Conjuntura da Semana. A votação do Salário Mínimo e o recado do governo Dilma Fonte: IHU Link: http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=40770
A análise da conjuntura da semana é uma (re)leitura das ‘Notícias do
Dia’ publicadas, diariamente, no
sítio do IHU.
A análise é elaborada, em fina sintonia com o Instituto Humanitas
Unisinos - IHU, pelos colegas do Centro de Pesquisa e Apoio
aos Trabalhadores - CEPAT - com sede em Curitiba, PR,
parceiro estratégico do Instituto
Humanitas Unisinos
- IHU.
Sumário:
Salário mínimo
Eis a análise.
Salário mínimo. O recado do governo
Dilma Rousseff
saiu
vitoriosa
naquele que foi considerado o primeiro grande teste do seu governo: a
aprovação do valor do salário mínimo de R$ 545,00. Não houve concessões.
Dilma mostrou-se inflexível. Uma dureza que não se viu no governo
Lula. A obstinação com que o governo buscou a aprovação do
salário mínimo sem concessões dá indicações do modo de pensar e proceder
da presidenta Dilma e mais do que isso, do seu projeto de
governo.
A intepretação política da aprovação do mínimo precisa ser “lida”
simultâneamente ao anúncio do
corte de R$ 50 bilhões
no orçamento. A inflexibilidade na negociação do valor do mínimo é um
recado
para o mercado e o conjunto da sociedade de que o ajuste fiscal proposto
pelo governo é para valer. O Palácio do Planalto elegeu o mínimo como a
âncora fiscal do início de governo. Salário mínimo e ajuste fiscal
tornaram-se faces de uma mesma moeda: “Essa votação é vida ou morte.
Sinaliza austeridade num tema que é popular. O simbólico é mais
importante”, preconizava o deputado
José Mentor
(PT-SP) antes da votação do mínimo.
“Bancar o mínimo de R$ 545 foi a cartada mais ousada da presidente
Dilma Rousseff até agora. Uma derrota indicaria que o prometido
ajuste nas contas federais não é para valer. O recado formaria uma nuvem
escura sobre as perspectivas de crescimento econômico do País”, destaca
a jornalista
Lu Aiko Otta.
A tese da consolidação fiscal sai vitoriosa com a aprovação do salário
mínimo de R$ 545,00.
A votação do mínimo para além do debate econômico, manifesta ainda o
jeito de governar de Dilma ao estilo “manda quem pode, obedece
quem tem juízo”. A votação do salário mínimo, portanto, emite sinais
para fora, para a sociedade do que pretende o governo, e para dentro,
para a base aliada. Dessa votação emblemática viu-se ainda o silêncio de
forças políticas importantes como a CNBB, as Pastorais Sociais e
o MST e a postura confusa do movimento sindical, única força
política do movimento social a contestar a posição do governo, porém
emitindo sinais contraditórios.
O jogo pesado do governo
A vitória folgada do governo na votação do mínimo na Câmara dos
Deputados não foi um caminho fácil. O governo teve que utilizar de todo
o seu peso para que o projeto fosse aprovado sem alterações e além das
exaustivas negociações, barganhou com indicações para o
preenchimento de cargos
no primeiro e principalmente no segundo escalão.
Na articulação da aprovação do mínimo como postulava o governo, os
principais ministros de Dilma entraram em ação:
Gilberto Carvalho,
Guido Mantega
e
Antonio Palocci.
O ministo da secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho,
assumiu a
negociação
com o movimento sindical; Guido Mantega, ministro da Fazenda, foi
escalado para esgrimir os
argumentos econômicos
e Palocci, da Casa Civil, cuidou da
interlocução
com os partidos políticos.
Teve ainda papel destacado no processo de aprovação do mínimo, o
vice-presidente
Michel Temer.
Toda a articulação foi acompanhada pessoalmente por Dilma e
quando necessário entrou em ação, como na conversa com o ministro
Carlos Lupi, ministro do Trabalho e um dos núcleos de resistência ao
projeto.
A inflexibilidade e dureza do governo no debate do mínimo ficaram claros
quando o ministro Gilberto Carvalho, destacado por Dilma
para negociar com as centrais sindicais, após intensas e longas
negociações com o movimento sindical
mandou um recado
desde Dacar – Carvalho viajou para o Senegal como representante
do governo no Fórum Social Mundial – para as centrais: "Na
questão do mínimo, nós entendemos que não há mais negociação. Vamos
reafirmar os R$ 545,00”. Gilberto Carvalho, evidentemente, não
emitiu o recado por conta própria.
A polêmica
A polêmica entre as centrais e o governo começou pelo valor e pelo
acordo verbal estabelecido ainda no governo Lula de que o aumento
do salário mínimo seria reajustado com base na inflação acumulada em um
ano, mais o percentual do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do
ano anterior. Como em 2009 o PIB brasileiro encolheu, em 2011, o
acordo estabelece que o salário mínimo seria reajustado com base somente
na inflação. Isso resultou no valor de R$ 545,00. As centrais passaram a
insistir em R$ 580,00 e acusaram o governo de
pouca vontade e ruptura
no processo de valorização do salário mínimo.
