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Novos Diálogos suscita debate sobre poder e religião
* Antonio Carlos Ribeiro
Rio de Janeiro - O lançamento do livro Relações e privilégios, de
Alexandre Brasil Fonseca, reuniu pesquisadores e editores interessados
na presença protestante na sociedade brasileira. O evento se deu ontem à
noite no Instituto de Estudos da Religião (Iser), no Catete, região
central da cidade.
O autor, que é doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo
e pós-doutor pela Universidade de Barcelona, fez palestra sobre
as relações do Estado brasileiro e a Igreja católica, numa época de
crescente diversidade religiosa e num ambiente de secularização. A capa
do livro mostra foto do presidente Getúlio Vargas e o Cardeal Sebastião
Leme, cercados por ministros e pessoas da alta sociedade.
Clemir Fernandes, editor da Novos Diálogos, dirigiu o debate que se
seguiu. O sociólogo falou das relações de poder, da insistência da
Igreja em manter-se próxima do poder político central, mesmo após o fim
do sistema de Padroado, e da emergência das igrejas protestantes, com
oradores que adquiriam protagonismo numa sociedade de traço conservador
e apoiada em oligarquias, em pleno período republicano.
Outro fato incomum é que a sede do Iser, onde a obra foi lançada, fica
em frente ao Palácio Episcopal da Arquidiocese do Rio de Janeiro, a
segunda do Brasil, e a apenas três quadras do Palácio do Catete, sede do
Governo Federal, nesta cidade que foi sede do Vice-Reino do Brasil
(1763-1815), do reino do Brasil junto ao Reino Unido de Portugal, Brasil
e Algarves (1815-1822), do Império do Brasil (1822-1889) e da República
dos Estados Unidos do Brasil (1889-1960).
A obra de Brasil Fonseca, professor da Universidade Federal do Rio de
Janeiro (UFRJ), que resultou de sua pesquisa no doutorado, visibilizou
fatos, personagens e circunstâncias em geral desconhecidas da vida
social e política, especialmente na cidade que sediou o poder por 197
anos, período em que se tornou palco de diversas relações políticas e
religiosas. Sempre em perspectiva oligárquica, conservadora e com apoio
do Estado.
Uma pergunta do plenário suscitou o tema do ensino religioso
confessional, vigente no Estado do Rio de Janeiro, a partir de acordo
entre a Igreja Católica – liderada por um bispo e um deputado estadual
-, as igrejas pentecostais e os governos de Anthony William Matheus de
Oliveira, o Garotinho, e Rosângela Barros Assed Matheus de Oliveira, a
Rosinha Garotinho, que propuseram e conseguiram a aprovação da lei do
Ensino Religioso Confessional, sobre a qual tramita uma Ação Direta de
Inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal (STF).
* Antonio Carlos Ribeiro é teólogo luterano, jornalista e professor universitário no Rio de Janeiro (antoniocarlosrib@gmail.com)
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