CENTRO BURNIER FÉ E JUSTIÇA INFORMA:
Boletim virtual - Número 04 (junho de 2010) – Cuiabá (MT)
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EDITORIAL
Um em cada seis habitantes do planeta passa fome, segundo as últimas
estimativas da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e
Alimentação (FAO). Para a gente não gelar na frieza dos números, para melhor
entender isso e levar ao campo da indignação, é só pensar que, enquanto
alguns estão saboreando um saudável café da manhã ou um delicioso almoço,
quem sabe uma bela sopa de legumes e carne ou um lanche, mais de um bilhão
de pessoas, em alguma parte do planeta, sentem a dor do estômago vazio,
rastreiam comida no lixo, estendem a mão por um prato.
Quem passou por isso – a fome - garante que se trata de um dos piores
traumas para o humano.
São números assustadores, não é?
Uma das causas dessa situação é a desigualdade no campo, a concentração de
terra. Pense nisso.
FRASE
“Não há vida sem correção, sem retificação.”

Paulo Freire,
(Recife,
19 de setembro
de
1921
—
São Paulo,
2 de maio
de
1997)
educador
e
filósofo,
referência brasileira na educação popular e transformação de povo. Ícone da
pedagogia crítica.
CHARGE – A tão sonhada paz...

REFORMA AGRÁRIA
MS e MT lideram ranking nacional em concentração de terra
Foto: Sebastião Salgado

Os dois estados, que eram um só até 1977, ainda são símbolo do latifúndio no
país
Mato Grosso ocupa o segundo lugar em concentração de terra entre todos os
estados do país, conforme cartilha sobre limite da propriedade rural no
Brasil, lançada, em junho deste ano, pelo Fórum Nacional pela Reforma
Agrária e Justiça no Campo.
Mais de 8.428 propriedades estão acima dos 35 módulos fiscais, teto proposto
pelo Fórum. Isso significa que 69% das áreas estão concentrados em fazendas
com mais de 3.500 hectares. Isto quer dizer que teríamos quase 50 milhões de
hectares para Reforma Agrária em Mato Grosso, não fosse o latifúndio.
“O módulo fiscal é uma referência, estabelecida pelo Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária (Incra), que define a área mínina suficiente
para prover o sustento e a vida digna de uma família de trabalhadores e
trabalhadoras rurais”.
Mato Grosso do Sul ocupa o primeiro lugar em concentração de terra, com 75%
das propriedades rurais acima do limite compreendido como justo.
Esses dados denotam o tamanho da desigualdade agrária nos dois estados, que,
até 1977, eram um só.
Para Gilberto Portes, secretário executivo do Fórum, “os dois Matos são a
simbologia do latifúndio no país”. Revelar isso com clareza para a sociedade
mato-grossense é de extrema importância. “Eu tenho a certeza de que muitas
pessoas não se dão conta desse disparate, mas agora vão saber”.
Leia mais:
http://www.centroburnier.com.br/2010/05jun/08_mt_ms_maior_concentracao_terra.html
PLEBISCITO
Militância se organiza em MT para viabilizar consulta pública
No dia 23 de junho, o Fórum de Lutas Permanentes se reuniu na Igreja do
Rosário para fortalecer a articulação dos movimentos sociais no sentido de
garantir a realização do plebiscito sobre limite de propriedade, que vai
acontecer em todo o país de 1 a 7 de setembro, semana da independência. O
plebiscito é uma consulta pública, para que o povo diga o que pensa e quer
sobre determinado assunto.
Neste caso, a intenção é orientar políticas públicas que reduzam a
concentração de terra.
Dia 21 de julho, as entidades serão novamente convocadas para outra reunião,
com a intenção de montar o Fórum Estadual pela Reforma Agrária e Justiça no
Campo.
Leia mais:
www.limitedaterra.org.br
LUTO
Morre José Saramago
Faleceu, aos 87 anos, no dia 18 de junho, de complicações pulmonares o ícone
da literatura portuguesa e da resistência comunista, José Saramago.
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http://www.centroburnier.com.br/2010/05jun/18_morre_saramago.html

