Conjuntura da Semana. A rebelião de Jirau
Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/
A análise da conjuntura da semana é uma (re)leitura das
‘Notícias do Dia’ publicadas, diariamente, no
sítio do IHU. A análise é elaborada, em
fina sintonia com o Instituto Humanitas Unisinos - IHU,
pelos colegas do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores -
CEPAT - com sede em Curitiba, PR, parceiro estratégico do
Instituto Humanitas Unisinos - IHU. Índice: A rebelião de Jirau
Eis a análise. A rebelião de Jirau O maior canteiro de obras do Brasil, localizado no sítio do
Jirau, cidade de Porto Velho em Rondônia,
ardeu em chamas no dia 15 de março e em poucas
horas virou cinzas. Alojamentos e ônibus foram queimados ou destruídos,
além do posto de saúde, de escritórios e do almoxarifado. A destruição
do canteiro de obras foi resultado de um levante operário. 22 mil
trabalhadores estavam envolvidos na construção da usina que forma o
complexo hidrelétrico do Madeira junto com a
usina de Santo Antônio. Os acontecimentos em Jirau são significativos porque é a maior
obra em andamento do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC
e síntese do
modelo desenvolvimentista que reedita o projeto
de um Brasil grandioso como à epoca de Vargas,
JK e o período militar. Um modelo baseado em grandes obras,
sobretudo de exploração energética com vistas a suprir o gigantismo
consumista de energia de uma nação emergente exportadora de
commodities.
Jirau é significativo por outro aspecto, situa-se na Amazônia
legal, região em que se desbrava a
última fronteira do capitalismo brasileiro. É na
Amazônia legal que se trava a luta para amansar os grandes rios –
Madeira,
Xingu,
Tapajós,
Teles Pires – e sujeitá-los ao projeto
desenvolvimentista. Jirau, nessa perspectiva, também é importante porque
é revelador de uma concepção de desenvolvimento que dá as costas para a
questão ambiental. Jirau é um filme já visto -
Itaipu,
Balbina,
Tucuruí – e antecipa
Belo Monte. A questão, porém, mais impressionante de Jirau é a questão
social. A explosão da revolta operária contesta o modelo do Brasil
moderno. Direitos desrespeitados, truculência e autoritarismo das
empreiteiras, sofrimento imposto aos trabalhadores é o outro lado da
história que ninguém viu e percebeu. Empreiteiras, sindicatos e governo
ficaram surpresos com a revolta que truncou o acelerado andamento do
projeto. Jirau se insere na lógica da modernização conservadora e
manifesta todas as contradições do país, ou seja, por um lado revela a
pujança e o vigor do crescimento econômico, por outro, produz no seu
entorno exploração e miséria. Jirau diz respeito ao Brasil potência – 8º
PIB da economia mundial e o 73º IDH -
incapaz de mitigar os efeitos do seu gigantismo. Em Jirau a questão social e a questão ambiental estão relegadas
em segundo plano. Jirau coloca em xeque o
modelo desenvolvimentista e também o governo de
esquerda de Dilma. Jirau reproduz os mesmos erros dos militares onde o
social não entra e menos ainda o ambiental. A diferença agora é que no
lugar das tropas militares, ocupam o canteiro de obras a Força
Nacional – agrupamento policial especializado em combater
motins. Jirau interpela também o movimento social, a esquerda
militante, as pastorais, os sindicatos, os ambientalistas. A repercussão
dos acontecimentos de Jirau foram poucas e esparsas. Os sites de
organizações sociais, dos movimentos, das ongs pouco falaram de Jirau.
Encontra-se mais e farto material dos acontecimentos do Japão e da Líbia
do que aconteceu no norte do Brasil. Como destacou o jornalista
Jânio de Freitas, “a violência
assumida pela revolta em Jirau (RO) e pela dos árabes tem semelhança,
mas as recepções aqui, aos dois casos, foram opostas”. A revolta operária em Jirau também pouco sensibilizou os
ambientalistas e suas organizações. Céleres em denunciar, organizar
manifestos e repercutir agressões ao meio ambiente, as organizações
ambientalistas pouco falaram da questão social de Jirau. Percebe-se uma
grande dificuldade do movimento ambientalista em conectar os temas
sociais aos ambientais. A abordagem faz-se geralmente de forma isolada. Compreender, portanto, o que acontece em Jirau auxilia na
compreensão do que vem se transformando o Brasil e contribui para uma
análise autocrítica da esquerda. A questão social. Jirau vivia sob tensão reprimida A revolta dos milhares de operários no canteiro de obra em
Jirau transformando tudo em
terra arrasada pegou todos de surpresa,
empreiteiras, sindicatos e governo. O consórcio Energia Sustentável do
Brasil – ESBR formado pelas empresas Suez
Energy, Eletrosul, Chesf e Camargo Corrêa –
responsável pela obra se disse supresa com a insurreição que
qualificou como ação de vândalos. Segundo o
consórcio "tudo estava tranquilo". “Não havia descontentamento”, disse
Victor Paranhos, presidente do
Energia Sustentável do Brasil. "É preocupante porque não sabemos qual é
a motivação. Não há sequer uma liderança", afirmou perplexo. Na realidade não “estava tudo tranquilo” como diz o Consórcio.