"Estamos incomodados com o início do governo Dilma. É uma
tentativa do mercado de mandar em tudo e não vamos concordar com isso",
disse o presidente da Força Sindical, deputado federal Paulo
Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho. "Essa reunião foi
frustrante", resumiu. O sindicalista afirmou que Lula inaugurou
uma política de valorização dos mais pobres e "sempre interveio em favor
dos trabalhadores".
O presidente da União-Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo
Patah, endossou o discurso de Paulinho. "Estamos um pouco surpresos.
Ela (Dilma) não nos atendeu ainda e engessou as negociações. Isso está
dificultando muito", reclamou. Já o presidente da Central Única dos
Trabalhadores (CUT), Artur Henrique da Silva, destacou que
os sindicalistas não vão abrir mão do aumento real do salário mínimo e
da correção da tabela do IR. "Queremos a continuidade do que foi feito
no governo Lula", afirmou.
O governo respondeu com o discurso de
manutenção do acordo:
"Não é verdade que haja uma ruptura", disse Carvalho. As centrais
têm dificuldade em manter o acordo pelo fato de o PIB de 2009,
com a crise internacional, ter sido 0,6% negativo”. O governo havia
cogitado antecipar parte do reajuste que seria aplicado em 2012, mas a
ideia foi abandonada. "Eles querem uma exceção para 2011. Aí fica uma
negociação aleatória", disse Guido Mantega.
Um apoio forte aos argumentos do governo veio do ex-presidente Lula
ao
afirmar
que os sindicalistas estavam sendo oportunistas. Lula lembrou a
participação dos sindicatos na discussão do acordo que resultou na atual
política de reajuste do mínimo. "Isso foi um acordo feito com os
dirigentes sindicais quando o Luiz Marinho era o ministro da
Previdência. Foi combinado que o reajuste seria feito com base no PIB
e na inflação até 2023 para que a gente pudesse recuperar
definitivamente o salário mínimo”, e ascrescentou: "O que não pode é
nossos colegas sindicalistas quererem a cada momento mudar as regras do
jogo. Ou você tem uma regra, aprova na Câmara e vira lei e todo mundo
fica tranquilo, ou você fica como o oportunista", disse Lula.
Reconhecendo o acordo, o presidente da CUT, Artur Henrique,
contra-argumentou
lembrando que quando sobreveio a crise econômica internacional o governo
adotou uma série de excepcionalidades e que poderia adotar o mesmo
critério: “A mesma excepcionalidade com que o governo tratou a
indústria, as instituições financeiras na época da crise deve ser
aplicada agora ao salário mínimo. Não dá para usar o salário mínimo como
forma de conter inflação”, disse ele.
Percebendo a inflexibilidade do governo, as centrais optaram pela
estratégia
de tentar aumentar o mínimo para R$ 560,00. O governo, porém, percebendo
que ganhava força a tese dos R$ 545,00 aferrou-se à sua proposta e
acrescentou a ela ainda uma nova ideia, transformar o acordo informal
entre centrais e governo – reajuste do salário mínimo levando em conta a
inflação e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do ano
anterior – em projeto de lei.
Manter uma regra acordada entre sindicatos, trabalhadores, empresas e
governo é defendida por muitos como forma de definitivamente estabelecer
uma política de valorização do salário mínimo. É o que defende, por
exemplo, o economista
Claudio Dedecca
em entrevista ao IHU. Segundo ele, ''é preciso abandonar a
postura de pensar o Brasil a curto prazo''. Na opinião do economista,
preservar a política de reajuste progressivo do salário mínimo com base
no crescimento econômico do país é a alternativa mais eficaz para
garantir, a longo prazo, um salário condizente com as necessidades dos
trabalhadores.
O preço político do mínimo
Como estratégia final o
governo escolheu
o deputado Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT-SP),
para ser relator do projeto. Vicentinho, que foi presidente da
Central Única dos Trabalhadores (CUT), colocou-se contra a
central que presidiu e assumiu
sem constrangimentos
a tarefa: “Recebi a tarefa de relatar o projeto do mínimo, mas não sinto
qualquer dificuldade em assumir essa relatoria e debater o assunto com
as centrais”.
Durante a sessão de aprovação do mínimo, ao defender a proposta do
governo
o ex-sindicalista foi vaiado.
Depois afirmou que se sentia recompensado por cumprir uma missão como
verdadeiro petista. O ex-presidente da CUT recebeu o
agradecimento de Dilma Rousseff e até, contraditóriamente, do
atual presidente da CUT Artur Henrique: “Vicentinho não foi
eleito apenas por ‘cutistas’. Vários trabalhadores de outras centrais
também votaram nele, além de ele representar outras lutas, como contra o
racismo”, disse Artur procurando amenizar a postura vexatória de
Vicentinho.