Leia também:
Saramago: a fé do centurião
http://www.centroburnier.com.br/2010/05jun/21_saramago_fe_centuriom.html
Saramago e o seu Jesus muito humano
http://www.centroburnier.com.br/2010/05jun/21_saramago_jesus_humano.html
Saramago: em luta titânica contra Deus
http://www.centroburnier.com.br/2010/05jun/21_saramago_luta_contra_deus.html
Vaticano chama Saramago de “populista extremista”
http://www.centroburnier.com.br/2010/05jun/21_vaticano_saramago_popolista.html
Saramago, um companheiro de todas as horas dos sem terra
http://www.centroburnier.com.br/2010/05jun/21_saramago_camadadaterra.html
ARTIGO
É sempre bom lembrar…
Por Keka Werneck
Recentemente vi o filme “Invictus” (2009), dirigido por Clint Eastwood, em
que Morgan Freeman, incorpora Nelson Mandela com perfeição. Belo filme!
“Invictus” mostra o apartheid sul-africano, que, para quem ainda não sabe,
trata-se do regime de segregação racial adotado legalmente em 1948 pelo
agora país da Copa do Mundo 2010.
Portanto, entre um jogo da Copa e outro, assista o filme, que traz
informações muito importantes, mesmo nessa hora de torcida.
O apartheid manda que os brancos fiquem de um lado, com as regalias das
elites, no caso da África do Sul a inglesa; e os negros de outro,
marginalizados, entregues à sorte. Esse regime foi abolido, formalmente, em
1990, com a convocação de eleições presidenciais. Mandela, após 27 anos de
prisão política, assume a presidência.
Por que o filme "Invictus" é uma boa sugestão em época de Copa?
Leia mais:
http://www.centroburnier.com.br/2010/05jun/16_bom_lembrar.html
TRABALHO ESCRAVO 1
Governo americano reconhece frei da CPT como herói na luta contra o trabalho
escravo
Frei Xavier Plassat participa, em Washinghton, de lançamento do relatório
anual “Tráfico Internacional de Pessoas”

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http://www.centroburnier.com.br/2010/05jun/15_gov_amer_frei_luta_trab_escrav.html
TRABALHO ESCRAVO 2
MPT pede a condenação da fazendeira Janete Riva

Leia mais:
http://www.prt23.mpt.gov.br/noticias/noticia_detext.php?seq=2831
MEIO AMBIENTE
Brasil seguirá usando agrotóxico banido
Agrotóxicos proibidos em vários países e já vetados no Brasil pelo
Ministério da Saúde devem continuar a ser usados em alimentos comuns da mesa
do brasileiro, como arroz, feijão e tomate.
No final de 2009, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)
decidiu banir cinco agrotóxicos ligados a problemas como câncer e
má-formação fetal: triclorfom, cihexatina, acefato, endossulfam e
metamidofós, estes três últimos encontrados em alimentos no país.
Pela indicação do órgão do Ministério da Saúde, o uso seria diminuído
gradativamente até que as substâncias fossem totalmente eliminadas no final
do ano que vem.
Leia mais:
http://www.centroburnier.com.br/2010/05jun/21_agrotoxicos_uso_por_pessoa.html

