Prefeito é condutor consciente Por Teobaldo Witter* As nossas cidades tem muitos problemas. Entre
os quais está o trânsito. Quanto transtorno para quem precisa sair de
casa e ir ao trabalho a partir das 7h! Todos os dias são
engarrafamentos, acidentes, condutores mal humorados, burlando regras de
boa convivência. Toda hora há acidentes, trancando a rua e levando gente
para os hospitais. Há 8 anos, eu demorava 15 minutos para ir da
minha casa ao local do trabalho. Hoje, demoro 50 minutos, sendo que a
casa, as ruas e o local de trabalho são os mesmos. A gente perde muito
em qualidade de vida. Devemos melhorar a engenharia de trânsito e a
educação de condutores. Como pratico direção defensiva, muitas vezes,
preciso parar para deixar gente estressada e apressadinha passar. Por
isso, quero escrever sobre a prática do trânsito consciente. A postura de condutor consciente salta aos
olhos. E dá nó em nossa mente. Veja o caso do Sr. João Antônio. João Antônio é prefeito da cidade de Novo
Xingu. Ao mesmo tempo, ele é presidente da Associação dos
Municípios do estado do Tapajós. Ele participou de uma atividade num
município vizinho. Como era uma noite fria, depois da reunião, foi
distribuído vinho. As pessoas tomaram moderadamente, umas mais e outras
menos. O prefeito tomou um copo do delicioso vinho. Ainda naquela noite, se dirigiu para sua
cidade, num carro particular. Já altas horas, com pouco movimento na
rua, ele furou sinal vermelho. Como a polícia estava monitorando o
trânsito, mais adiante, ele foi parado numa blitz. Fez o teste do
“bafômetro”. O teor alcoólico acusou 0,6, sendo que o permitido era de
até 0,5.
O prefeito havia cometido duas infrações:
furar sinal vermelho e excesso de álcool no sangue, apesar de ter
transitado em altas horas, em rua com pouco movimento, e ter bebido
apenas 1 copo de vinho. Ele entregou a sua CNH e ligou para a sua
esposa que viesse de taxi para dirigir o seu veículo até sua casa. Uma
semana depois, o prefeito renunciou, espontaneamente, ao cargo de
presidente da Associação dos Municípios, dizendo: “eu errei,
lamentavelmente. Não posso permanecer no cargo, porque minha postura
ética será questionada pelos colegas, se eu fizer de conta como se nada
tivesse acontecido e saísse dessa numa boa. Assumo a minha
responsabilidade e me submeto às exigências da lei justa por defender a
vida e promover a paz, a justiça e o equilíbrio”. Procuremos ser motorista moderado. Analisemos
a postura do prefeito para verificar nele a postura de condutor
consciente. Condutor consciente se vê em espelho, se identifica com a
postura de João Antônio. Por que escrevo sobre a atitude do prefeito
João Antonio? Primeiro, porque é uma história que foi protagonizada por
uma liderança. Segundo, para conhecer alguém devemos permitir que exerça
o poder. Além do poder, é importante observar a sua postura diante do
seu próprio erro. Terceiro, a postura das lideranças tem impacto no
comportamento da maioria do povo. Infelizmente, alguns poucos
prefeitos ainda acham que o sinal amarelo no trânsito significa andar
mais rápido, em vez de parar. Muitas poderiam opinar, dizendo que é uma
história pedante e piegas. Podem opinar como quiserem. Mas é uma
história real, que aconteceu, com pessoas e lugares de nomes diferentes.
Mas aconteceu. Quanto ao comentário, prefiro ser conhecido como
pedante e piegas e ver as ruas, praças e cidades cheias de seres vivos e
felizes a ser conhecido como liberal e ligh e ver ruas cheias de sangue
e cadáveres e casas cheias de dores, lamentos e pessoas com deficiências
físicas e corações amargurados. No trânsito, a vida e a morte estão em nossas
mãos. Escolhemos, pois, a vida para que vivamos bem na cidade que
escolhemos para nós e para a nossa descendência viverem em paz e
felizes. Caso contrário, seremos lembrados como geração que se matou
consciente de seu fim. *Teobaldo Witter é pastor, professor e
ouvidor o do DETRAN MT
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