A estratégia determinante, entretanto, para a aprovação do mínimo como
queria o governo foi o adiamento das
nomeações do segundo escalão
federal e a liberação de recursos para as emendas dos parlamentares. Nos
primeiros 11 dias de fevereiro, às vésperas da votação do valor do novo
salário mínimo, o governo pagou um total de R$ 653,7 milhões de gastos
autorizados ou ampliados por meio de
emendas parlamentares.
O ritmo de liberação de verbas públicas nesse período aumentou 441% em
relação a janeiro. O exemplo de um dos agraciados: "Fui premiado", disse
Chico da Princesa (PR-PR), contemplado com a liberação de R$ 1,7
milhão para programas de saúde no Paraná e a construção de cartório
eleitoral no município de Joaquim Távora.
A fidelidade de toda a bancada do PMDB à presidente Dilma
Rousseff na aprovação do salário mínimo de R$ 545 pela Câmara também
teve um preço. O partido
voltou a cobrar
a nomeação de afilhados da legenda no segundo escalão do governo,
principalmente aqueles que já estavam pré-negociados, mas foram adiados
pela presidente até a eleição dos presidentes da Câmara e do Senado e da
votação do salário mínimo.
Entre os exemplos de “pagamento ao PMDB” pela fidelidade, o
partido aguarda a nomeação, entre outros, de: Henrique Meirelles
(Autoridade Pública Olímpica), Geddel Vieira Lima
(vice-presidência de Governo e de Loterias da Caixa), Orlando Pessuti
(vice-presidência de governo do Banco do Brasil), Sérgio Dâmaso
(Departamento Nacional de Produção Mineral), Marcos Lima
(diretoria de Furnas), Jorge Luiz Zelada (Diretoria Internacional
da Petrobrás), Paulo Roberto da Costa (diretoria de Abastecimento
da Petrobrás), Ruy Gomide (Coordenador regional da Funasa em
Goiás), Elias Fernandes (diretoria-geral do Departamento Nacional
de Obras contra as Secas - Dnocs). Evidentemente que por detrás desses
nomes estão caciques nacionais e regionais do PMDB.
Um dos nomes que mais sai fortalecido do PMDB junto ao governo é
o vice-presidente
Michel Temer.
O PMDB foi o
partido mais fiel
ao governo na votação do salário mínimo de R$ 545,00. Os 77 deputados do
partido votaram fechados contra as propostas de um valor maior. O PT,
por sua vez, registrou duas dissidências a favor do mínimo de R$ 560,00.
Por detrás dessa unanimidade do PMDB encontra-se Temer.
Foi dele também a ideia de apresentar um projeto de lei, ao invés de
votar a medida provisória de R$ 545,00, furando a fila das 10 MPs que
trancavam a pauta da Câmara. Por outro lado, quem sai chamuscado da
votação foi o ministro do Trabalho Carlos Lupi do PDT.
Lupi não conseguiu garantir a coesão do partido junto ao governo e
deve perder força e espaço.
Tese do ajuste fiscal sai vitoriosa
O leitmotiv central para a inflexibilidade e insistência do
governo na aprovação do mínimo de R$ 545,00 foi o ajuste fiscal,
particularmente o medo de perder o controle sobre a inflação. O
homem forte da economia
no governo Dilma, o presidente do Banco Central,
Alexandre Tombini,
deu o recado de que não aceita perder o controle da inflação no seu
primeiro ano de mandato. A inflação oficial de 5,9% em 2010, a maior em
seis anos, foi decisiva na decisão da presidente Dilma Rousseff
de não aceitar negociar um valor maior para o mínimo.
A aprovação de um mínimo que
mal reporá a inflação,
a possível
elevação da taxa de juros,
e o
corte drástico
de R$ 50 bilhões no orçamento, inserem-se num mesmo quadro: desacelerar
a economia. A justificativa nem sempre explicitada dos cortes é que isso
reduz a quantidade de dinheiro em circulação na economia e reduzindo a
atividade econômica, controla-se a inflação.
Num raro arroubo de transparência, a secretária de Orçamento do
Ministério do Planejamento,
Célia Corrêa,
afirmou que "com R$ 50 bilhões não fica muita coisa de pé", numa
referência ao corte do orçamento. Com os cortes, “o país adia outra vez
a possibilidade de mudar de patamar no ritmo e na qualidade do
crescimento”, diz
Vinicius Torres Freire.
O crescimento para 2011 e 2012 deve recuar e o
PIB cair.
No debate, portanto, sobre o mínimo venceu a tese do ajuste fiscal.