Pimentão é recordista em uso de agrotóxicos
O pimentão foi o alimento que apresentou o maior índice de irregularidades
para resíduos de agrotóxicos, durante o ano de 2008. Mais de 64% das
amostras de pimentão, analisadas pelo
Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA)
(PDF)
da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), apresentaram
problemas. O morango, a uva e a cenoura também apresentaram índices elevados
de amostras irregulares, com mais de 30% cada..br/2010/05jun/21_agrotoxicos_uso_por_pessoa.html
Leia mais:
http://www.centroburnier.com.br/2010/05jun/18_anvisa_alimentos_agrotoxicos.html
CULTURA E FÉ
Videofórum faz mais três sessões e entra em fase final
O videofórum “As Religiões do Mundo e a Ética Global”, realizado pelo Centro
Burnier Fé e Justiça (CBFJ), em parceria com
o Instituto Humanitas Unisinos (IHU),
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic) e o movimento Círculo da Paz,
realiza no mês de junho mais três sessões sobre o Budismo, Hinduísmo e
Religiões Tribais e entra em fase final. No mês de julho, vão falar sobre
Religiões Afro-brasileiras, o professor João Bosco, no dia 01, e Religiões
Indígenas de Mato Grosso, a mestre Darlene Taukane, no dia 8.


Evento conserva público cativo. Ivan Deus, da Associação Meditar de Cuiabá,
falou sobre Budismo; a professora doutora da UFMT, Darcy Gomes Neto, sobre o
Hinduísmo; e o pastor luterano Teobaldo Witter, mestre em Teologia, sobre as
Religiões Tribais
Leia mais:
Budismo
http://www.centroburnier.com.br/2010/05jun/14_budismo_vedeoforum.html
Hinduísmo
http://www.centroburnier.com.br/2010/05jun/18_video_forum_induismo.html
Religiões Tribais
http://www.centroburnier.com.br/2010/05jun/29_religioes_tribais.html\
MÍDIA
Jornalista é agredida por vereador com um tapa na cara em Pontes e Lacerda.
Essa é uma questão de gênero?
Leia nota emitida pelo Sindjor-MT e veja o vídeo da agressão:
http://sindicatodosjornalistasmt.blogspot.com/2010/06/sindjor-mt-emite-nota-de-repudio-em.html
JUSTIÇA PARA TODOS
Quem recebe menos de 3 salários tem direito a advogado público
Essa regra pode ser flexibilizada, dependendo da situação, porque a função
da Defensoria Pública é garantir defesa
Um paciente de 26 anos do Sistema Único de Saúde (SUS) precisa fazer um
Tratamento Fora de Domicílio (TFD). Está perdendo a visão e, contra isso, só
implantando um Anel de Ferrara no olho. Essa técnica nova é desenvolvida em
Belo Horizonte, Minas Gerais. Não tem em Mato Grosso. Com a urgência de quem
pode ficar cego, o paciente, ao invés de aguardar o tempo burocrático do
Estado, o que pode comprometer suas chances de controlar a doença ocular
(ceratocone), buscou a Defensoria Pública para agilizar a viagem e a
cirurgia.
Mas o que é a Defensoria Pública?

