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Deixem o padre trabalhar
* Por João Inácio Wenzel
O que o Biosaúde e o Padre Renato Barth fazem é qualificar esta prática
de saúde popular. Há muitos chás indicados para cada tipo de doença. Mas
quais são os que seu corpo realmente precisa? Uma planta pode ser muito
boa para uma determinada pessoa e não servir para outra, embora tenham
os mesmos sintomas. Como se explica? “Não são as plantas que curam”,
explica o Padre Renato, “mas a pessoa que se cura com a ajuda dos
princípios ativos presentes nas plantas”. E a cura acontece quando a
pessoa não trata apenas o sintoma, mas o seu ser como um todo. Daí a
importância da dieta e da reeducação alimentar, o uso de sete plantas
que em geral incluem antibióticos naturais, diuréticos, plantas amargas
e plantas específicas, tomadas no máximo ao longo de duas semanas.
Depois disso estas são substituídas por outras plantas, pois o corpo
precisa de outros princípios ativos para atingir a completa recuperação.
O método utilizado para chegar a este resultado é o Bi-Digital O-Ring
test, criado e desenvolvido pelo médio nipo-americano Dr. Yoshiaki Omura
em 1981. Em 1992 foi lhe concedida patente de propriedade intelectual
universal. O método foi popularizado na Nicarágua pelo médico Dr. Atom
Inoue. O Padre Renato Barth, missionário naquelas terras por esses anos,
trouxe o método para o Brasil, hoje presente em praticamente todos os
Estados brasileiros, graças ao ardoroso trabalho de cursos de formação
de agentes de saúde, organizado em torno da Associação Brasileira de
Saúde Popular – ABRASP.
No entanto, o Padre Renato está sendo acusado de prática ilegal de
medicina e de charlatanismo pelo Dr. Arlan Ferreira, do Conselho
Regional de Medicina do Mato Grosso. A segunda audiência, marcada para o
dia 24 de fevereiro passado foi suspensa, por falta de provas que o
incriminem. De outra parte, populares, num manifesto popular, trouxeram
espontaneamente mais de quatro mil assinaturas de pessoas que apoiam o
trabalho do Padre Renato e que estão dispostas a dar depoimentos de como
se beneficiaram com os chás, aplicação de argila, dieta e, em alguns
casos, também com a urinoterapia.
Hoje, dia 28 de fevereiro, o jesuíta Padre Renato Barth, 71, completa 50
anos de Vida Religiosa. Trabalhou como missionário em Diamantino,
Manaus, Marabá, Nicarágua, Moçambique e Cuiabá, dentre outros lugares.
Desde que se curou de uma doença séria na Nicarágua, passou a se dedicar
prioritariamente à saúde natural. Sua rotina é levantar às quatro horas,
preparar seu chimarrão, seu chá, fazer suas orações, responder e-mails,
preparar apostilas, escrever livros, atender pessoas com sua equipe no
Biosaúde, e viajar pelo Brasil, América Latina e África dando cursos de
formação de agentes de saúde com o método denominado Biosaúde, também
conhecido como Bioenergético, ou O-Ring test.
Seu descanso consiste em recolher plantas. Quando vamos a algum sítio
para um dia de descanso, ele desaparece em meio às matas, recolhendo
plantas medicinais. Não utiliza raízes, nem cascas das árvores, pois
prejudicam o crescimento das plantas. Utiliza as folhas e os cipós,
podando-as cuidadosamente para que possam se desenvolver ainda mais. “O
que importa é o princípio ativo presente na planta toda”, explica ele.
“Por isso não há necessidade de arrancar as raízes que matam as
plantas”.
Por que é processado? A quem ele está prejudicando? As pessoas que se
beneficiam e libertam de doenças e do uso continuado de drogas
controladas? Ou as pessoas e as indústrias farmacêuticas que fazem da
medicina e das drogas uma das maiores fontes de lucro?
Que crime cometeu o padre? Se não há matéria que o incrimine, por que
também não suspender o processo? Todo mundo é inocente salvo prova em
contrário. Deixem o Padre trabalhar. Cuiabá precisa de gente assim, que
se preocupa em fazer bem sem olhar para quem.
Como cidadãos e cidadãs, temos o direito de escolher o tipo de
tratamento que queremos fazer: homeopatia, acupuntura, fitoterapia,
geoterapia, urinoterapia... ou até mesmo a jovem terapia alopática,
quando se fizer necessária. Saúde é um direito e deve estar a serviço do
bem comum.
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Coordenador do Centro Burnier Fé e Justiça, professor de exegese no
SEDAC e assessor do CEBI/MT.
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