Evitar uma elevação do mínimo tornou-se peça emblemática da consolidação
fiscal. Algo explicitado pelo ministro
Gilberto Carvalho:
“Não faremos loucura. O corte de R$ 50 bilhões no Orçamento da União
mostra a gravidade da situação fiscal e, ao mesmo tempo, a seriedade do
governo". O mesmo disse
Mantega:
“Não temos condições, do ponto de vista fiscal, de aumentar a despesa em
relação ao que ela é”.
O ministro Gilberto Carvalho
comparou
ainda o esforço fiscal do atual governo com o ajuste feito em 2003,
primeiro ano do governo Lula. Na oportunidade, com receio de que
a crise econômica se agravasse com a inflação recrudescendo, o dólar a
US$ 4,00 e o risco Brasil aumentando, o governo além de nomear
Henrique Meirelles para o Banco Central, aumentou a taxa de juros de
25% para 25,5% e depois 26,5%. O superávit primário de 3,5% para 3,75% e
posteriormente para 4,25%, e fez cortes no orçamento no montante de R$
14 bilhões que chegaram a atingir a área social.
A postura agressiva do governo na votação do mínimo emitindo um sinal
que não relaxará com a “agenda fiscal” pode trazer a médio prazo
dissensões internas. O comentarista político
Cristiano Romero,
destaca que “passado o primeiro mês e meio da gestão Dilma Rousseff,
já é possível enxergar, dentro do governo, pelo menos dois grupos com
visões distintas sobre a economia. Um deles defende a ideia de que, para
combater a inflação, o setor público tem que apertar o cinto agora e,
assim, contribuir para conter a demanda agregada da economia. O outro
teme que uma contração fiscal forte, combinada com o aperto monetário
que o Banco Central (BC) começou a promover em janeiro, derrube o
Produto Interno Bruto (PIB), reduzindo drasticamente a taxa de
crescimento”.
Segundo ele, “no primeiro grupo, estão o presidente do BC, Alexandre
Tombini, e, de maneira muito discreta, o ministro-chefe da Casa
Civil, Antônio Palocci. No segundo, estão o ministro da Fazenda,
Guido Mantega, e seu secretário-executivo - e principal
formulador na equipe econômica -, Nelson Barbosa”. Os embates já
teriam começado, relata o comentarista político.
Nesse debate, Guido Mantega ficou numa situação difícil.
Reconhecido como desenvolvimentista teve que
agir como fiscalista.
A postura zigue-zague de Mantega, explica-se em função do debate interno
no governo. Parte da equipe da Fazenda avalia que os cortes prometidos e
os que virão - se o ajuste fiscal for para valer - reduzirão os
investimentos e afetarão a atividade econômica. Esses técnicos defendem
um norte mais claro para a política econômica do governo Dilma.
Para esse grupo, o ministro estaria errando no tom ao apoiar a tese de
que o aumento dos gastos públicos tem papel decisivo no aumento da
demanda.
A visão contraposta diz que a inflação em alta estaria mais associada a
mudanças estruturais na economia brasileira, que ainda não foram
atacadas. Um exemplo seria a política de reajustes reais do salário
mínimo - 53% no governo Lula -, que teve papel decisivo nos
últimos anos para o aumento da distribuição de renda. Esses aumentos é
que estariam agora puxando a inflação.
O debate apenas começou. Dilma, ao menos no ínicio de seu
governo, e reeditando Lula quando também do início do seu
governo, optou pela ortodoxia.
O jeito Dilma Rousseff de governar
A pauta do salário mínimo revelou também o jeito de governar de Dilma.
Pela imprensa Dilma vem
sendo descrita
como a presidente da discrição. Passou o primeiro mês de mandato quase
silenciosa e afeita a reuniões reservadas. Em contraposição à Era
Lula que se manifestava várias vezes ao dia, Dilma mostrou-se
econômica no uso das palavras.
Ao contrário de Lula, que tinha uma relação de amizade e de
informalidade com os petistas próximos, com Dilma o tratamento é
quase protocolar. De acordo com informação de auxiliares da presidente,
destaca a imprensa,
ela procura não fazer distinção entre um ministro petista e um de outro
partido e procura se ater mais aos objetivos traçados para as pastas
dando ênfase na cobrança de números e detalhes de projetos e ações –
característica já conhecida da época da Casa Civil.
Diz-se ainda que, ao contrário de Lula, que fazia festa toda vez
que se encontrava com velhos militantes petistas, Dilma não age
assim. Até porque não teve origem no PT, mas no PDT de
Leonel Brizola. Lula gostava de falar de pescarias, futebol e do
tempo de sindicato. Dilma prefere falar de artes, literatura e
música. Destaca ainda a imprensa que Dilma cobra silêncio de ministros e
assessores diante da mídia e é dura com os auxiliares, não admitindo
dúvidas e respostas que começam com "eu acho".
