Conectado fora do twitter

Por Gibran Lachowski

 

O discurso pró-internet é muito forte na rede e nas mídias tradicionais (tv, rádio, jornal, revista). De cinco anos para cá – calculo – virou algo incomum não perceber uma espécie de ode à interatividade virtual. E os elogios partem de todos os lados.   

As juventudes de periferia e classe média que querem curtição, oportunidade de emprego, informações para pesquisas de escola e faculdade. As gentes de inúmeras tribos, orientadas por gostos, fetiches, doenças, preconceitos, ídolos, habilidades, estilos e tudo o mais. Os militantes de carteirinha, que enxergam na via digital o caminho para vazar dados cerceados ou minimizados pelos meios convencionais. E tem muito mais.

Contudo, há algo que une essa plêiade de humanos, a saber, a possibilidade que a internet disponibiliza se de transmitir e dialogar pela conta própria de quem se conecta, digamos assim.

No entanto, não é pelo fato de fazer parte de algumas redes sociais, ter um blogue ou simplesmente acessar a internet diariamente que uma pessoa concorda com e ressoa essa visão.

 

Limitações

Deve haver espaço, sim, para questionar o tipo de interatividade possível de se desenvolver na rede. Afinal, a conexão entre internautas em ambiente virtual não permite, por natureza epistemológica, o contato físico, a comunicação interpessoal.

Caso o diálogo extrapole as telas de computadores, tem-se uma conexão mista, virtual-pessoal, mas que é algo diferente da interatividade contida na esfera digital.

Isso mostra ser plenamente realista e atual viver bem sem depender diretamente da internet e até mesmo ter uma digna existência fora dela. Que o diga o ator Wagner Moura, protagonista dos filmes “Tropa de Elite I e II”. Ele se auto-declarou em setembro de 2010 em entrevista ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura (SP), um ser fora da rede, que não twitta, não tem orkut, facebook...

E olha que o rapaz participou da obra cinematográfica brasileira com maior público no país até hoje (cerca de 10 milhões de espectadores). Além disso, a formação de milícias policiais com funcionários da segurança pública é assunto “chapa quente”, visceral, diário, polêmico. 

Diante do quadro, muitas pessoas deduziriam que Moura se manifestasse constantemente via redes sociais para garantir vínculo com seu grande público. Todavia, ele faz o contrário, e vive.

 

Ele também

Arnaldo Jabor, cronista e diretor de cinema, segue a mesma toada do nosso “Capitão Nascimento”. Porém, enquanto o ator não critica quem seja vidrado em internet, o outro desce a peia no discurso que defende a inserção em redes sociais como uma obrigatoriedade.

Confira  http://www.otempo.com.br/otempo/colunas/?IdEdicao=1469&IdColunaEdicao=10007 .

Jabor diz que não gosta de se comunicar virtualmente. Considera distante e superficial tal procedimento. Também por conta da facilidade de mentir ser alguém que não é. O diretor já se tornou “autor” de textos que nunca escreveu com ideias das quais discorda absurdamente. Com ar de romantismo, ele afirma que gosta da vida como ela é, entre pessoas, sem intermediários digitais.

 

Autoritarismo libertário

Bem longe, aqui, de assegurar que Jabor e Moura estejam certos e todo o mundo virtualizado, ao contrário, seja movimentado por um contingente de pensamento unilateral, “maria-vai-com-as-outras”, que não enxerga um clique à frente. Entretanto, as práticas e discursos dos dois nos indicam potência autoritária presente também nas tecnologias mais modernas e libertárias.

E viva o “bucolismo” (risos)!

 

* Gibran Lachowski é jornalista, professor e coordenador do curso de Comunicação da Faculdade Cenecista de Rondonópolis. E tem o bloguedogibran.blogspot.com  







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