Desastre nuclear no Japão
Por André Amaral/Caros Amigos
Não é a primeira vez que o Japão tem um acidente desse tipo, porém. Em
2007, após um terremoto, houve um acidente nas usinas de
Kashiwazaki-Kariwa, com vazamento de material radioativo. Desde então,
os japoneses já sabiam que esta tecnologia não seria capaz de aguentar
um terremoto, muito menos uma série deles. Aliás, os projetistas de
reatores nucleares bem sabem que estes não são capazes de resistir a
choques de aviões, grandes abalos sísmicos e situações adversas
combinadas – que não são consideras em seus relatórios de análise de
segurança, documento elaborado antes da construção e licenciamento dos
reatores - as condições consideradas para lidar com acidentes,
incidentes ou falhas, são sempre condições normais, como se nada tivesse
acontecido ou pudesse acontecer ao mesmo tempo que um grande acidente.
Mas na vida real é diferente. Catástrofes simultâneas podem acontecer.
Na verdade há uma grande probabilidade que aconteçam. Falhas e prejuízos
em sistemas de suprimentos também acontecem. No ano retrasado, o apagão
causado no Brasil por um problema nas linhas de transmissão que
distribuem a energia de Itaipu, fez com que as usinas nucleares tivessem
que ser desligadas. O motivo: não tinham o suprimento de eletricidade
externo necessário para o caso de um acidente. O mesmo ocorre no Japão
agora. A dificuldade em se obter água, dentre vários outros problemas
combinados, é um grande agravante da crise de Fukushima, que piora a
cada momento, com novos incêndios e explosões.
Mesmo que revistos os designs e componentes de segurança em todos os
reatores no mundo, um plano de emergência de uma usina nunca conseguiria
ser executado sem meios de transporte, acesso à água e energia elétrica.
E como contar com isso em uma crise? Esse é o momento para expormos os
pontos fracos dessa tecnologia, como esse, que põem em risco milhões de
vidas ao redor do mundo. Não são só os Japoneses que estão em risco, mas
várias nações que optaram erroneamente por essa tecnologia.
Nunca é tarde para reconhecer o erro, porém. Ainda há tempo para
repensarmos a questão energética. É hora de o mundo inteiro parar seus
planos de expansão de geração nuclear e rapidamente substituir essa
fonte por outras limpas, renováveis e o mais importante, seguras.
* André Amaral é biólogo e mestre em ciência ambiental. Coordenou a
campanha antinuclear do Greenpeace e hoje atua como consultor
independente e sócio-diretor da EcoGreens Soluções Sustentáveis.
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