“Jirau vivia sob tensão reprimida'',
afirmou o Ministério Público do Trabalho de
Rondônia após os acontecimentos. Segundo o Ministério, a quebradeira nos
canteiros de obras foi resultado de uma "tensão longa e reprimida" nos
alojamentos isolados na floresta amazônica. É importante destacar que conflitos anteriores já tinham
acontecido. Em julho de 2010, o canteiro de obras da usina de Santo
Antônio virou um
campo de batalha. As péssimas condições de trabalho e a
super-exploração da mão-de-obra levaram a
ações similares as que aconteceram nos últimos
dias em Jirau com ônibus apedrejados e queimados e parte do alojamento
depredado. A tragédia em Jirau foi anunciada. Dias antes de eclodir o
conflito,
Maria Ozânia da Silva da
Pastoral do Migrante de Rondônia concedeu entrevista à
IHU On-Line onde relatava desrespeito aos direitos dos
trabalhadores. A entrevista foi publicada um dia antes dos
acontecimentos como que prenunciando os fatos. O relato de Maria
Ozânia é importante porque revela que muitos trabalhadores já
haviam sido enganados por “gatos” antes de chegar ao canteiro de obras. Milhares de vagas do canteiro de obra da usina hidrelétrica de
Jirau foram preenchidas por migrantes que receberam promessas de "gatos"
- agentes que intermediam mão-de-obra. As construtoras recorrem às
mesmas práticas de recrutamento de trabalhadores dos tempos do "Brasil
Grande", nos anos 70, quando o País viveu um surto de desenvolvimento
econômico no período do regime militar. Porém, os “gatos” dos anos 2000 sofisticaram os mecanismos de
exploração envolvendo o Sistema Nacional de Emprego – Sine,
cobrando taxa para garantir o emprego – utilizando-se de boleto bancário
– e responsabilizando os próprios tralhadores pelo pagamento do seu
deslocamento e alojamento até a contratação definitiva. Milhares
começaram trabalhando sentindo-se enganados. O ganho médio de um
trabalhador de Jirau gira em torno de R$ 1.000,00. No canteiro de obra surgiram
outros problemas: não pagamento de horas extras;
falta de pagamento de benefícios e participação dos lucros;
diferenciação de salários entre as empreiteiras;
truculência dos seguranças; falta de pagamento da "hora itínere" – tempo
gasto pelo trabalhador sem alojamento para chegar a um local de trabalho
distante; custos alto de medicamentos; desrepeito ao cumprimento da
"embaixada" – período em que o trabalhador visita a família, entre
outros. "Fui descobrir aqui que a Camargo Corrêa não paga hora extra.
Você acha que eu iria vir para trabalhar só oito horas? Ficar fazendo
nada o resto do dia?", questionou
José Benedito Cotrin, de
Abaetetuba (PA). Outro trabalhador, disse que a empresa se recusava a
pagar a viagem de volta dos que pediam demissão e que o local é um
"presídio em que o trabalhador controla o horário do banho de sol". A queixa, aliás, da truculência dos seguranças do canteiro é
uma das que mais ficou latente: "Os seguranças não sabiam conversar. Nos
finais de semana, quando o pessoal passava um pouquinho da conta na
bebida, eles tratavam os bêbados na pancada, como vagabundos", relata
Antônio César Souza da Silva de
Belém (PA). Muitos trabalhadores de Jirau dizem ter sofrido
''violência física'' por parte de funcionários da
Camargo Corrêa e que eram obrigados a comprar produtos
a preços exorbitantes no canteiro da obra. Uma
disputa entre sindicatos ligados à CUT
e à Força Sindical também teria contribuido na
deflagração dos conflitos. O Sticcero (Sindicato dos
Trabalhadores na Indústria da Construção Civil de Rondônia) criado em
1986 é filiado à Central Única dos Trabalhadores – CUT
e o Sintrapav-RO (Sindicato dos Trabalhadores nas
Indústrias da Construção Pesada de Porto Velho) criando em 2008 é ligado
à Força Sindical. Ambos disputam a representatividade
da categoria. O Sticcero acusa o sindicato adversário
de incentivar o quebra-quebra. "O clima entre os sindicatos não está
bom. Eles estão brigando na Justiça para saber quem tem
representatividade", afirmou o procurador regional do Trabalho de
Rondônia
Francisco Cruz. Reduzir,
entretanto, como setores da imprensa propagam os conflitos em Jirau à
briga de sindicatos é simplificar o problema que como se viu tem razões
sociais. Sobre as condições de
alojamento há controvérsias. Não chegou a ser
apontado como um dos principais problemas. Muitos deles eram
climatizados, algo anunciado por Lula num discurso para
os operários de Jirau, em agosto do ano passado: "Isso [ar condicionado
nos alojamentos] demonstra que os trabalhadores vão aprendendo a
conquistar seus direitos, os empresários vão aprendendo que é importante
que, quanto mais conforto, mais os trabalhadores produzem e assim a
gente vai mudando a cara do nosso País", afirmou Lula
na época. Destaque-se, porém, que o tratamento não era o mesmo
dispensado a todos os trabalhadores. Assim como havia diferenciações
salariais dentro do mesmo canteiro em função de várias empresas
terceirizadas, as condições de alojamento não eram necessariamente a
mesma para todas. A tentativa de desqualificação – “coisa de vândalos” – do
levante operário por parte das empreiteiras e o discurso similar do
governo não se sustentam. A revolta operária em Jirau é uma questão
social. “Uma coisa dessa magnitude não acontece sem um motivo forte.
