MÍDIA – Eu sou
Por Gibran Lachowski*
E é assim que começo este artigo que ficará por aqui dezembro de 2010 e
janeiro de 2011 adentro. Faça um exercício e verbalize – pode escrever
também; risos – o que você, ser midiático, gostaria de comunicar ou ver
comunicado. Abaixo as minhas notícias e coisas e tal.
Meu organismo midiático divulga um final de ano com mais Jesus, filho de
Deus – que é Pai e Mãe – que papai noel. Até me lembro, agora, de um
conjunto de matérias que fiz para o “Diário de Cuiabá” no natal de 1998.
Entre no link... Ouvi umbandista, evangélico, benzedeira e até católico.
Contei um pouco da história de São Nicolau – o verdadeiro Noel. E em
uníssono ouvi de meus entrevistados que era preferível muito mais
espírito que matéria capitalista.
Próxima notícia... Para o começo do ano que vem potencializo em minhas
antenas comunicativas ondas de insatisfação capazes de movimentar o
corpo e diminuir as reclamações vazias, que existem por existir.
Outro link... Parece até aquela enquete em que a primeira pergunta abre
espaço para descer a lenha em políticos, contudo em seguida reserva uma
“saia justa”: “E você, o faz para mudar o quadro que tanto critica?”
*** Pelo ano inteiro que há de vir, e antes até, no pouco que nos resta
deste 2010, e para além, bem além, midiatizo uma carga intensa de
conexões, e que ela seja realmente fortificação na nossa caminhada
diária.
No trabalho, na escola, faculdade, na rua, em casa, no terreiro e em
qualquer canto, que as ondas subversivas de nossas rádios alternativas
se multipliquem em cada olhar, sentimento, movimentos de braços,
balanços de quadris. Afinal, precisamos de mais.
Mais mentes e gentes no comando das comunicações. Que haja mais enredos
de novela, e que haja mais novelas. Mais minisséries, mais canais, mais
artistas de tv, mais emissoras de rádio, mais jornais, revistas, sites,
páginas de redes sociais e tudo. Mais e mais e mais e mais.
Eu, midiático, assim fico mais feliz, percebo mais irmãs e irmãos por
este “paisão” afora. Pois este céu não é de ninguém. De ninguém pode ser
unicamente, então, um sinal de freqüência que emane visões para
multidões, a não ser que seja de nós todos.
*** E por isso emano utopias, para que cada mecanismo
midiático-corpóreo-sentimental possa transmutar-se em vontade de vencer,
de seguir em frente, de fazer coletivamente, de mudar a realidade para
melhor, para mais gente, de modo mais democrático, sem medo de ser
chamado de chato. Sem medo
de ser feliz!!!!!
E saibam que agora irradio até perder de vista a canção de Zé Vicente,
que se levanta e soa: “Vai ser tão bonito se ouvir a canção, cantada de
novo. No olhar da gente a certeza de um irmão, reinado do povo”.
E vamos embora, com nossas violas, por aí.
* Gibran Lachowski é jornalista, professor e coordenador do curso de
Comunicação da Faculdade Cenecista de Rondonópolis |