em forma de provérbios, etc, em que unem os contos populares que possibilitam essa sabedoria, brota da sabedoria que o povo vivenciava e era colecionado nestes livros; principalmente nos provérbios, daquilo que é dito, que se faz e permite que o povo possa vivenciar mais a espiritualidade. No AT tem essas, que se destacam, formas espiritualidade manifestas no AT.
Oficineiro: “No AT existem modos de se viver a liturgia, o culto, numa linha sacramental, e outra que ia às montanhas, as manifestações dessas espiritualidades.”
Jair: O povo de Israel tinha presente estas 4 manifestações, acreditavam na tora, rezavam os salmos, usavam dos ditos populares, a profética. Todas as formas de espiritualidade se faziam presentes.
Podemos perceber na narrativa do T., como as variadas culturas, cultivam e acham formas de culto distintas e de vivenciar a sua espiritualidade. A espiritualidade no AT fazia exatamente isso, era o chão da vida, era o que acontecia nesse meio. E como historicamente, a primeira espiritualidade foi a do tora, a das lei, ...
Como conseqüência do antigo, temos o NT, 4 espiritualidades primeiras que surgem nesse tempo do novo testamento, nos 100 primeiros anos, desde o nascimento de Jesus Cristo, como fonte primeira que colecionamos nos evangelhos: Marcos, Mateus e Lucas, onde há uma forma de espiritualidade, que não é cristã ainda, mas uma espiritualidade “Jesuína”, de Jesus Cristo, nas quais se narram e se colocam aquilo que Jesus Cristo vivenciava, fazia, aquilo que os discípulos, vivenciavam com Jesus Cristo, falando de Jesus. Excluo o Evangelho de João desses 3 porque tem um objetivo diferente destes 3 primeiros livros: os primeiros: falar e contar como Jesus Cristo fez e aconteceu, e o de João,e suas cartas e o apocalipse, também a ele atribuído, não que necessariamente seja, mas uma proposição de uma reflexão sobre os três primeiros. No Evangelho de João, ele escolhe apenas sete fatos da vida de Jesus Cristo para então fazer o primeiro livro teológico que temos, não uma narrativa de fatos, mas teoria elaborada. João coloca Jesus Cristo numa compreensão mais ampla, desde a criação até o “tempo do espírito” do paráclito, como ele o chama, desta forma já é uma teologia e uma espiritualidade cristã, assim como as cartas de Paulo, são diferentes daquela que esta nos 3 primeiro evangelhos. Fazem mais do que apenas falar da vida de Jesus Cristo, fazer esta passagem do antigo para o NT que Jesus faz; ainda a Paulina, e talvez na minha concepção, a questão da revelação do amor de Deus, desde que o que é narrado da conversão de Paulo, as suas cartas, a preocupação da vivencia e experiência de fé que cada um vai fazendo, ele vem trazer a experiência de fé construída, a partir da relação com a convivência com Jesus Cristo. O sujeito se transforma em um ser novo, o aprofundamento de nossa fé, foi num momento de crise, da mesmo forma Paulo, um bom cavaleiro que cai do cavalo, um ser novo, do recriar, refazer, possibilidade que temos de evoluir e transformar nossa história e vida. Hebreus e Apocalipse, enquanto que Hebreus, atribuída à Paulo, mas era de uma comunidade, a forma de vivenciar de forma completa,retorno da espiritualidade da Torá, vem tentar e colocar no novo testamento aquilo que parece que em outros textos não estava tão bem concretizado, vem normatizar o NT.Uma série de regras para a vivência da comunidade cristã. O Apocalipse, que são da mesma época, mas por comunidades de visão distinta, mas a possibilidade da espiritualidade que se abre para uma infinidade de coisas, num tempo da história o mal é derrotado pelo bem, o bem vence ao mal, não há necessidade de se colocar toda essa normatização, no Apocalipse, uma abertura e comprometimento do cristão com a vida concreta da existência. Perspectiva do cristianismo estar atento ao que era vivenciado nas dimensões humanas, políticas, econômicas etc, e que de forma brilhante Santo Inácio traz, a luta do bem e do mal de cada sujeito. Bom e mau espírito em cada um, comparece já dentro da espiritualidade do Apocalipse, a luta da comunidade cristã com o Estado constituído, em termos espirituais o que é vivenciado em cada um de nós.
Era pelo martírio que acontecia a salvação, não necessariamente pela água do batismo, se dizia a não necessidade do batismo em água para a salvação, já há 19 séculos questionadas na tradição. Uma espiritualidade que ainda se esparrama por aí, como se fosse o batismo de água que fizesse as pessoas em gente. O que se diz hoje já é briga do primeiro século.
Intervenções dos oficineiros:
- “em que se questiona também o porque das mulheres não poderem ser sacerdotisas”
- “Espiritualidade está sempre em mutação, na experiência de uma que vem surgindo outra, uma transformação.”
- “Acho que é uma exigência do povo que emerge.”
- “Não basta ter fé, é preciso mostrar suas obras.”
Jair: É a vida que se vive, ou é a água do na qual se é batizado que vai servir como exemplo para o batizando? Como fundamentar isso hoje, aquilo que já se passa nas disputas entre Paulo e Thiago? Para Thiago não a água, mas a vivencia da fé nas obras. Para Paulo é a fé em Jesus Cristo. E daí, quem tem razão? Os dois, nenhum dos dois?
