Pulsões do inconsciente no trânsito

Teobaldo Witter*

Quem brinca com fogo, acaba se queimando, diz a sabedoria popular. O fogo é perigoso, porque seu poder de destruir sempre é eminente. Apesar do uso do fogo ser um risco, todos o usamos, cotidianamente, sem problema. Se for usado com cuidado, atenção, respeito e moderação ele não traz problemas. E os seus benefícios são muitos. Mas, se não cuidarmos, provoca dores e mortes. 

O trânsito automotivo é perigoso. Ele pode ser comparado ao fogo. O DETRAN e diferentes órgãos do Governo do Estado estão atuando na campanha de educação para o trânsito, com o tema: “Eu pratico trânsito consciente”. Joaninha, âncora da referida campanha, disse que o trânsito é sempre um risco. É perigoso. Por isso, devemos cuidar para que o trânsito flua sob controle. Quatro passos são importantes na prática do trânsito consciente: cuidado, concentração, respeito e atenção. Num segundo de desatenção, de falta de respeito, de descuido, acontecem fatos irreversíveis no trânsito. O transito é perigoso, por isso, cuidado. Cuidado com o fogo. Cuidado com o trânsito. 

Não precisa ser um iluminado para saber que o trânsito é perigoso. Como tal, requer comportamento adequado para que a paz possa ser realidade. Devemos ter esta sensibilidade. As crianças pequenas já logo aprendem que não é possível brincar com o fogo, apesar de que a sua comidinha sempre esteja quentinha. Fogo é perigoso, Ele mata em segundos. O trânsito é perigoso. Ele mata em segundos. Por que, então, os adultos não se cuidam no trânsito?

Por que insistir em falar de trânsito consciente se todos nós praticamos trânsito consciente?  Ou dito em linguagem mais clara: Quem admite que seu trânsito não é consciente? E, em admiti-lo, toma de livre e espontânea vontade a atitude de mudar seu comportamento no trânsito?

O DETRAN junto com seus parceiros tem programa de educação para o trânsito. Visa educar para o trânsito consciente.

O que significa isto?  Ensinar que os motoristas e pedestres devem parar quando o sinal se fecha para a sua circulação? Que devemos respeitar as leis, as sinalizações? Que não podemos abusar da velocidade?  Que temos que usar cinto e não podemos falar ao telefone?  Que seremos multados, que podemos causar acidentes, etc,  etc. Isso todos sabem. Por que não cuidamos mais? As estatísticas de acidentes, de feridos e de mortos atestam e provam que temos problemas, muitos problemas. Se somos condutores conscientes, por que, então, não praticamos trânsito consciente?  

O problema que o nosso comportamento é pautado pelas pulsões. Estas, por sua vez, são inconscientes. O consciente tem a função de controlar atos impulsionados pelo inconsciente, que desconhece o real, o perigo. Parece que a consciência e o conhecimento não dão conta de monitorar o inconsciente. As suas pulsões movem nosso comportamento.

As propagandas, por exemplo, mobilizam o inconsciente. E o inconsciente seguidamente trai o consciente. A propaganda não seduz para colocar fogo na própria casa, seria estupidez. Mas, em igual perigo, ela seduz comprar o carrão potente de última geração e a andar em alta velocidade pelas ruas. Em termos de perigo de morte não há diferença, entre o uso do fogo e o do carrão. A diferença está no cuidado.  Por que o consciente tem mais sucesso no cuidado do fogo e menos no do trânsito?

Para ter paz no trânsito, devemos construir outros referenciais de propaganda, de marketing. Devemos nos interessar mais por marketing de compra, vende, consumo mais consciente. Caso contrário, a água da chuva não cai na roça da construção da consciência no trânsito.  Assim, aumentaremos nossa irresponsabilidade com a vida.

 Estamos assumindo a postura de uma geração de condutores conscientes que, juntos, seremos lembrados como uma geração que se matou consciente de seu fim. Por que não tomamos as devidas providências, mudando nosso comportamento no trânsito?

*Teobaldo Witter é pastor, professor universitário e ouvidor do DETRAN MT

 

 





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