Padre Renato articula manifestação para próxima audiência
* Por Keka Werneck
Barth entende que esse processo é uma forma de atacar práticas milenares
e populares, as quais a medicina alopática simplesmente abandonou,
porque lucra muito mais na parceria com a indústria farmacêutica. “A
doença é lucrativa. E nós trabalhamos com a cura do corpo e da mente,
por isso incomodamos”, afirma o padre.
O ato em prol do padre Renato e da saúde popular começará às 13h30 em
frente ao Juizado Especial Criminal, que fica na avenida Getúlio Vargas,
450, Centro, em Cuiabá (MT). A audiência está marcada para as 15h30.
O processo está sendo conduzido pelo juiz Mário Kono.
Na primeira audiência, dia 25 de novembro do ano passado, também houve
manifestação. O padre, que recebeu apoio de diversos movimentos sociais,
defendeu a seriedade do trabalho que desenvolve no Centro Biosaúde, que
funciona em uma casa no bairro Novo Paraíso II, periferia de Cuiabá. E
disse que, para fazer acordo com o CRM, teria que admitir que é
charlatão e curandeiro. “Isso não vou dizer que sou”, manteve o padre,
que na segunda-feira, dia 28 de fevereiro, completará 50 anos de vida
religiosa, dentro dos preceitos dos Jesuítas. Sendo assim, não houve
acordo.
Conforme um dos advogados de Barth, Vilson Nery, nessa audiência
preliminar o juiz vai avaliar se aceita ou não a ação.
“A linha da defesa será a mesma, assegurando que a prática do padre é
conduta atípica, ou seja, não é crime. Há décadas nossos avós já
sugeriam chás e ervas e os chineses fazem isso há séculos”, argumenta
Nery.
Em sua defesa, Barth também alega que é
formado em Ciências Naturais, pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos
(Unisinos), reconhecida instituição do Rio Grande do Sul (RS), com
diploma devidamente reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC).
Padre Renato conta que, quando foi feita a denúncia contra ele, a equipe
da vigilância sanitária foi até o Centro Biosaúde, para fechá-lo. “Mas
quando viram todos os meus documentos, um olhou para o outro e disse: e
aí? O que vamos fazer? Se me condenarem, terão de condenar todos os
indígenas e os asiáticos”.
Barth explica ainda que a linha terapêutica que utiliza é comum em pelo
menos 40 países e afirma que 15 deles enviaram protestos contra o que
está acontecendo aqui às embaixadas brasileiras, que informaram ao
Governo Federal.
Keka Werneck, da Assessoria de Imprensa do Centro Burnier Fé e Justiça
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