Ter um blog
*
Por Gibran Lachowski
Vê-se por aí tais ferramentas com inúmeros conteúdos, muitos deles
orbitando nas levadas mais pessoais e íntimas possíveis.
Também existem, aos montes, os blogues explicitamente doutrinários,
alguns de partidos, movimentos e outras agremiações. É um despejo só.
Cartilha e mais cartilha. Nesses, a participação com comentários é quase
nula, e os que aparecem têm de ser estritamente condizentes com o
pensamento implantado. Se aparecer um escrito que questione o que está
escrito, é briga na certa. E há muito mais, de tantos tipos.
Momentos do dia-a-dia
Nem todo dia ocorre golpe da CIA contra o governo da Venezuela (como em
2001), “ocupação” da polícia no Morro do Alemão (RJ, 2010) ou movimentos
pró e contra Ahmadinejad com explicita disputa nas ruas (2010). Afinal,
sabemos que são em eventos como esses que os blogues ganham força
enquanto formas de denunciar opressões e mostrar os outros lados da
realidade.
Contudo, bem ao contrário, a postagem de fotos, textos e imagens em
movimento pode ser importante para o dia-a-dia. Que tal a filmagem de um
esgoto a céu aberto que passa perto de uma montoeira de casas e
atrapalha as vidas de mães, pais, crianças, avós e tudo o mais?
Ou uma sequência de fotos e textos sobre uma reunião do prefeito no
centro comunitário de um bairro que há muito cobra iluminação pública
decente? Ou então, um conjunto de depoimentos de estudantes descontentes
com a postura autoritária e extremamente monetária de uma escola
tradicional da cidade?
Nesse sentido, o blogue potencializa as angústias, vontades,
criatividade e todos os parentes da Ousadia e da Indignação. E pode
funcionar porque é mais barato que imprimir. Lógico que é preciso ter
máquina fotográfica (ou saber de quem emprestar; ou ainda recorrer a
imagens captadas da própria rede), computador e acesso à internet (de
lan house serve).
Antes disso, entrar num desses sites que fazem blogues e montar um.
Porém isso também se torna cada vez menos incomum. Os comandos são
razoavelmente simples e em pouco tempo, sem muito zelo, se elabora um.
Em que time você joga?
A criação do Plano Nacional da Banda Larga deve amplificar o uso da
conexão realidade\virtualidade. Em tese, o programa pretende garantir
acesso à internet a R$ 35 à população de baixa renda e moradora dos
locais mais longínquos deste país.
Ainda assim, e justamente por isso, não faltará quem clame por uma
relação mais crítica, mais reflexiva e questionadora, menos boba, menos
consumista e “seguidora”. Eu ainda não defini em que time estou,
entretanto tentarei de todas as formas não repetir (comigo e com os
outros) a conduta doutrinária tão presente nas mentes de tanta gente com
boas intenções.
* Gibran Lachowski é jornalista, professor e coordenador do curso de
Comunicação da Faculdade Cenecista de Rondonópolis. E tem o
bloguedogibran.blogspot.com |