Leia mais:
VÍDEO
Mercedes Sosa – Como La Cigarra

IGREJA
Jesuítas definem seis prioridades de atuação na 20ª Assembleia da CPAL
Jesuítas, reunidos na 20ª Assembleia da Conferência dos Provinciais Jesuítas
da América Latina (CPAL), realizada entre 25 e 29 de maio deste ano na
Guatemala, aprovaram seis prioridades, que vão orientar o Projeto Apostólico
Comum (PAC) nos próximos 10 anos.
Leia mais:
http://www.centroburnier.com.br/2010/05jun/07_cepal_prioridades.html
SINDICALISMO
Viana transmite presidência da CUT-MT a Dourado
O professor Júlio Viana transmitiu o cargo de presidente da Central Única
dos Trabalhadores em Mato Grosso (CUT-MT) ao bancário João Dourado, no dia
28 de junho, de manhã, no auditório do Sindicato dos Bancários de Mato
Grosso.
Viana, que foi eleito no Congresso Estadual da CUT (CECUT), em maio deste
ano, está se desligando da Central, porque será candidato a deputado
estadual pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Dourado assume uma base
estadual que reúne 52 sindicatos filiados, o que concentra em torno de 300
mil trabalhadores de diversas áreas. Conforme Dourado, seu desafio é
organizar os trabalhadores em torno de dois projetos: dialogar com a
sociedade neste ano eleitoral orientando para projetos de desenvolvimento
que interessem à classe trabalhadora e ampliação da base cutista, dentro do
Projeto de Ação Sindical, o PAS.
Leia mais:
http://www.centroburnier.com.br/2010/05jun/29_cut_posse_joaodourado.html
DIREITOS HUMANOS
Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro aprova lei contra tortura
Entre os pontos, o PL cria um Comitê e um Mecanismo de Prevenção à Tortura
para garantir o monitoramento das condições em carceragens policiais,
presídios, unidades sócio-educativas e manicômios
Da redação/Caros Amigos
A Alerj (Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) aprovou na
terça-feira, dia 22 de junho, um projeto de lei que soma esforços na luta
contra a prática de tortura no país. Ratificada com 53 votos a favor e
apenas três contrários (e uma abstenção), o PL cria um Comitê e um Mecanismo
de Prevenção à Tortura no Estado do Rio de Janeiro. A medida busca garantir
o monitoramento permanente das condições em carceragens policiais,
presídios, unidades sócio-educativas e manicômios.
A expectativa é que o PL, de autoria do deputado estadual Marcelo Freixo
(PSOL), seja sancionado em breve.
Leia mais:
www.carosamigos.com.br
ENTREVISTA - SÓCRATES
“Nós, brasileiros, somos completamente diferentes do que foi escolhido para
a seleção”