Ninguém se mobiliza dessa forma apenas em função de uma briga entre dois
funcionários”, diz
Elias Dobrovolski do Movimento
dos Atingidos por Barragens - MAB, em Rondônia. O jornalista
Leonardo Sakamoto, lembra que
uma fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego, no ano passado,
produziu 330 autos de infração e a interditou equipamentos que estavam
colocando em risco os trabalhadores da obra. Destaca ainda que um grupo
de 38 pessoas foi libertado de trabalho análogo à escravidão pela
Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Rondônia. As vítimas
estavam trabalhando para a Construtora BS, que prestava serviço ao
consórcio responsável pela construção de Jirau. A luta por respeito e dignidade A revolta de Jirau, entretanto, não se deu apenas por melhores
condições de trabalho e salários.
Relatos colhidos pelo Ministério Público do
Trabalho de Rondônia dão conta de que parte importante das
reivindicações dos trabalhadores é por respeito e dignidade. Entre as
reclamações ouvidas pelo Ministério do Trabalho encontram-se: 1 - Fim da truculência de
seguranças e encarregados - xingamentos, empurrões, cárcere privado
temporário e piadas; Muitas das reclamações relacionam-se às exigências por
respeito. As novas gerações de trabalhadores vêm de cidades sem escolas
de qualidade e cursos de profissionalização, porém, são do tempo da
universalização do ensino e das febres das lan houses e do celular
pré-pago. Ligados de alguma forma ao "mundo" de jovens de outras classes
sociais e lugares por meio da web e do telefone, esbanjam demonstrações
de personalidade e consciência de seus direitos, destaca reportagem do
jornalista
Leonencio Nossa. A diferença dos "peões" dos anos 90 em relação aos demais é
nítida na postura firme e no orgulho de se vestir bem, diz o jornalista
em sua reportagem. "Não gosto de desvalorizar ninguém, mas é bom demais
andar assim", diz Dabson Bernardes Ferreira, 20 anos,
de Breu Branco, no Pará, vestido com camiseta vermelha com estrelas,
calça jeans justa, tênis, colar de metal com a letra "D", brinco,
pulseira e cabelos bem cortados. "Se eu pudesse, não botava macacão.
Iria desse jeito para a obra”. Outro caso apresentado pelo jornalista é o de Antônio
Carlos Pereira, 19 anos, paraense "legítimo", como se
apresenta. Antônio assume a vaidade. "Nunca disse que sou mais do que
alguém. Meus colegas me conhecem. Mas nessa parte de roupa, ah, velho,
eu não minto. Só saio legal", diz. Ele lamenta ter perdido mochila com
roupas coloridas e o tênis que usava nos finais de semana na Dimpo,
boate de música eletrônica - e que consumiam boa parte do salário de R$
1.100. "Estava de uniforme no dia do incêndio. Estou vestindo agora
roupa de um colega", diz. Conseguiu salvar anéis, pulseira, colar e
brinco. "Passei a usar brinco aqui. Se usasse no Pará, o velho cortava a
minha orelha." O caos social no entorno de Jirau A questão social de Jirau não se resume aos problemas
vivenciados no canteiro de obras, extrapola para os seus
arredores. “Pelo amor a Deus, usem seu poder e
sua influência para fazer o que for possível para diminuir os efeitos
sociais negativos desse empreendimento, pois amanhã, os que lucram hoje
sofrerão na pele suas conseqüências", apela o
Pastor Aluizio Vidal, presidente
Regional do PSOL – RO, sobre o caos que vive
Jaci-Paraná, cidade vizinha à obra. O pastor e político dá o seu
testemunho: “Vi naqueles bares à beira do asfalto, entre uma quantidade
inumerável de homens, mulheres jovens se oferecendo à prostituição,
muita bebida, muita música e imaginei a quantidade de coisas indizíveis
que acontecem ali e reconheço que também são parte do que está sendo
produzido pelas usinas”. A região das obras das hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio,
em Rondônia, registra uma
explosão de criminalidade e de casos de
exploração sexual de crianças e adolescentes. O aumento dos problemas
supera o ritmo do crescimento populacional. As usinas começaram a ser
construídas no segundo semestre de 2008. A população de Porto Velho,
onde estão as duas obras, cresceu 12,5% entre aquele ano e 2010. o
número de homicídios dolosos na capital aumentou 44% no mesmo período.
Para o promotor Aluildo de Oliveira Leite, que
acompanha o impacto das obras, o efeito social das obras foi
"subdimensionado". A ampliação do hospital de base da cidade, que era
prevista, não foi concluída. Segundo
Raiclin Silva, do Juizado da
Infância, as áreas próximas aos canteiros tinham participação mínima nos
resgates de menores e agora são metade do total. O número de estupros em
Rondônia cresceu 76,5% de 2008 a 2010. A quantidade de crianças e
adolescentes vítimas de abuso ou exploração sexual subiu 18% no período.
