É chegado o momento de abrir os olhos a fim de salvar o nosso Planeta Fonte: IHU -Unisinos "É preciso que nos libertemos da idéia errada de que a natureza nos esteja destruindo. A realidade é totalmente oposta", afirmam Enrico e Gabriela Turrini, ecologistas italianos. A tradução é de Antônio Cechin. Enrico Turrini, é formado em engenharia eletrônica tendo se especializado em controles automáticos e segurança de reatores nucleares. Foi presidente da Associação Internacional Eurosolar e presidente da Câmara dos recursos de Física II da Grupo Europeu de patentes de Munique. Atualmente colabora com projetos de difusão de energias renováveis na Europa e em Cuba. É militante de movimentos pacifistas, pelo desarmamento e pela solidariedade internacional. Ele é autor do livro O Caminho do Sol, traduzido, no Brasil, pela Editora Vozes. Eis o artigo. O terrivel terremoto que aconteceu no Japão no dia 11 de março passado e o ataque aéreo à Líbia iniciado a 19 de março pelos Estados Unidos, França e Inglaterra provavelmente para terem o controle do petróleo, ataque depois sob o comando da OTAN, devem ajudar a abrir os olhos e a percorrer com autêntica convicção o Caminho do Sol, como único caminho que pode manter a vida em nosso Planeta. Devemos primeiramente libertar-nos da idéia errada de que a natureza nos esteja destruindo. A realidade é totalmente oposta, como o demonstram estudos aprofundados, baseados sobre objetivos e guiados por cientistas altamente especializados e com compreensão profunda do valor da vida. Pensemos que a utilização dos combustíveis fósseis não somente gera o efeito estufa e em conseqüência desequilíbrios atmosféricos como seca, furacões e crescimento do nível dos oceanos, mas também os terremotos, porque a extração de grande quantidade de petróleo e carvão das jazidas subterrâneas provoca movimentos e fraturas da crosta terrestre. No que se refere à energia nuclear, já estão funcionando no mundo 442 reatores em 29 países. O Japão está em terceiro lugar com 54 reatores, depois dos Estados Unidos com 104 e a França com 58. Ultimamente, com a desculpa de reduzir o efeito estufa, estão propondo desenvolver sempre mais a construção de novas centrais nucleares. Os imensos perigos do nuclear, além da conexão civil-militar, são devidos aos possíveis incidentes como o que aconteceu neste ano no Japão, que está contaminando com radioatividade os terrrenos e as águas do mar circundantes, com possibilidade de causar a morte a um grandíssimo número de pessoas. Não se pode além disso esquecer que as escórias de um reator se mantêm radioativas por dezenas de milhares de anos e que um grande número de trabalhadores em minas, que extraem o urânio, morrem de câncer dos pulmões. Resulta sempre mais claro que a escolha das fontes energéticas fósseis e nucleares fortemente concentradas é causada pela doença do poder, porque estas fontes caem com facilidade nas mãos das multinacionais. Diante disso tudo não podemos ficar em silêncio. Com relação ao ataque da Líbia, o presidente da Bolívia Evo Morales sugeriu que deveria ser cassado o prêmio Nobel da Paz ao seu colega estadunidense Barack Obama e que o Conselho de Segurança da ONU é um Conselho de Insegurança para os povos do Mundo, permitindo bombardear a Líbia, inclusive zonas civis, sob o pretexto de salvar vidas.
É naturalmente importante que saibamos colocar em jogo o fato de estarmos dispostos a acolher sinais positivos que nos chegam do Sul do mundo. Por isso desejo exprimir quanto eu e minha esposa Gabriela, a companheira de vida, estamos aprendendo durante as nossas frequentes estadas em Cuba. Pudemos constatar, ano após ano, na população, uma compreensão sempre maior da importância da escolha energética na direção da vida. Vivemos isso em eventos que promovem uma cultura nessa direção, em encontros onde os jovens estudantes são protagonistas e em manifestaçoes populares em que são apresentadas realizações concretas no campo solar, obtidas da parte de pessoas que se empenham e se ajudam gratuitamente. Multiplicando tais sinais de esperança, pouco a pouco o sonho de um mundo novo poderá tornar-se realidade. |