Participaram: Bárbara Mengardo,
Gabriela Moncau, Hamilton Octavio de Souza, Kyra Piscitelli, Lúcia
Rodrigues, Otávio Nagoya, Paulo Matavelli, Wagner Nabuco, Renato Pompeu,
Tatiana Merlino. Fotos Jesus
Carlos.
Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, o doutor Sócrates,
ficou longe de ter sido um jogador de futebol padrão. Mesmo jogando
profissionalmente, nunca deixava de fumar e tomar uma cervejinha. Afinal,
entrou no esporte meio que por acidente, na mesma época em que cursava
Medicina na USP de Ribeirão Preto.
Para completar o perfil antítese do boleiro, “Magrão” era altamente
contestador. Fazia política. Não à toa, foi um dos principais líderes da
Democracia Corinthiana, movimento que abalou as estruturas do futebol e, por
que não, da sociedade brasileira, no início da década de 1980, quando a
ditadura agonizava.
Nesta entrevista, Sócrates fala de política, ideologia e, como não poderia
deixar de ser, da convocação da seleção brasileira pelo técnico Dunga. Para
ele, o Brasil que vai a Copa não tem nada a ver com o povo brasileiro. “Como
eu vou ser pragmático se eu vivo de emoção, se eu vivo de paixão, vivo de
amor? É abrir mão da vida. É uma opção pessoal do Dunga, mas não tem nada a
ver com o Brasil, com a nação brasileira”. Sim, o craque da seleção nas
Copas de 1982 e 1986 gosta mesmo é de futebol-arte. Afinal, “Ganhar não vale
nada. O importante é ser feliz”.
Hamilton Octavio de Souza – A gente costuma começar o bate-papo falando da
vida da pessoa. Fale um pouco de você, onde você nasceu, onde foi criado.
Sócrates –
Bom, sou filho de um cearense maluco que inventou de mudar para fazer o seu
próprio destino e nos ofereceu uma chance de estudar, ler e aprender. Mas eu
nasci no Pará, a minha mama é paraense.
Hamilton Octavio de Souza – De Belém?
De Belém do Pará. Meus pais moravam em Igarapé Açu, mas acabei nascendo na
Santa Casa de Belém. Aí, por causa dessa loucura do velho, que virou
funcionário público sem ter nenhuma condição para tal e entrou num concurso
que só ele era candidato, nós viemos para o sul. Eu fui criado em Ribeirão
Preto.
Aliás, o Raí nasceu em Ribeirão, por isso ele tem o beiço grande. Já é a
fase do contra-filé mesmo. Eu sou da fase sem filé. Nasci ainda na fase ruim
economicamente da família. E daí para frente é só invenção.
Hamilton Octavio de Souza – São quantos irmãos?
Somos seis, cinco homens e o Raí. Porque o Raí é diferente, todas as
mulheres querem o Raí. O resto é homem normal. Tudo quanto é mulher quer o
Raí. Nós, para arrumarmos uma, é um sufoco.
Hamilton Octavio de Souza – Você foge do padrão do jogador de futebol.
Aí eu inventei de fazer medicina.
Hamilton Octavio de Souza – De onde surgiu essa ideia?
Eu não sei de onde veio a medicina, não. A interpretação que eu dou, bem
posterior, é de que, talvez, tenha um lance social. Na época, eu era bem
molecão, resolvi fazer medicina, mas não tinha
nenhuma influência, não tinha tio, não tinha...
Hamilton Octavio de Souza – Lá em Ribeirão?
Acabei fazendo em Ribeirão, por opção. Eu poderia ter entrado na Pinheiros,
mas eu quis fazer lá.
Lúcia Rodrigues – USP de Ribeirão?
Na época, a Pinheiros era a primeira preferência, a Paulista a segunda, e a
terceira era a Ribeirão. Era de excelência, da USP. Como eu escapei das
outras duas, entrei em primeiro lugar na Ribeirão.
Gabriela Moncau – Como você conciliava medicina com futebol? Quando você
começou a jogar bola?
Eu jogava desde moleque, não era nada sério. Na época em que eu entrei na
faculdade, era um hobby. Jogava no Botafogo [de Ribeirao Preto], mas no
juvenil. Entrei com 17 anos na faculdade.
Lúcia Rodrigues – Você é um dos líderes da Democracia Corinthiana, fez
história dentro do futebol brasileiro. Como é que surgiu essa consciência
política? Foi na faculdade?
Não tem um lugar. Na verdade, a tua sensibilidade política é estimulada
pelos contatos que você tem. Quem me ensinou tudo que eu sei hoje, o que eu
penso e o que eu sinto, foi o povo com o qual eu me relacionei. E eu tive o
privilégio de estar no meio do futebol, onde o número de pessoas é muito
maior do que em outras atividades.
Hamilton Octavio de Souza – Faltou você contar como entrou no futebol. Você
pulou essa parte.
É, eu estava na faculdade. De alguma forma, eu já era um ator, enganava para
caramba. E, aí, os caras insistiam para que eu me tornasse profissional.
Hamilton Octavio de Souza – Que caras?
Uns diretores do Botafogo. Eu jogava na preliminar. Já existia até um certo
público para ver o nosso time, que era muito bom. E aí, no fi- nal do
segundo ano da faculdade, eu falei: “vamos tentar”. Eram minhas últimas
férias longas, de dois meses e pouco, e ia começar o curso clínico. O curso
básico era muito pesado em termos de exigência temporal e o outro eu não
conhecia.
Imaginei que pudesse, de alguma forma, viabilizar isso, e comecei a treinar.
Mas virei jogador de futebol durante dois meses. O acidente ocorreu quando o
titular do time principal machucou e eu entrei. Eu entrei e fiquei. Voltaram
às aulas e eu fui levando, fui levando, fui levando. Sei lá como, não dá
para responder.
Hamilton Octavio de Souza – O Botafogo estava na primeira divisão?
Primeira do Paulista.
Lúcia Rodrigues – E como é que você saiu do Botafogo e foi parar no
Corinthians?
Depois de formado só.
Leia mais:
http://www.lector.com/Portal/Hotsites/HotsiteCarosAmigos.aspx
ou na edição de junho que ainda está nas bancas
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