Mais de 37 mil funcionários, na maioria homens vindos de outros Estados,
trabalham nas duas obras. "É como se houvesse um garimpo", diz Silva. “Jirau é um sinal de alerta ao governo e seus empresários”, diz
nota da Aliança dos Rios da Amazônia,
composta pelos Movimento Xingu Vivo para Sempre, Aliança Tapajós
Vivo, Movimento Rio Madeira Vivo e Movimento Teles
Pires Vivo. Segundo os movimentos, “Jirau concentra todos os
problemas possíveis: em ritmo descontrolado, trouxe à região o
‘desenvolvimento’ da prostituição, do uso de drogas entre jovens
pescadores e ribeirinhos, da especulação imobiliária, da elevação dos
preços dos alimentos, das doenças sem atendimento, e de violências de
todos os tipos”. Empreiteiras, governo e sindicatos. Reação tardia As empreiteiras, o governo e os sindicatos supreenderam-se com
a revolta em Jirau. Não esperavam os acontecimentos e depois de uma
tentativa de desqualificar o caráter da rebelião de lutas por direitos,
correm agora atrás do prejuízo. A procura por soluções rápidas não é
apenas por sensibilidade para com a questão social. O governo teme
sobretudo que Jirau repita-se em outros canteiros de obras do
PAC.
Destaque-se que 80 mil operários da construção civil
estavam parados, nos últimos dias somados os
profissionais que atuam nas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, em
Porto Velho (RO), além dos complexos portuários de
Suape (PE) e Pecém (CE). A primeira
reação do governo aos conflitos de Jirau foram
reativas. Depois de ouvir a Camargo Corrêa e avaliar as
informações do Ministério das Minas e Energia e dos relatórios da
Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o Planalto
decidiu mobilizar um contingente da Força Nacional e da
Policia Federal para assumir o controle dos canteiros
da construtora na usina hidrelétrica de Jirau, em Rondônia. Cerca de 600
homens da Força Nacional de Segurança
foram enviados para Rondônia e serão mantidos na
região por tempo indeterminado.
A Camargo Correa responsável pela obra e
assustada com a rebelião, assinou um Termo de Ajuste de Conduta (TAC)
com o Ministério Público do Trabalho para garantir salário, alimentação
e hospedagem para os trabalhadores que quisessem
permanecer em Rondônia. Ao mesmo tempo passou a
organizar a
retirada dos trabalhadores. Dois aviões e 200
ônibus foram fretados para encaminhar mais de 7.000 trabalhadores das
obras de Jirau a seus Estados de origem. Apesar do acordo, os
trabalhadores que permanecem encontram-se em
condições precárias. Passado as primeiras horas e o susto, as empresas assumiram um
novo discurso: querem a parceria do Estado na segurança. O presidente do
consórcio responsável por Jirau, o Energia Sustentável,
Vitor Paranhos, defendeu que
obras privadas de grande porte, como a usina, tenham a segurança dos
canteiros garantida por forças públicas. "Jirau tem 20 mil pessoas. Isso
é uma população maior que a de muitas cidades. E o que será feito quando
formos fazer Belo Monte [PA] e for preciso cuidar de 30 mil peões no
meio do nada? Não basta chegar para o investidor e dizer: "Problema
seu"." O Presidente da Construtora Camargo Corrêa,
Antonio Miguel Marques foi ainda
mais explícito: “A Camargo Correa só vai retomar as obras se julgar que
existem plenas condições de segurança para todos os seus empregados.
Neste momento a Força Nacional se faz presente no acampamento, o que dá
uma certa tranquilidade para a retomada”. Além do dinheiro público para a construção, as empreiteiras
querem agora segurança pública permanente para prosseguir as obras. Pacto pelo PAC O governo do seu lado passou a articular uma
agenda preventiva. Articulou uma reunião com as
centrais sindicais, empresas concessionárias e Ministério Público do
Trabalho para tentar
chegar a um pacto e impedir um colapso no
principal programa de investimentos do governo. As centrais passaram a assumir uma postura reivindicativa:
“Estamos cobrando medidas de garantia do trabalho decente, as
contrapartidas sociais, em todas as obras e projetos financiados por
dinheiro público, há vários anos. Nós precisamos estabelecer mecanismos
eficazes, como fiscalização permanente e punição severa para as empresas
que tomam dinheiro público emprestado mas que não respeitam os direitos
dos trabalhadores, não respeitam a representação sindical”, disse o
presidente da CUT, Artur Henrique, ao cobrar
providências do governo federal, durante audiência. O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência,
Gilberto Carvalho, destacado para a tarefa de costurar um amplo
acordo reconhece o problema. “Em obras como Jirau e outras, em que
trabalhadores ficam confinados nas matas, se não houver respeito ao
pagamento de horas extras, se houver truculência das chefias e dos
seguranças, se não houver condições de higiene e alimentação dignas, a
eclosão da violência é algo inevitável”. A grande
preocupação do governo é com a proximidade da
Copa do Mundo e das Olimpíadas, daí a necessidade de estabelecer regras
mínimas para as grandes obras a serem cumpridas pelas empreiteiras. O presidente da Força Sindical Paulo Pereira da Silva
