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Graves questões ambientais são destaque do 1º dia do Seminário Nacional
de Mudanças Climáticas
Fonte: IHU-Unisinos
"A causa indígena nos traz um serviço supra-evangélico de despojamento
de abertura ecumênica e macro-ecumênica que nos ajuda a encontrar
Jesus”. A frase, de dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito de São
Félix do Araguaia (MT) foi citada pelo secretário executivo do Conselho
Indigenista Missionário (Cimi), Eden Magalhães na abertura do 2º
Seminário Nacional de Mudanças Climáticas e Justiça Social, que acontece
no Centro de Formação Vicente Cañas, que fica próximo a cidade de
Luziânia (GO).
A reportagem é do portal da CNBB, 14-03-2011.
O evento, que segue até o próximo dia 16, têm a participação de 90
pessoas, entre agentes de pastoral, especialistas em clima, professores,
movimentos da sociedade civil, ONG’s e entidades privadas, de diversos
lugares do Brasil e do exterior. Eles debatem, à luz do texto-base da
Campanha da Fraternidade 2011, as mudanças climáticas, o aquecimento
global e as consequências da ação humana no favorecimento a esses
efeitos climáticos.
O evento é promovido pelo Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social
(FMCJF), organismo ligado a Comissão Episcopal Pastoral para a
Caridade, Justiça e Paz, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Segundo o sociólogo e coordenador do (FMCJF), Ivo Poletto, o
clima global vive uma transformação muito abrupta, mais do que os
especialistas puderam prever. “Por isso a importância desse seminário
nacional, para que possamos compreender melhor o que está acontecendo
para que possamos ver o que está se fazendo e o principal, incluir a
maior quantidade de pessoas na questão o que se pode fazer, acho que
esse é o grande ponto, o despertar para uma nova consciência, social e
cultural em relação ao meio ambiente e ao ecossistema em que cada um
está inserido”, destacou Ivo Poletto.
Para o bispo de Jales (SP) e presidente da Cáritas Brasileira, dom
Demétrio Valentini, um fator importante para esse ‘despertar’,
sugerido por Ivo Poletto, se da com o lançamento da Campanha da
Fraternidade 2011, que trata de “Fraternidade e a Vida no Planeta”. “A
CF 2011 trata de dois aspectos importantes para a preservação da
vida no planeta. Mudanças Climáticas e o aquecimento global. Se
conseguirmos estancar o aquecimento global, consequentemente o primeiro
voltará ao seu normal. Acho que os cientistas estão ainda muito
superficiais em suas análises sobre o clima, por isso destaco a ação da
Igreja, em buscar uma atitude logo sobre o clima. Por isso é uma atitude
louvável da Igreja em despertar o consciente nacional sobre essa
problemática que atinge a todo o mundo moderno, com suas características
mercadológicas e consumistas.
O bispo discursou sobre a teoria dos cientistas em relação ao surgimento
do mundo, o “Big Bang”, e a evolução humana ao longo de milhares
de anos, destacando as faces climáticas e suas catástrofes globais, como
o fim das eras glaciais.
Além de dom Demétrio, o representante da organização beneficente
Misereor, Malte Reshösft, discursou na abertura destacando a
maior atuação da entidade ao longo dos anos 2000. “De 2005 para cá
sentimos um elevado crescimento de ajuda às cidades ou localidades
atingidas por algum tipo de desastre natural, muito provavelmente
decorrido do aquecimento global ou das mudanças do clima. Nós só
aprendemos com a dor, tanto é que vimos neste examomento como vivem os
japoneses, após esse terrível terremoto seguido de um tsunami. Mas vejo
por um lado positivo. Pela primeira vez as nações mais poderosas do
mundo estão se reunindo, de forma pacífica, para resolver um problema de
escala global. E este simpósio é um dos vários encontros que devem
pautar as agendas globais sobre o assunto em questão”, explicou Malte
Reshösft.
A primeira mesa de debates ficou por conta do professor, sociólogo e
membro da Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong),
Ivo Lesbaupin e da professora e, Marijane Lisboa. Ambos
destacaram a utilização dos recursos naturais do planeta. Na pauta das
discussões, entrou a geração de energia elétrica, que atualmente o
Brasil utiliza a menos indicada (queima de combustíveis fósseis ou
energia hidrelétrica), pois são grandes fontes de poluição, destruição
da vida animal e vegetal.
“Não basta só haver coleta seletiva, a troca de carros à gasolina por
carros movidos a eletricidade, economia de água, entre outros. É preciso
algo mais profundo, é preciso mudar nosso sistema econômico e de
desenvolvimento. É preciso se opor veementemente ao agronegócio, ao uso
de agrotóxicos, aos transgênicos e dizer sim à reforma agrária, como
propõe a Via Campesina. É preciso, urgentemente, mudar nosso
sistema de energia utilizando outras formas potencialmente possíveis no
país, como a eólica e a solar”, afirmou Ivo Lesbaupin.
Ainda segundo o pesquisador, na próxima geração (50 anos) será possível
utilizar menos energia que atualmente, porque as casas terão sistemas
para poupar energia. “Então para que tantas hidrelétricas sob o signo de
que necessitamos mais e mais energia elétrica? Por que temos mais
direitos que os indígenas, pescadores, ribeirinhos, quilombolas e tantos
outros povos tradicionais que sequer têm acesso a ela? Queremos um
sistema que gere vida, não um sistema que crie coisas descartáveis”,
afirmou.
Marijane Lisboa
falou da garantia dos direitos e a relação com o uso consciente dos
recursos naturais. “A história da humanidade é uma história de
injustiças ambientais e garantia de direitos de uns em detrimento dos
direitos de muitos”.
Ato Público
O Simpósio será encerrado com a realização de um ato público, na próxima
quarta-feira, 16 de março, a partir das 14 horas. Na ocasião, estarão
presentes, a ministra-chefe da Secretaria de Direitos Humanos da
Presidência da República, Maria do Rosário Nunes, o ministro da
secretaria geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho,
um representante do Ministério do Meio Ambiente e o presidente da
Comissão Episcopal Pastoral para a Caridade, Justiça e Paz, da CNBB,
dom Pedro Luiz Stringhini.
O convite para que representantes do Estado participem do ato tem como
objetivo trazê-los para o debate sobre a perspectiva da construção de
políticas publicas sobre mudanças climáticas. Além disso, os
participantes também aprovarão uma carta-compromisso, em que se
estabelecerão metas a serem cumpridas e ações concretas para combater o
aquecimento global em território nacional. O ato público acontecerá no
Centro Cultural de Brasília (CCB), que fica na 601 Norte, módulo
B. |