O Videofórum e a transformação social

 

Por Dafne Spolti*

 

Cinema é arte. Expressão. Comunicação. Com um pouco de visão, uma câmera, uns rolos de filme, luz, gente criativa e amorosa e um bocado de pesquisa é possível criar trabalhos incríveis. Com experiência e profissionalismo, ficará ainda melhor. Mas algumas coisas mudaram. Agora não precisamos mais de rolos e rolos de cara película pra produzir um material. Com o vídeo as imagens são gravadas em um formato diferente. Ao invés de ser um resultado químico que forma diversas fotos naquele grande rolo e que em sequência dão idéia de movimento (o cinema nasceu da fotografia!) as imagens são registradas de maneira eletrônica.

 

Já existem câmeras filmadoras de vídeo bastante baratas, até máquinas fotográficas e celulares que conseguem gravar com uma qualidade relativamente boa. É aí que está o aspecto revolucionário. O vídeo chega às periferias, permite que gente pobre, várias gentes pobres; comunidades, grupos marginalizados possam criar conteúdo. Por isso, o Videofórum do Centro Burnier traz à tona muito mais questões do que pensamos. Já vem com um caráter, com uma cara de transformação. E aí entram em cena os assuntos tratados.

 

O Videofórum começou a ser realizado ano passado com o tema “meio ambiente”. Este ano o assunto voltou à tona na atividade, integrando a Campanha da Fraternidade 2011: “Fraternidade e Vida no Planeta – a criação geme em dores de parto”, um reconhecimento dos cristãos sobre o nosso planeta estar acabando, morrendo. Um reconhecimento sobre a necessidade de fazermos algo para preservar a vida.

 

Juntando então essas duas coisas: A arte cinematográfica, em formato popular de vídeo e um dos temas mais importantes a serem discutidos, e gente interessada, o Videofórum só pode ter bons resultados. Semana passada, fui à atividade como debatedora. O filme era “A Carne é Fraca”, dirigido por Denise Golçalves e uma iniciativa do Instituto Nina Rosa que trabalha na defesa aos animais. Mostra-se o quanto o consumo de carne pode fazer mal à saúde e ao meio ambiente. E o quanto os animais que são nascidos para morrer e nos alimentar sofrem nesse processo. As imagens são muito fortes.

 

O filme foi exibido na Paróquia do CPA 1. Pessoas simples estavam lá. Discutimos juntos. Todos e todas participaram, estiveram atentos e atentas, falaram. Alguns disseram que não mais comeriam carne, outros não. Aí fomos pensando o meio ambiente. O espaço ocupado pela criação de gado poderia ser ocupado por famílias de pequenos agricultores. Pensamos nos agrotóxicos, pensamos que não estamos livres de veneno nem na carne nem nos vegetais. Pensamos no lixo. “Como separar o lixo, se não tem coleta seletiva?”, questionou uma senhora. Lá atrás um homem disse que sabia sobre como fazer o recolhimento de óleo para reciclar. As idéias foram surgindo...

 

A arte cinematográfica é muito bela. É bonito demais ver um filme que utilize essa beleza (de cinema e do vídeo também) para falar de assuntos que nos tocam e provocam ação. E é bonito demais ver gente interessada. Parabéns!

 

* Dafne Spolti é estudante de jornalismo na UFMT







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