avalia que o problema não é tão simples. Segundo ele, tanto a
Força como a CUT não têm experiência para
lidar com multidões. "Naquela região de Jirau, construímos no máximo uma
ponte ou um prédio, empregando no máximo mil pessoas. Estamos lidando
com 20 mil", comentou. Para o pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
(Ipea),
Divonzir Gusso, o país começou a
pagar a conta pela enxurrada de obras que passou a realizar sem ter se
preparado para isso. "Nem governo nem empresas estavam preparados e
agora terão de trocar os pneus com o carro em alta velocidade", diz. Jirau explica o modelo A expansão do capitalismo brasileiro avança fortemente para o
Norte do país – é na região que se desenvolvem grandes projetos –
construção de mega-hidrelétricas,
abertura de rodovias, ampliação da exploração de
minérios e expansão da pecuária. A construção das hidrelétricas no Xingu, Madeira e Tapajós vem
sendo apresentadas como imprescindíveis. O governo afirma que se trata
de obras absolutamente necessárias e indispensáveis para suprir a
crescente demanda de energia no país. “Sem as hidrelétricas o Brasil
pára”, tem sido o discurso do Estado. O governo brasileiro está absolutamente convencido de que o seu
papel é induzir o crescimento da economia, função que exerce através do
binômio “Estado
financiador” e o “Estado
investidor”. O “Estado financiador”, utilizando o
BNDES e os fundos de pensão,
exerce o papel de indutor do crescimento econômico fortalecendo grupos
privados em setores estratégicos. Por outro, o “Estado investidor”
financia mega-obras de infra-estrutura. No caso das usinas hidrelétricas
vemos em ação o “Estado investidor” emprestando sua musculatura
financeira para viabilizar as obras. No complexo Madeira, as obras
contam com um financiamento do BNDES DE R$ 7,2 bilhões
para Jirau e de $ 6,1 bilhões para Santo Antônio. As grandes usinas são, portanto, compreensíveis a partir da
concepção neo-desenvolvimentista que se aplica no país. O governo está
absolutamente convencido de que esse é o melhor caminho para o país.
Aliás, está convencido de que não há outro caminho. Jirau, nesse sentido
explica o modelo em curso no país. Ainda mais, no caso específico da
Amazônia o país reedita o caminho trilhado pelos militares. O jornalista
Glenn Switkes, coordenador da
ONG International Rivers, em entrevista ao IHU em 2009
afirmava: “A visão de conquistar os rios da Amazônia com construção de
grandes barragens é antiquada, obsoleta, que vem dos anos 1980, ou seja,
é uma visão militar de ocupar a Amazônia e transformá-la numa estratégia
econômica e política”. Belo Monte vai na mesma perspectiva: “O que está em discussão
não é só a usina de Belo Monte, mas o modelo de desenvolvimento que está
por trás do projeto. O impressionante é que de alguma maneira o plano
repete o modelo de ocupação visto no período militar”, afirma
Rodrigo Timóteo da Costa e Silva,
procurador do Ministério Público Federal em Altamira (PA). As obras do Complexo Madeira desde o seu início foram
polêmicas. Anunciada no governo Lula enfrentaram
resistência. Contra ela se colocaram povos indígenas, ribeirinhos,
ambientalistas e alguns movimentos sociais.
Gilberto Cervisnki
do Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB
destacava em 2007 que “construir as usinas no Madeira representa a
abertura para construção de dezenas de outras hidrelétricas dentro da
Amazônia, sem sequer discutir uma questão que entendemos ser
fundamental: energia para quê? E para quem?". Na opinião de
Marco Antonio Trierveile, em
entrevista ao IHU também em 2007, e também do
MAB, o projeto do complexo Madeira atende a interesse “de
grandes grupos econômicos interessados em aumentar sua exploração na
Amazônia e em toda América Latina (recursos naturais, energia, minérios,
madeira, terra, biodiversidade - principalmente para indústria
financeira). Para que essas indústrias possam se instalar no País, elas
precisam criar uma rede de infra-estrutura básica (energia, portos,
hidrovias, redes de transmissão de energia, estradas, ferrovias), o que
possibilitará a elas transportar mercadorias para fora do país”. Para se opor à obra foi criado o movimento Rio Madeira
Vivo que em seu manifesto de fundação alertava: “O rio Madeira
e suas margens deixarão de atender ribeirinhos, indígenas e a população
de Porto Velho com água, peixes, sedimentos e vida para se tornar um
rio-mercadoria. Um rio morto, estéril, com águas podres, contaminado por
mercúrio, multiplicador da malária. Um rio a serviço das indústrias
eletrointensivas e do agronegócio, imprestável para o povo, para a pesca
artesanal, para o lazer e para as culturas de várzea”. A obra recebeu reiteradas objeções do Ibama que resistia em
conceder a
licença ambiental. Lula
reclamou publicamente: "Tem que ter uma solução",
disse ele à época. A irritação do presidente Lula com o
que considerava entraves ambientais forçou mudanças no Ministério do
Meio Ambiente e tempos depois resultaria no afastamento da ministra