O estilo Dilma de governar vem se manifestando nas nomeações de
governo e também por ocasião da votação do mínimo. A
dispusta por Furnas
é citada como um dos exemplos do estilo Dilma. A presidenta
não admite disputas
pela mídia nem ter sua autoridade questionada: "Não aceito. Vou dizer de
novo: não, não e não!", disse Dilma sobre as indicações do
deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) não só para Furnas, mas
também para todos os cargos do setor elétrico. Dilma teria ainda
enfrentado o PC do B ao indicar o ex-presidente do Banco Central
Henrique Meirelles para presidir a Autoridade Pública Olímpica. Na
interlocução para as nomeações privilegia os partidos e quem tem força
neles. No caso do PMDB os
interlocutores priveligiados
são José Sarney e Michel Temer.
No caso da votação do mínimo, Dilma teria comandado pessoalmente
toda a estratégia de ação. O recado do líder do governo, Cândido
Vaccarezza (PT-SP), de que “quem votar contra os R$ 545 será
considerado dissidente", seria um recado da própria Dilma Rousseff.
Também teria partido de Dilma o
fim da negociação
e antecipação da votação do mínimo, como ficou manifesto no
recado enviado
pelo negociador Gilberto Carvalho desde Dacar (Senegal).
Ainda segundo a imprensa, a presidente teria ficado irritada com a
postura titubeante do ministro Carlos Lupi. O ministro, da cota
do PDT, não irá cair ao menos no momento, mas sai enfraquecido
junto ao governo.
O silêncio do movimento social
Durante todo o processo de debate e embate do salário mínimo surpreendeu
o silêncio do movimento social, particularmente das forças sociais
comprometidas com a superação da desigualdade na sociedade brasileira.
Um exemplo claro foi o da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
– CNBB. Na mesma quarta-feira, dia 16 de fevereiro, em que o
Congresso votava o salário mínimo de R$ 545,00, o Conselho Episcopal
Pastoral da CNBB (Consep), orgão máximo diretivo da
entidade, abaixo apenas de sua Assembleia, encontrava-se reunido e não
se manifestou sobre o salário mínimo – a principal agenda em pauta no
país.
Os bispos, entretanto,
divulgaram uma nota
no final da mesma tarde em que a poucas centenas de metros se debatia o
salário mínimo, manifestando-se sobre o “baixo nível moral que se
verifica em alguns programas das emissoras de televisão” - citando
especialmente os reality shows “que têm o lucro com seu principal
objetivo”.
A Igreja, e particularmente em seu interior as pastorais sociais,
possuem longa tradição de manifestar-se sobre a realidade do mundo do
trabalho. Em função disso, estranha-se o silêncio. Ainda mais porque o
tema do salário mínimo sempre foi caro ao debate interno no mundo da
Igreja. Basta lembrar as campanhas lideradas, outrora, pela Pastoral
Operária. Aliás, Gilberto Carvalho, foi um dos fundadores da
Pastoral Operária do Paraná, nos idos de 1970, e, depois, atuou como
'liberado' na Pastoral Operária Nacional.
O valor do salário mínimo, como destaca
Raquel Júnia,
aponta “a necessidade de se pensar os direitos constitucionais dos
brasileiros, como o direito à educação e à saúde”. Segundo ela, o valor
que “a Câmara dos Deputados aprovou e vigorará durante todo o ano de
2011 é de apenas R$ 5 reais a mais do que era em 2010, alguns reais a
menos do que pediam algumas das centrais sindicais e exatamente R$
1.649,76 reais a menos do que o Departamento Intersindical de
Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta como o
salário mínimo necessário para garantir as necessidades vitais básicas
dos brasileiros e suas famílias, conforme define a Constituição do
país”.
Destaca ainda que de acordo com o Dieese, cerca de 47 milhões de
brasileiros são remunerados com valores referenciados no salário mínimo
e lembra o texto constitucional que diz que o salário mínimo deve ser
fixado em lei, e deve ainda ser "nacionalmente unificado, capaz de
atender às suas necessidades vitais básicas e às de sua família, como
moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene,
transporte e previdência social, reajustado periodicamente, de modo a
preservar o poder aquisitivo, vedada sua vinculação para qualquer fim".
É exatamente esse conteúdo que sempre foi caro às pastorais que ficou
deixado de lado.
A pressão moderada das centrais
Contraditoriamente, coube às centrais sindicais que sempre foram
acusadas de pouca sensibilidade com a pauta do salário mínimo, e ao seu
jeito, o enfrentamento de contestação ao mínimo do governo. Quando se
afirma “ao seu jeito”, deve-se ter presente que as mesmas
vivem um dilema.
Ao mesmo tempo em que reivindicam o aumento real do salário mínimo para
atender suas bases, descartam afastar-se do governo federal e evitam o
confronto direto com a presidente. O movimento sindical pretende
influenciar os rumos da política econômica da gestão Dilma, mas não quer
perder conquistas dos últimos anos, como o caixa das centrais reforçado
pelo repasse do imposto sindical e a participação no governo.
