MANIFESTO CONTRA A VIOLÊNCIA E EM DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS NO ESTADO
DE GOIÁS
Principais alvos são as pessoas que trabalham na Casa da Juventude Pe.
Burnier.
Abs
Inácio Comp@s,
MANIFESTO CONTRA A VIOLÊNCIA E EM DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS NO ESTADO
DE GOIÁS
“É
difícil defender só com palavras a vida.”
João
Cabral de Melo Neto
Os
últimos acontecimentos registrados no estado de Goiás são
estarrecedores. A partir da Operação Sexto Mandamento, liderada pela
Polícia Federal, uma série de crimes praticados por grupos de extermínio
vem sendo desvendados e a sociedade vai descobrindo um fato que já vem
sendo denunciado há muito tempo pela Comissão de Direitos Humanos da
Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, pela Campanha “A Juventude
quer Viver”, pelo Comitê Goiano pelo Fim da Violência Policial e vários
outros grupos de luta pelos direitos humanos: uma parte da polícia do
estado de Goiás tem envolvimento com as dezenas de mortes registradas no
estado!
Este
fato, da investigação da Polícia Federal e da prisão de envolvidos com
os crimes, desencadeou mais uma série de ameaças contra vários
militantes defensores de direitos humanos do estado e em particular
contra a Casa da Juventude Pe. Burnier, instituição filantrópica da
Companhia de Jesus, dedicada à missão de evangelização da juventude no
centro-oeste brasileiro, por meio de projetos de formação, assessoria e
pesquisa desde o ano de 1984.
Essas ameaças representam um esforço de intimidação da sociedade e de
perpetuação da violência contra a juventude, muitas vezes praticada pelo
próprio Estado.
Em
Goiás, uma Comissão Especial em Defesa da Cidadania analisa a situação
de extermínio no estado e investiga o desaparecimento de 35 jovens nos
últimos anos. A ação do Comitê pelo Fim da Violência Policial associada
à luta promovida pelas Pastorais da Juventude, por meio da Campanha
contra Violência e o Extermínio de Jovens, vem ganhando força e
relevância no estado e desencadeando a ira daqueles que por vários anos
agiram livremente atentando contra a vida de jovens pobres, negros em
sua maioria, nas periferias urbanas e no campo do estado de Goiás.
É
fundamental que as várias organizações nacionais comprometidas com a
luta por justiça e cidadania reafirmem, cada vez mais e de forma
efetiva, o compromisso com estas importantes iniciativas de engajamento
na luta pela vida e contra toda forma de violência. A Igreja Católica,
os mandatos populares, as centrais sindicais, as organizações nacionais
de direitos humanos, enfim, todos(as) os que lutam pela vida e assumem a
sua defesa precisam se manifestar sobre os graves fatos aqui
relatados.
Nós,
abaixo assinados, solidarizamo-nos com a luta do povo de Goiás e
manifestamos o nosso compromisso com a luta contra a violência e o
extermínio! Exigimos do Governo do Estado e do Governo Federal
medidas rápidas na perspectiva de proteger os companheiros e
companheiras que estão ameaçados, e, o mais importante, a adoção de
políticas sérias que coíbam a violência e promovam a formação,
fiscalização e a valorização das carreiras da polícia civil e militar,
sabemos que superar a violência é um desafio da democracia brasileira.
Brasil, 12 de abril de 2011.
Assinam:
1.
Felipe da Silva Freitas,
bacharel em direito, conselheiro de juventude do estado da Bahia e
membro da Coordenação nacional da Campanha contra a violência e o
extermínio de jovens (BA)
2.
Solange dos Santos Rodrigues,
socióloga, pesquisadora do Iser Assessoria e colaboradora da
Campanha Nacional contra a violência e o extermínio de jovens (RJ)
3.
Raquel Pulita Andrade Silva,
bacharel em relações públicas, assessora da Pastoral da Juventude (DF)
4.
Luis
Duarte Vieira,
estudante de matemática, assessor do Deputado Estadual Karlos Cabral
(PT) e integrante da Coordenação Nacional da PJ (GO)
5.
Alessandra Miranda de Souza,
educadora social da Casa da Juventude Pe. Burnier e da Assessoria
Nacional da Pastoral da Juventude (GO)
6.
Vanildes Gonçalves dos Santos,
professora da Universidade Católica de Brasília (Coordenadora dos curso
de pós Graduação Virtual em Direitos Humanos), colaboradora da Casa da
Juventude Pe. Burnier e assessora do Centro Ecumênico de Estudos
Bíblicos – CEBI (DF)
7.
Joaquim Alberto Andrade Silva,
bacharel em comunicação, membro da Comissão Nacional de Assessores/as da
Pastoral da Juventude (DF)
8.
Secretaria
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