Marina Silva. “Desrespeito, ilegalidade, destruição, desmatamento, essas são
as marcas do compromisso do PAC com a Amazônia”. A
afirmação da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia
Brasileira – COIAB em
nota recente sobre os conflitos em Jirau revelam
que a temática ambiental nunca encontrou eco no governo. A questão ambiental As hidrelétricas do Rio Madeira não são apenas um desastre
social. Anunciam também um desastre ambiental. Essas grandes obras
implicam em grandes inundações de terras, em significativos
deslocamentos de pessoas e em devastação ambiental gigantesca. Assim como o país tolerou em décadas passadas agressões ao meio
ambiente – Itaipu, Balbina, Tucuruí, Transamazônica –,
tudo leva a crer que caminhamos para outros erros. Assim como a nossa
geração lamenta os erros cometidos pelas gerações anteriores, tudo
indica que as gerações futuras lamentarão a decisão da construção de
Jirau, Santo Antônio, Belo Monte... Nesta perspectiva é que se pode afirmar que a questão ambiental
não é estratégica no governo Dilma, como não foi no
governo Lula. Apesar da intensa retórica, a temática
ambiental ficou subordinada a agenda econômica. Pior ainda, a uma agenda
econômica dependente de um padrão de desenvolvimento fordista. O Brasil
permanece preso ao século XX, a uma concepção de industrialização tardia
e tributária da Revolução Industrial. O Brasil não apenas está preso ao mantra do crescimento
econômico, como vem optando por um crescimento predatório. A cobiça e a
avidez dos interesses econômicos estão comprometendo aquilo que é o
diferencial para a qualidade da bios planetária: a biodiversidade. O
país está perdendo o bonde da história e não percebe, ou não quer
perceber, que é um dos poucos países que poderia oferecer uma
alternativa à crise civilizacional, ancorada, sobretudo na crise
climática. Nesta perspectiva, subordinar a biodiversidade da região
amazônica ao produtivismo do sudeste e as plataformas de exportação de
commodities é no mínimo uma opção questionável. Revolta de Jirau não sensibiliza esquerda e
ambientalistas O pouco interesse que a revolta de Jirau provocou no debate da
esquerda brasileira também é reveladora que parte dessa esquerda pensa
da mesma forma que o governo. Setores majoritários da esquerda acreditam
que o crescimento econômico é a varinha de condão para a resolução de
todos os problemas. Particularmente da pobreza. A equação é conhecida. O
crescimento econômico produziria um círculo virtuoso:
produção-emprego-consumo. Essa esquerda é tributária de uma intepretação marxista que se
aproxima do liberalismo. Ambos – marxismo e liberalismo – bebem na fonte
da racionalidade produtivista que vêem a natureza como fonte inesgotável
de crescimento econômico. Essa concepção não se coaduna mais com a
emergência da crise climática. “Não dá mais para fazer essa separação
[da economia com o meio ambiente], alerta
José Eli da Veiga. “As pessoas
que continuam a separar economia e meio ambiente não entenderam nada”,
diz ele. Parte da esquerda não se dá conta de que embora a sociedade
industrial ainda seja preponderante, a essência da forma de organizar a
sua produção é empurrada cada vez mais para a periferia do núcleo
propulsor do novo capitalismo – a economia do imaterial, a new
economy, onde a biodiversidade assume uma nova dimensão. Os ambientalistas, por outro lado, também deram pouca atenção
para os acontecimentos de Jirau. Diferentemente de determinada esquerda
que olha prioritariamente a questão social, muitos ambientalistas têm
olhos apenas para a questão ambiental. Como a revolta de Jirau foi
sobretudo uma questão social, não se viu as organizações ambientalistas
repercutirem e se posicionarem sobre os fatos. Fosse um desastre
ambiental que tivésse ocorrido em Jirau, qual teria sido a postura dos
ambientalistas? Se é um fato que a esquerda tradicional não conecta o social
com o ambiental, também é um fato que parcela significativa do movimento
ambientalista não articula o ambiental com o social. Conjuntura da Semana em frases Desconstrução geral "A presidente reafirmou, pois, nova mudança no padrão de
política econômica do petismo, que foi da "ortodoxia" marota (até 2006),
passou ao desenvolvimentismo acidental (2007 a 2010) e agora abraça a
desconstrução geral do consenso econômico conservador que durou dos anos
1980 até 2008" -
Vinícius Torres Freire, jornalista –
Folha de S. Paulo, 18-03-2011. Doutores "O governo tem que falar para todos. Somos doutores em agir e
falar para os pobres. Tivemos muito sucesso, no governo Lula, com as
políticas voltadas para os excluídos. Mas nós fizemos surgir a nova
classe média. Temos, também, a classe média tradicional. Precisamos
falar para todos, para toda a sociedade" - presidenta
Dilma Rousseff - Valor,
16-03-2011. Brilhante "Ela (Dilma) está indo muito bem. É uma mulher brilhante" -
Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da
República - PSDB - Zero Hora, 21-03-2011. Veneração "Eles (Dilma e Lula) têm uma simbiose, uma relação muito
interessante. Ela tem uma veneração pelo presidente Lula muito grande.