O resultado foi pressão moderada das centrais. "Não vamos romper. Somos
parceiros e apoiamos Dilma", diz o deputado Paulo Pereira da
Silva, o Paulinho (PDT-SP), presidente da Força Sindical. A
mesma postura teve a CUT que fez o enfrentamento no debate
ideólogico mas evitou “esticar por demais a corda”.
Para o sociólogo Ricardo Antunes, a postura moderada das centrais
deve-se à perda de autonomia das centrais nos últimos anos: "As centrais
dependem do governo e estão cooptadas. Contestam o reajuste sem
confrontar o governo, porque querem participar dele, aumentar o espaço
do 'trabalho' [no Planalto]", diz.
Que esquerda?
O Partido dos Trabalhadores – PT
apresentou resolução
defendendo o mínimo de menor valor. A Central Única dos Trabalhadores –
CUT moderou o enfrentamento. O Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra – MST sequer se manifestou. A CNBB e
as pastorias sociais também passaram ao largo do principal debate no
último mês e meio. A votação do salário mínimo evidencia uma esquerda
errática, confusa e perdida.
Em outros tempos, essas mesmas forças sociais não teriam titubeado e
teriam sido enérgicas na crítica ao aumento insignificante do mínimo.
Lideranças expressivas do movimento social, como Vicentinho
(ex-presidente da CUT) e Gilberto Carvalho, entre tantos,
esgrimam argumentos para justificar o que em outros tempos teriam
duramente criticado.
Nesses mesmos dias de intenso debate sobre o salário mínimo e inversões
de posicionamento, outro fato conjuntural que passou despercebido por
muitos aconteceu na esplanada dos ministérios: a audiência entre
caciques e lideranças ribeirinhas com os representantes do governo
Federal para debater a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte.
Uma foto que fala
O
relato da audiência
feito pelo jornalista Leonardo Sakamoto é esclarecedor por si só.
Reproduzimos trechos do relato:
“Raoni
Metuktire
fez um longo discurso em kayapó sobre o fato do governo mexer com o que
não conhece e derrubar matas para depois ficar refém de ventos e chuvas
que tudo inundam e com tudo acabam. O dedo de Raoni esteve por
longos minutos no nariz de Sotilli [Rogério Sotilli, secretário
executivo da Secretaria Geral da Presidência].
- “Fico triste em ouvir críticas aos governos Lula e Dilma”,
disse Sottili. “Lula prometeu que não enfiaria Belo Monte
goela abaixo das populações do Xingu. Sempre ouvi dizer que houve muito
diálogo. Talvez, com o que vocês dizem agora, não foi tanto assim…” –
ponderou. Prometeu que, a partir de agora, estarão garantidos os
diálogos.
Mas depois adiantou o que esperar das conversas: “Dilma fará o
que tem que ser feito” E: “Dilma tem que pensar o Brasil como um
todo, atender todos os interesses, incluir toda a nação…” E mais ainda:
“Garanto que vamos dialogar, mas claro, podemos não chegar a um
consenso”.
Pouco depois, lá fora, no concreto da praça dos Três Poderes, debaixo de
um sol de rachar, caciques e lideranças ribeirinhas prestaram contas aos
manifestantes reunidos com faixas e cartazes. Algo do tipo: o povo do
governo explicou que dialogar significa que a gente tem o direito de
falar, eles vão ouvir mas, no final, a gente vai ter que sair das nossas
terras de qualquer jeito".
Conjuntura da Semana em frases
Salário Mínimo
“A decisão da presidente Dilma Rousseff de declarar encerradas as
negociações com as centrais sindicais e os partidos da base sobre o
reajuste do salário mínimo de 2011 - fincando pé no valor fixado de R$
545 - é uma demonstração de autoridade e coerência política. Não é pouca
coisa para quem tem léguas a percorrer na construção de um estilo de
liderança pessoal que resgate a sua imagem da sombra do seu padrinho e
grande eleitor Luiz Inácio Lula da Silva” –
editorial
“O estilo de Dilma no caso do mínimo” – O Estado de S. Paulo,10-02-2011.
Vida ou morte
“Essa votação é vida ou morte. Sinaliza austeridade num tema que é
popular. O simbólico é mais importante” –
José Mentor,
deputado federal – PT-SP, sobre a votação do salário mínimo – O
Globo, 09-02-2011.
Calculadora do inimigo
“Num país que precisa crescer extraordinariamente a ortodoxia econômica
pode ser uma distração. Um governo cuja prioridade declarada é eliminar
a miséria do país não pode fazer isso usando uma contabilidade
convencional, ou a calculadora do inimigo” -
Luís Fernando Verissimo,
escritor – O Estado de S. Paulo, 17-02-2011.
Vilão
"Queria deixar claro que aqui não tem a ala boazinha nem a ala malvada.
É todo mundo governo" –
Guido Mantega,
ministro da Fazenda, na reunião com as centrais sindicais que contou com
a presença dos ministros Gilberto Carvalho (secretaria geral da
Presidência) e Carlos Lupi (Trabalho) - Folha de S.Paulo,
05-02-2011.
