Projeto Águia encerra ano com apresentação teatral

Por Keka Werneck, da Assessoria de Imprensa do Centro Burnier Fé e Justiça

Foi com muita alegria que a atriz Yandra Firmo encerrou o projeto “Águia: o teatro na vida e a vida no teatro” dia 9 de dezembro, com a apresentação de 22 meninos e meninas, de 8 a 16 anos, moradores do bairro Novo Paraíso II, periferia de Cuiabá. Essa turma participou de oficinas aos sábados, coordenada pela atriz durante todo o ano de 2010. E recebeu o certificado. Segundo Yandra, não foram somente as crianças que aprenderam. “Essa experiência me ensinou a fazer um novo teatro”, afirma. O projeto é uma iniciativa do Centro Burnier Fé e Justiça (CBFJ).

Yandra é mestre em educação pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). No mestrado, ela apostou no teatro como instrumento de transformação de relações e de realidades. Com essa oficina, quer mais do que ensinar artes cênicas, mas mostrar instrumentos de autonomia e percepção para a vida. “Nesse sentido, pude observar vários avanços. O interesse maior pela leitura, porque eles tinham resistência a isso. Disciplina: eles perceberam que quando a gente começa uma coisa tem que terminar, ir até o fim. O fino trato com o outro, o respeito ao colega. As famílias trouxeram esses depoimentos. Também foi muito marcante ter levado o grupo à Mostra Internacional de Teatro. Uma das avós me contou que achou que era mentira da neta. O que uma menina preta, pobre e feia ia fazer no teatro? A avó me disse que a menina voltou diferente. Houve mudança na autoestima das crianças. Uma delas me confidenciou que, na escola, nunca tinha conseguido apresentar nada, que a professora falou que era por que ela é brega. No teatro, a menina encontrou um espaço para se colocar”, relata Yandra.

O método utilizado por Yandra é o teatro do oprimido, um conceito formatado por Augusto Boal. Após viver um ano no Amapá, Yandra estudou esse conceito em São Paulo. Ela utiliza também Jacob Moreno, um australiano que faleceu em 1974, autor que inspirou Boal. Em Mato Grosso, a atriz faz visceral trabalho de atuação, se apresentando individualmente ou em grupo. Já fez parte do Grupo Fúria, um dos destaques do cenário local.

Na apresentação de encerramento no Novo Paraíso II, o grupo trabalhou improvisação e o livro do roteirista Fernando Bonassi – “Uma carta para Deus”. Assim, através desse roteiro, puderam falar sobre seus desejos, desde o sonho de ter um videogame até conjecturas sobre o futuro profissional. Eu quero ser médico, eu quero ser advogado... Planos bastante ousados para crianças de periferia, filhas de faxineiras, soldados, motoristas, operários, manicures e outros trabalhadores e trabalhadoras. Porém, através do teatro, começam a se preparar para outra forma de intervenção social. Bonassi é autor do roteiro do filme Carandiru. Ele veio à Cuiabá, se interessou pelo projeto e enviou livros para a meninada.


Yandra Firmo vê teatro como porta de entrada na intervenção social 

Ainda na apresentação, as crianças fizeram esquetes de clowns, que são palhaços mudos, no estilo de Charles Chaplin.

Familiares, amigos e a comunidade em geral foram convidados para o espetáculo memorável.

Ano que vem, o projeto Águia continua a partir de fevereiro.






copyright © 2010 Centro Burnier Fé e Justiça . All Rights Reserved.