- “Primeiro a obrigação, depois afastamento, para a maioria. E hoje a busca.”
- “Jesus Cristo foi batizado no rio Jordão por João, mas quem batizou João? O Espírito Santo. Então pode existir o batismo no Espírito Santo? E no desejo? Sim, já está batizado.”
- “Contraponto. Jesus Cristo também descumpre leis do tempo dele.”
- “Eu não vim revogar, mas cumprir.Se sair fora das coisas da igreja, estou sendo desobediente, eu vou, nós somos a igreja, por obediência faço, devo.”
Jair: vale lembrar que a primeira obediência dentro da espiritualidade Cristã, inspirados na Espiritualidade Inaciana, é a obediência ao Espírito Santo. E, muitas vezes, por obediência ao Espírito é preciso questionar normas e subverter leis. Foi o que Jesus muitas vezes fez. É bom se ter em conta isso. Nos movimentos que acontecem na história, é interessante olhar nestas várias visões, espiritualidades diferentes, nos discursos e vivencias, e isso vai estar se colocando, ter conhecimento, clareza, compreensão dessas várias correntes, se manifestando nas várias correntes e discursos, a forma como cada um vai manifestando sua fé, a primeira forma educar nosso ouvido, essa pessoa discute e levanta esta questão que em Paulo já se discutia.Trazer a tradição no seu conjunto, na espiritualidade e em sua evolução. Hoje, embora tenhamos um embate com as variadas crenças mais forte em nosso tempo, é já outro tempo, onde a humanidade já deveria ter aprendido a dinâmica da paz, sem deixar de esquecerse de pensar a paz dos cristãos entre si, entre suas várias manifestações.
- “Se é sacramento da igreja, não é obrigado a cumprir? Não se estou errada, gostaria de uma resposta.”
- “O que me ajuda, a primeira obediência é o espírito, pela vida, isso que a tradição traz gera vida? Então é isso.”
- “Casamento de segunda união, qual o problema? Se gera vida, porque não aceitar? Não é coisa de regra e documento. A realidade é outra nas comunidades.”
- “Muito apuro a respeito do batismo, pessoas que não participam da comunidade vão buscar o batismo. E aí? Vem para a gente resolver. A própria paróquia, igreja, lei, as pessoas não participam, não entendem, penso que para batizar a criança, nada disso precisa; hoje tem protocolo, isso, aquilo, é difícil decidir o que fazer, se o batismo é para todos nos tornarmos cristãos, porque tanta regra?”
Jair: Estamos já fazendo uma prática do discernimento. É algo que vamos aprofundar na segunda oficina. Se há regras, elas forma para serem cumpridas. Mas, às vezes, para fazer o bem, precisamos quebrar algumas delas. Para se fazer a caridade, realizar algumas coisas boas, que o bem aconteça, o mais importante, o mais significativo, precisa-se descumprir as regras. Não de se abrir precedentes, isso é dizer que a lei é morta, mas se faz diferente para fazer a caridade, estamos assumindo esta dimensão do discernimento, ouvindo a pessoa que traz a questão, sem desmerecê-la, e fazer o que é possível, a escolha é do outro, responsabilizar a pessoa pela sua opção, ela tome em suas mãos a responsabilidade, é preciso que se termine em situação de paz e esclarecimento. Não precisamos obedecer a ninguém mais, se estivermos em obediência ao espírito de Deus.
Na próxima oficina, trabalharemos a Espiritualidade Inaciana, que, provavelmente nos ajudará a olhar a questão da obediência em termos mais esclarecidos.
Avaliação :
O levo dessa
oficina?
- Procurar viver o que se faz presente em minha vida, levar no respeito aos outros, sem levar em conta o que eu vivencio e sinto.
- levar a vida conforme a vida nos proporciona a viver e viver na comunidade;
- houve várias digressões, que fez-me ver que ainda estamos crus em uma série de assuntos, por isso a necessidade de ver um pouco mais;
- resumindo, pode-se dizer que tudo é Deus e vida;
- nada cai do céu é necessário ir buscar;
- acrescentou mais ao conhecimento, a cada dia vou aprendendo mais de mim; a espiritualidade de cada época faz perceber que aprendemos mais;
- a lei do amor manifestada no amor;
- a experiência de poder narrar a própria experiência da história de espiritualidade;
- a situação de forma de se relacionar aqui é o que levo para a minha vida;
- questionamento: que espiritualidade devemos vivenciar hoje diante das questões que se colocam para esta geração?
- ouvir a narrativa da história de espiritualidade de cada um;
- aprendi um pouco mais sobre espiritualidade: ver Deus em todas as coisas, ver o irmão em cada um próximo de nós; mudou a visão de tudo o que eu tinha em relação a concepções que tinha de espiritualidade, igreja, bíblia; vim para conhecer melhor.
- aprendi muito, hoje saio daqui pensando no que posso falar, fazer, o que pode talvez entender, agora sempre saio pedindo a luz do Espírito Santo, sei que agora tenho como segurança; levo uma fé muito grande; posso sair com segurança diante do que vou fazer; tenho uma visão de missão a levar adiante.