Continua chamando ele de "senhor". É o carinho" -
Gilberto Carvalho, ministro da Secretaria Geral
da Presidência – Folha de S. Paulo, 21-03-2011. Só dá ela! "O governo Dilma conseguiu outro feito importante esta semana:
a presidente encontrou Fafá de Belém e Daniela Mercury num evento em
Manaus, e nenhuma das duas cantou o Hino Nacional" –
Tutty Vasques, humorista – O Estado de
S.Paulo, 24-03-2011. Social "Dilma prometeu um governo pelo social. O social ela tá
cumprindo: fez omelete na Ana Maria Braga, entrevista pra Hebe e recebeu
Shakira e Obama. Agenda lotada!" -
José Simão, humorista – Folha de S. Paulo,
17-03-2011. Bem-sucedido "Hoje, há um só governante no mundo que pode reivindicar a
realização, o ex-operário que em janeiro deixou de ser presidente do
Brasil, com popularidade de 80%. Por qualquer critério, Luiz Inácio da
Silva é o político mais bem-sucedido de seu tempo” -
Perry Anderson, historiador – Folha de S.
Paulo, 25-03-2011. Hilário "É no mínimo hilariante. Durante oito anos alguns adversários
tentaram vender que éramos a continuidade do governo anterior. Agora que
elegemos uma pessoa para dar continuidade, eles estão dizendo que está
diferente" -
Lula, ex-presidente da República - Folha
de S. Paulo, 22-03-2011. Pessoa especial “Lula é uma pessoa especial, é carismático. Não é um grande
administrador, mas entendeu esse momento e o usou a favor do Brasil. Mas
foi um momento, e passou. Não vai deixar recall” -
Riordan Roett, professor da Universidade Johns
Hopkins, de Washington – O Estado de S. Paulo,
20-03-2011. "Nada seguro "Não tem nada seguro. Não é certo que a lei valerá para 2012" -
Ricardo Lewandowski, presidente do Tribunal
Superior Eleitoral - TSE - O Estado de S. Paulo,
25-03-2011. ‘Fichas sujas’ comemoram “Comemorem "fichas-sujas" do PT, do PSDB, do PP, do PSB. Sem
esquecer de que o Brasil avança e que quem ri por último ri melhor” –
Eliane Cantanhêde, jornalista – Folha de
S. Paulo, 24-03-2011. De costas "O Supremo não pode virar as costas para o povo. Eu lamento a
postura do ministro Fux. Não é possível que o STF condene o povo do Pará
a uma representação da "qualidade" [de Barbalho]" -
Marinor Brito, senadora – PSOL-PA - que deve
perder a vaga – Folha de S. Paulo, 24-03-2011. "Moreno escuro” "Essa história de foro privilegiado não dá em nada. O nosso
Ronaldo Cunha Lima [ex-deputado e ex-governador da Paraíba] precisou ter
a coragem de renunciar ao cargo para não sair daqui algemado, e, depois,
você cai nas mãos daquele moreno escuro lá no Supremo, Aí, já viu" –
Júlio Campos, deputado federal – DEM-MT –
Valor, 23-03-2011. Homofobia "Desde que comecei o trabalho de reestruturar a frente
parlamentar pela cidadania LGBT e dizer que proporia a extensão do
direito do casamento civil aos homossexuais, venho recebendo ameaças de
morte pela internet" -
Jean Wyllys, deputado federal - PSOL-RJ –
Folha de S. Paulo, 24-03-2011. Muito a mudar “A foto de "O Globo", de um PM parrudo jogando spray de pimenta
numa menininha negra e desabrigada, comprova: o país Brasil ainda tem
muito a mudar” –
Eliane Cantanhêde, jornalista – Folha de
S. Paulo, 25-03-2011. Doril “Marina tomou Doril depois da eleição. Ela e seu grupo agora
buscam respaldo na mídia e na opinião pública, que lhes são simpáticas,
porque no front interno levaram uma rasteira. Quem manda no cartório
verde é Penna e sua turma” –
Fernando de Barros e Silva, jornalista –
Folha de S. Paulo, 25-03-2011. PV da Marina? “Como é que uma candidatura que não tinha aliança, não tinha
tempo na TV, não tinha estrutura, não tinha o discurso do poder pelo
poder consegue quase 20 milhões de votos? Todo mundo está avaliando
isso. Espero que o PV também o faça” –
Marina Silva, ex-senadora – PV-AC – O
Estado de S. Paulo, 26-03-2011. Desafinação "Revistar crianças de quatro anos, retirar moradores das casas,
não marcar encontro com movimento social são coisas que estão
desafinadas com o desejo da população de ver Obama" -
MV Bill, rapper e líder comunitário da Cidade de
Deus ao deixar a organização da visita de Obama à favela pelo que
considerou medidas de segurança abusivas - Folha de S. Paulo,
19-03-2011. Estigma "Celso Athayde, da Central Única das Favelas, a Cufa,
manifestou sua opinião sobre a visita de Obama à Cidade de Deus. Ele
simplesmente diz que não quer saber do presidente na associação e, sim,
pelas ruas da favela. "Se não for isso, só vai reforçar o estigma. Aí eu
to fora", revelou em seu Twitter" -
Sônia Racy, jornalista - O Estado de S.
