Querelas do Brasil

* Por Andrea Portela

Verdade que anda difícil acreditar em discursos por ai, principalmente quando tratam do que Vemos e do que Não-Vemos. Talvez, por conta disso, o grande interesse dos brasileiros pelo vídeo “O Brasil na visão dos americanos” que circula pela internet, uma reportagem americana com depoimentos de Eike Batista, do ex-presidente Lula e do cartunista Eduardo Bueno.

 

Parece que o Brasil também quer se conhecer, mas deixando de lado o SOS ao Brasil como diz o refrão da música de Mauricio Tapajós e Aldir Blanc, de 1978. Quem sabe motivados pelos olhos estrangeiros ligados no “grande irmão dos trópicos”. Inda mais com a visita de Barack Obama, que fez a lição de casa e até arriscou algumas palavras em português (enfim não falamos espanhol e nossa capital não é Buenos Aires!).

 

Dizem que já estamos no futuro - Agora quando?! - pergunta o bom cuiabano. Enquanto nos vangloriamos de sermos uma potência econômica ou uma potência natural, e de quebra, pacificados e divertidos, velhas e novas querelas nos rondam.

 

Até outro dia, pesquisas mostravam a visão negativa de estrangeiros, americanos e europeus, sobre nós. No entanto, nossas cifras interessam aos muitos que estão aportando em nossas empresas. Eles são preparados para as ocupações mais complexas que o mundo exige. Pelo jeito, não empurram números para as universidades, mas estudam. Eis a maior de nossas querelas! Nossa educação parece que não vai interessar frente ao desemprego global: é só importar um estrangeiro que agora quer trabalho, com futebol e samba. Fiquei até curiosa sobre quem emprega o pobre Eike para atualizar o seu futuro. Mas ele mesmo esclarece, “estamos importando americanos!”.

 

Pena é que ainda estamos longe deles, que pagam menos impostos e são mais assistidos em saúde, educação, transporte, segurança... Continuamos deixando nosso dinheiro escorrendo pelo ralo da corrupção, do descaso e nem nos importamos em chegarmos atrasados (até na copa, pois daremos um jeitinho), fatos bem lembrados pela reportagem.

Estive pensando, e se trocarmos o refrão SOS ao Brasil por SOS aos brasileiros? Ou quem sabe pelas palavras finais do poema, Hino Nacional, de Carlos Drummond de Andrade: “Nenhum Brasil existe. E acaso existirão os brasileiros?”

 

* Andrea Portela é educadora, design de moda, figurinista e pesquisadora da cultura das aparências.





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