ABRIL - JORNADAS DE LUTAS MST tranca por 2 horas a BR-163 em segundo dia
de protesto
É o caso de Nadir Cândida da Silva, 54 anos,
casada. O marido dela, de 64 anos, está doente e por isso ficou em casa,
no acampamento Vicente Nobre, na divisa dos municípios de Araputanga e
Reserva do Cabaçal. Casa é modo de dizer, porque o casal de idosos vive
em um barraco de lona preta há quatro anos. “Nessa idade, a gente não
consegue mais trabalho pesado e não consegue também aposentar”, diz
Nadir. Apesar das incertezas, ela e o marido plantam mandioca, milho,
feijão e amendoim. “Antes de entrar para o MST a gente não sabia de
nada, nem dos nossos direitos. Agora eu sei”. Na linha de frente da
manifestação, diz lutar para conseguir a terra definitivamente. Com a filha de 4 anos no colo, Janete Rosa, 27,
mora nesse mesmo acampamento, há pouco mais de um ano. Também planta
milho, mandioca, feijão e amendoim e cria galinhas. O irmão, de 33 anos,
mora com elas em um barraco de lona preta. “Meu sonho é sair a terra,
ampliar a lavoura e construir uma casa. Esse é o sonho de todos nós”. Os trancamentos da rodovia abrem as Jornadas de
Lutas do MST em Mato Grosso. Em abril o Movimento, em todo o país,
lembra com tristeza o Massacre de Eldorado dos Carajás em que 19
sem-terra foram assassinados por pistoleiros. O Massacre aconteceu no
Pará, há 15 anos; os assassinos continuam impunes. No dia 18, os sem-terra seguem em caminhada até
Várzea Grande, aonde vão se unir a outros movimentos sociais, para
denunciar o estado de abandono daquela cidade. No dia 19, a caminhada será na capital, encerrando
com um ato político, conjuntamente com moradores de Cuiabá, para
denunciar o descaso do poder público com a população de Cuiabá. Depois
disso, a caminhada segue até o INCRA. Mais informações com Axé ou Fia: (65) 9917-8098 Assessoria de
Imprensa: Keka Werneck (65) 9922 9445 VEJA A PAUTA DO
MOVIMENTO: -
Cumprimento das metas do Plano Nacional de Reforma Agrária de 2005 -
Assentar 100 mil famílias ano; - Revisão
dos índices de produtividade. O Atual índice é de 1975; -
Reestruturação e fortalecimento do INCRA com valorização dos servidores
e concurso público urgente; - Mais
Qualidade para os Assentamentos – Escolas, saúde, lazer etc.. - Plano
Emergencial para Assentar 90 mil famílias que estão acampadas vivendo em
péssimas condições; - Aumento
de recursos para o PRONERA; -
Renegociação das dívidas dos assentados e liberação de créditos para as
famílias assentadas -
Construção de Agroindústrias cooperativadas nos assentamentos; -
Incentivo a Produção agroecológica -
Universalizar a Assistência Técnica para todas as famílias assentadas. Principais pontos de pauta em Mato Grosso: -
Assentamento imediato de 2.500 famílias -
Infraestrutura básica para os assentamentos, como estradas, postos de
saúde da família, melhoria as escolas do campo e principalmente água
potável. -
Assistência técnica para todas as famílias assentadas - Cursos
técnicos e superiores para assentados e seus filhos/as -
Reorganização do INCRA com pessoas no comando que tenham mais disposição
de resolver os problemas dos acampamentos e assentamentos, que tenham
mais capacidade técnica e administrativa e vontade política de negociar
com os movimentos sociais, governo do estado e prefeitos. * Direção Estadual do MST MT
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