18 dias
"Para ganhar, a gente teria de dormir 18 dias na praça" –
Paulo Pereira da Silva,
presidente da Força Sindical e deputado federal – PDT – SP, sobre a
votação do salário mínimo, ontem, na Câmara – Folha de S. Paulo,
17-02-2011.
Figurino
"Estou adorando esta sua camiseta de sindicalista. Só falta o capacete"
-
Paulo Teixeira,
líder do PT, provocando o colega do DEM, ACM Neto (BA), defensor dos R$
560 – Folha de S. Paulo, 17-02-2011.
Outdoors
“O PSDB vai espalhar, estes dias, outdoors nas grandes cidades com os
nomes dos deputados do PT que votaram contra o aumento do salário
mínimo. Igual ao que o PT fazia nos tempos de oposição” –
Ancelmo Gois,
jornalista – O Globo, 17-02-2011.
Jornal
"Se o PDT votar pelos R$ 560, o Lupi vai voltar a vender jornal" –
Sílvio Costa
(PTB-PE), deputado federal. Antes de entrar na política, Lupi era dono
de banca de jornal no Rio de Janeiro – O Estado de S.Paulo,
16-02-2011.
Feeling
" A relação da presidente com o Congresso dependerá da relação dela com
a rua. Se o país estiver bem, o Congresso estará bem. O Congresso tem um
‘feeling’ perfeito e não joga contra quem está bem com a sociedade" -
Jaques Wagner,
da Bahia - PT - Valor, 15-02-2011.
Orçamento
“A ideia, discutida na reunião de coordenação do governo, é que os
ministros sofram calados” –
Renata Lo Prette,
sobre corte de R$ 50 bilhões no Orçamento de 2011 – Folha de S.Paulo,
15-02-2011.
Papagaio
“Papagaio velho não aprende a falar” –
ministro referindo-se a Paulo Paim,
senador – PT-RS, que insiste em negociar um valor maior para o salário
mínimo – O Globo, 12-02-2011.
Charme
“Do jeito que a coisa vai, Dilma pode chegar ao fim do ano mais
candidata a unanimidade do que o próprio padrinho Lula. Os bancos estão
saciados, os economistas, crédulos, e a população não reclama. A
imprensa nacional é cheia de elogios, a internacional já badala até o
seu "charme" –
Eliane Cantanhêde,
jornalista – Folha de S. Paulo, 18-02-2011.
"Amiga, amiga..."
“Feliz da vida com o apoio total do PMDB ao governo na votação do
salário mínimo, Dilma Rousseff pretende seguir adiante na política de
adestramento do principal partido de sua base aliada. Quer ensiná-lo
agora a dar a patinha e se fingir de morto” –
Tutty Vasques,
humorista – O Estado de S. Paulo, 18-02-2011.
Qual é...
"Já são vários os casos de grandes empresários que tentaram e ainda não
conseguiram ser recebidos por Dilma no Planalto. De tanto insistir, um
deles, frequentador do palácio na era Lula, foi aconselhado por
auxiliares da presidente a dar um tempo" -
Renata Lo Prete,
Folha de S. Paulo, 13-02-2011
...o assunto?
"Ela não recebe pessoas. Ela recebe pautas" - um
antigo observador
dos modos de Dilma - Folha de S. Paulo, 13-02-2011.
Falar bem...
“Falar bem de Dilma pode ser uma maneira sutil de continuar falando mal
de Lula. Em suma: muitos dos elogios feitos não são para Dilma, mas
contra Lula” –
Zuenir Ventura,
escritor – O Globo, 12-02-2011.
Adorando
"Estou adorando Dilma. Lula era muito show business. Dilma mandou
guardar a Bíblia e o crucifixo, adiou a decisão sobre a compra dos
caças, portou-se magnificamente bem na Argentina” –
Caetano Veloso,
compositor e músico – O Globo, 06-02-2011.
Diferentes
“Não tem modelo pior ou melhor. São estilos muito diferentes. O Lula era
palanqueiro e Dilma, não” - José
Eduardo Dutra,
presidente nacional do PT – O Globo, 06-02-2011.
Ética
"A ética para mim não tem sido só palavras, mas exemplo de vida inteira"
–
José Sarney,
eleito pela 4ª vez presidente do Senado – Folha de S.Paulo,
02-02-2011.
Tarifa
“Desde 2006, a tarifa aumentou 50%, enquanto a inflação do período foi
de 30%. Atualmente, até a parcela de uma motocicleta pode ser mais
barata que o gasto mensal com a passagem de ônibus” –
Lucas Monteiro de Oliveira e Nina Cappello Marcondes,
militantes do Movimento Passe Livre, sobre o aumento da tarifa de R$
2.70 para R$ 3,00 em São Paulo – Folha de S.Paulo, 16-02-2011.