Paulo, 18-03-2011. Favela tour “Obama fez "favela tour". Sua família foi assistir a macumba
para turistas e bater uma bolinha com o povo, de resto com cara evidente
de tédio, o que, aliás, é perfeitamente compreensível” -
Jânio de Freitas, jornalista – Folha de
S. Paulo, 24-03-2011. Pré-sal. A palavra-chave "Pré-sal. É esta a palavra-chave para decifrar a viagem de
Barak Obama ao Brasil" -
Federico Rampini, jornalista italiano,
correspondente do jornal italiano em Washington - La Repubblica,
21-03-2011. Porrete “Barack Obama fala suavemente, como se viu na sua visita
recente ao Brasil, mas não descartou o porrete como arma política que
herdou dos seus antecessores, apesar de tê-lo criticado para se eleger”
–
Luís Fernando Verissimo, escritor – O
Estado de S. Paulo, 24-03-2011. Contribuição moderna “Teremos mais um exemplo dessa contribuição moderna às táticas
de guerra, a estranha doutrina do bombardeio humanitário” –
Luís Fernando Verissimo, escritor – O
Estado de S. Paulo, 24-03-2011. Tira-teima "Evo Morales quer ser o próximo chefe de Estado a visitar o
Brasil. Só pra ver se, como disse Chico Buarque, o País trata do mesmo
jeito os EUA e a Bolívia" -
Tutty Vasques, humorista - O Estado de S.
Paulo, 22-03-2011. Punição eterna "Você não pode fazer uma punição eterna para ninguém. O Delúbio
purgou, pagou um preço altíssimo, foi expulso do partido. Tem o direito
de requerer sua volta e, havendo da parte dele o compromisso de um
comportamento adequado, de se refiliar. Eu apoiaria a volta dele” –
Gilberto Carvalho, ministro da Secretaria Geral
da Presidência – Folha de S. Paulo, 21-03-2011. Perdão "Não é a capacidade petista de perdoar, e sim a de Delúbio para
arrecadar, que explica a gratidão do partido para com o tesoureiro" -
Chico Alencar,
deputado federal - PSOL-RJ, sobre comentário do colega Jilmar Tatto,
segundo quem "o PT tem esse lado cristão forte de saber perdoar" e por
isso reintegrará o tesoureiro do mensalão a seus quadros - Folha
de S. Paulo, 19-03-2011. Obs! “Gritavam que eram trabalhadores, mas trabalhadores somos nós,
eles são marginais” -
Viviane Corte Espíndola, mulher do caseiro da
fazenda, em São Borja, RS, ocupada, ontem, pelo MST – Zero Hora,
22-03-2011. Imprevisível "Estou profundamente preocupado com a situação nuclear, porque
é imprevisível" –
Imperador Akihito, do Japão, falando à nação
ontem no primeiro discurso feito para a televisão desde que ascendeu ao
poder – Folha de S. Paulo, 17-03-2011. "Segundo antiga tradição japonesa, ao imperador basta o fato de
existir. Ele não fala. Sua promessa de mudez é quebrada com as mensagens
de Ano-Novo ou com as declarações -propositalmente vazias de conteúdo
político- que faz ao exterior" -
Batista Natali, jornalista – Folha de S.
Paulo, 17-03-2011. Excepcional É por isso que o pronunciamento de ontem é altamente
excepcional. Significa que a situação é grave ou mesmo gravíssima, caso
os vazamentos nucleares provoquem desdobramentos mais trágicos que os
admitidos até agora pelo governo" -
João Batista Natali, jornalista – Folha
de S. Paulo, 17-03-2011. Mudanças "Os japoneses temos um padrão de como reagir a um terremoto,
mas não sabemos como lidar com a crise nuclear e o racionamento de
energia" -
Koji Sasaki, antropólogo japonês – Folha
de S. Paulo, 21-03-2011. "Muitos de nós teremos de mudar o nosso estilo de vida, e isso
não deixa de ser bom” -
Koji Sasaki, antropólogo japonês – Folha
de S. Paulo, 21-03-2011. Não precisamos disso! "No Brasil, a energia nuclear é dispensável. Não precisamos
disso" -
José Goldemberg, professor na USP - O
Estado de S. Paulo, 25-03-2011. Gaddafi e Ricardo Teixeira "Se até o Gaddafi está saindo, por que o Ricardo Teixeira não
pode sair também?" Tem que haver rodízio na instituição" -
Fernando Ferro, deputado federal - PT-PE -,
usando o noticiário internacional como gancho para defender a
substituição do presidente da CBF - Folha de S. Paulo,
26-03-2011. Sem graça "(As brasileiras) passam mais de 24 horas sambando, dariam uma
excelente fonte de energia alternativa" -
Arnold Schwarenegger, ator e ex-governador da
Califórnia - O Estado de S. Paulo, 25-03-2011. Não me encham o saco! “Sabe o que o planeta falou sobre essa Hora do Planeta? "Não me
encham o saco! Me deixem morrer em paz!" –
José Simão, humorista – Folha de S.
Paulo, 23-03-2011 Desculpe "Estou levando sua bolsa, porque é a forma que eu encontrei
para sobreviver. Desculpe” –
ladrão ao roubar um restaurante paulistano –
O Estado de S. Paulo, 17-03-2011. Só o que faltava! Desde ontem, quando completou 65 anos, o ex-deputado José
Dirceu passou a ter direito por lei a furar fila de banco” –
Tutty Vasques, humorista – O Estado de S.
Paulo, 17-03-2011. |