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Seis anos depois do assassinato de Dorothy, conflitos continuam
No mês de janeiro, conforme foi noticiado pela imprensa nacional, os
assentados do PDS Esperança, onde Dorothy foi morta, bloquearam as
estradas que davam acesso à área, para impedir a continuidade da
retirada ilegal de madeira. Com esta ação os assentados pretenderam
chamar a atenção das autoridades para a completa falta de fiscalização e
controle dos órgãos públicos na região.
Na realidade os interesses do capital e dos grupos que assassinaram Irmã
Dorothy continuam presentes. Destacam-se, sobretudo, as madeireiras que
envolvem e cooptam organizações de trabalhadores, como sindicatos, para
defender a exploração da madeira. A estratégia para isso foi a
infiltração, no PDS, de famílias que não participaram da luta para a
construção do mesmo e, portanto, alheias ao espírito e aos princípios
que nortearam sua criação. Estas abriram brechas no PDS para a derrubada
e retirada de árvores da floresta. Com isso, as madeireiras, com a
participação da direção do sindicato, conseguiram semear o confronto e a
discórdia entre os próprios trabalhadores. Isso ficou explícito nos dias
de maior tensão em janeiro. Para manifestar sua contrariedade pela ação
dos asssentados do PDS, o sindicato dos trabalhadores rurais junto com
outras entidades bloqueou a Transamazônica, acusando os agentes da CPT
de serem os responsáveis pela ação dos assentados e até exigindo seu
afastamento da região.
A realização de uma Audiência Pública, em 25 de janeiro, da qual
participaram representantes de diversos órgãos públicos estaduais e
federais e que reuniu mais de 1.000 pessoas, tentou amenizar as tensões
com a promessa de serem atendidas as reivindicações dos assentados.
Os interesses econômicos, com seu olhar focado exclusivamente no lucro,
recusam-se a ver outras dimensões e valores da natureza e utiliza
diversos estratagemas para minar a resistência popular, inclusive
jogando trabalhadores contra trabalhadores.
O próprio governo é refém desta visão economicista, à medida em que
apoia declaradamente o agro e hidronegócios e a mineração na Amazônia e,
a qualquer custo, quer impor seus grandes projetos de infraestrutura
para dar sustentação à exploração econômica. É o caso da construção de
hidrelétricas, como a de Belo Monte, que mesmo diante de todos os
argumentos contrários, vai sendo levada adiante, sem mesmo observar o
que ditam as leis.
A Coordenação Nacional faz um apelo veemente às autoridades deste país.
O sangue vertido por irmã Dorothy clama para que a vida e os interesses
das comunidades ribeirinhas e das florestas esteja acima dos interesses
econômicos. Um desenvolvimento harmonioso, respeitando a natureza e suas
riquezas e as comunidades indígenas e camponesas, precisa ser colocado
como horizonte de um país novo e justo, sem violência.
A Coordenação Nacional da CPT
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