Pelé no banco de reservas
“Homem forte de Lula mantido no governo Dilma, Gilberto Carvalho dizia
orgulhoso no início do ano: "Temos um Pelé no banco de reservas". O jogo
mal começou e o rei já quer matar a bola no peito” –
Fernando de Barros e Silva,
jornalista – Folha de S. Paulo, 09-02-2011.
Xingu
“O Parque Indígena do Xingu talvez seja o maior patrimônio do Brasil
hoje. Mais valioso que todo o petróleo, soja, carne, ferro que tiramos
do nosso solo, ou todo automóvel, motocicleta, geladeira que fabricamos”
–
Cao Hamburger,
cineasta, diretor do filme "Xingu" – Folha de S.Paulo,
06-02-2011.
“O que está protegido ali é um novo paradigma de como o ser humano pode
e deve viver. Se nossos dirigentes tivessem interesse em entender a
cultura dos indígenas, abortariam qualquer projeto que os ameaçasse,
como Belo Monte” –
Cao Hamburger,
cineasta, diretor do filme "Xingu" – Folha de S.Paulo,
06-02-2011.
Água mole
"O que está acontecendo no Egito é simples: água mole em pedra, dura
tanto bate até que fura. Chegou uma hora em que o povo falou: "Eu
existo, quero participar" -
Luíz Inácio Lula da Silva,
ex-presidente da República - Folha de S. Paulo, 08-02-2011.
Pirâmide social invertida
“E diz que a pirâmide social do Egito é de cabeça pra baixo!” –
José Simão,
humorista – Folha de S.Paulo, 02-02-2011.
Agito
“E o Egito? O Egito mudou de nome pra AGITO!” –
José Simão,
humorista – Folha de S.Paulo, 01-02-2011.
Dignidade
"As pessoas querem liberdade e o fim desse sistema atolado em corrupção.
Trata-se acima de tudo de uma luta pela nossa dignidade" –
Ghian Fadel,
30 anos, atriz, sobre a manifestação do povo egípcio – Folha de
S.Paulo, 02-02-2011.
Alarmante
"O número de suicídios tentados e consumados na cidade de São Paulo
cresceu nada menos que 62,8% nos últimos dez anos, segundo dados do
Ministério Público. Em 2000, de acordo com os boletins de ocorrência da
capital, foram registrados 581 casos. Ano passado, o número pulou para
946: uma triste média de quase três mortes por dia.No mesmo período, a
população da cidade cresceu apenas... 5,78%, como mostra o IBGE" -
Sonia Racy,
jornalista - O Estado de S. Paulo, 08-02-2011.
Alarmante 2
"Mauricio Lopes, promotor do júri, investigará as regiões da cidade mais
sensíveis a este tipo de morte. Agora por meio da Promotoria de
Habitação e Urbanismo, onde se encontra. Pretende analisar ofertas
públicas de lazer, saúde e convivência social à disposição da população.
"Esta cidade está matando as pessoas de infelicidade", avalia -
Sonia Racy,
jornalista - O Estado de S. Paulo, 08-02-2011.
Porto Alegre
“Sou partidário de que o próximo FSM seja em Porto Alegre por uma razão
muito prática. O Fórum tem uma cultura ainda muito precária e a desordem
relativa deste ano é um golpe forte para ele. Por isso seria necessário
que o próximo funcionasse como um relógio, com tradução e programa” -
Eduardo Lander,
sociólogo venezuelano, um dos organizadores do FSM de Caracas – O
Globo, 14-02-2011.
Bullying
"E a última, ops, a penúltima do Sarney. Influenciado pelo Ronaldo,
Sarney confessa: "Tenho uma doença chamada HIPERNEPOTISMO!". Então
ninguém pode falar mal. É como o Ronaldo! Agora fazer piada de gordo com
o Ronaldo é "bullying"! Há um mês, pichavam nos muros: Ronaldo Gordo.
Agora é "bullying". E dizer que o Sarney nomeia a parentada é
"bullying"" -
José Simão,
humorista - Folha de S. Paulo, 18-02-2011.
Despedida
“Ao ‘se matar’ ontem à tarde, o Fenômeno angariou simpatia quase
unânime. Parecia querer repetir o efeito obtido pelo presidente Getúlio
Vargas ao se suicidar em 1954” –
Rodrigo Mattos,
jornalista – Folha de S.Paulo, 15-02-2011.
Sucesso e fracasso
"O sucesso do governo Dilma é o meu sucesso. O fracasso de Dilma é o meu
fracasso" -
Luiz Inácio Lula da Silva,
ex-presidente da República - O Estado de S. Paulo, 11-02-2011.
Volta à realidade
"QUE GENTE TODA É ESSA NO NOSSO AVIÃO?" Dona Marisa Letícia, ao embarcar
ontem com Lula no primeiro voo comercial do casal nos últimos 8 anos” –
Tutty Vasques,
humorista – O Estado de S. Paulo, 10-02-2011. |