“Páscoa da Ceia, Páscoa da Cruz, Páscoa da Ressurreição”!

 

Marilza Lopes

 

Toda celebração cristã é memorial da páscoa de Jesus Cristo e, nesse sentido, contém um elemento de festa pascal. Entretanto, para que as comunidades cristãs e cada pessoa possam realmente fazer da sua vida uma páscoa contínua, cada ano a Igreja retoma o costume de consagrar com mais intensidade um tempo especial para preparar e celebrar a memória da morte e ressurreição de Jesus.

O Tríduo pascal da vida, morte e ressurreição de Jesus constitui o centro de toda a fé da vida das comunidades cristãs e do ano litúrgico. Nele celebramos a obra da redenção humana e da perfeita glorificação de Deus que o Cristo realizou quando, morrendo, destruiu a morte e, ressuscitando, renovou a vida (SC 5; NUAL n.18).

A Vigília Pascal deve se tornar o ponto alto de todo o ano litúrgico, a celebração mais importante da vida do cristão. Pela vigília pascal, os cristãos e cristãs realizam, ritualmente o que na fé vivenciam e passam, de todas as vigílias, no dizer de Santo Agostinho ou, no dizer poético de santo Astério de Amazéias, “noite que não conhece trevas, espantas todo o sono e nos leva a velar com os anjos; noite pascal, por todo um ano esperada”.

Três são os aspectos da páscoa que celebramos: Páscoa da Ceia, Páscoa da Cruz e Páscoa da Ressurreição.

A Páscoa da Ceia é memória da última Ceia de Jesus, de sua entrega, de seu amor sem limites, da inauguração da nova e eterna aliança do sangue dele derramado na cruz.

“Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora, de passar deste mundo ao Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”(Jo 13,1).

Com dois gestos simbólicos, anunciou profeticamente sua morte na cruz: o lava pés e o pão partido e partilhado juntamente com o vinho, na espera ardente da realização do reino.

A vida dele é oferecida ao Pai, em benefício dos irmãos: “Isto é meu Corpo, meu sangue, doado por vós... Tomai, comei... Fazei isto para celebrar a minha memória”.

A Páscoa é Cruz é a memória da vitória pascal. A liturgia da sexta-feira santa não quer chamar a atenção sobre o sofrimento em si, mas sobre a glória de Cristo, e sobre a sua vitória pascal. 

A ênfase é dada sobre a morte, à realidade da morte, mas não como fim em si mesma, e sim como promessa de vida e ressurreição. O elemento essencial da sexta feira santa é a Proclamação da Palavra. O rito da apresentação e adoração da cruz nasce como ato conseqüente.

A Cruz é colocada no centro da Assembléia Cristã como sinal pascal de vitória e de amor que vence o mal e a morte. Assim ela é chamada e adorada.

A Igreja ergue o sinal de vitória como para tornar visível a palavra de Jesus: “Quando eu for levantado, atrairei todos a mim”(Jo 12,32).

Para colocar no centro da fé a paixão do Senhor. Assim, lembramos das palavras de S. Cromácio de Aquiléia: “A verdadeira páscoa é a paixão de Cristo”. E S. João Crisóstomo: “Hoje vejo nosso Senhor Jesus Cristo sobre a cruz e nós em festa, para que, se aprenda que a cruz é a festa solene em sua espiritualidade”.

Do supremo ato de amor de Jesus na cruz, de sua compaixão, nasce a Igreja. Do coração aberto pela lança, brotam os sacramentos pascais: batismo (água) e eucaristia (sangue). Unidos ao crucificado, como Igreja, somos chamados a viver e testemunhar este profundo mistério em todos os momentos de nossa vida.

No sábado santo, “Maria Madalena e a outra Maria estavam sentadas em frente ao sepulcro olhando o lugar em que o corpo do Senhor tinha sido depositado” (Lc 23,55).

Neste dia a comunidade faz sua a atitude das mulheres em frente ao sepulcro (Mt 27,61), numa atitude de espera, confiante na fidelidade da palavra de Jesus, para viver a Páscoa da Ressurreição. Numa atitude de pessoas dispostas a proclamar com Cristo, vencedor da morte que a vida é mais forte. Ó morte, onde está tua vitória? Cristo ressuscitou e com Ele nós ressuscitamos. “Com a alegria do Espírito Santo e cheios do desejo espiritual, esperemos a santa páscoa” (Regra de São Bento, 49,7).

Feliz Ressurreição!





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