MOVIMENTO DOS DIREITOS HUMANOS REIVINDICA AÇÕES EFETIVAS E PRIORITÁRIAS
DO GOVERNO DO ESTADO PARA GARANTIR DIGNIDADE HUMANA EM MT
O MDH entende como fundamentais as seguintes propostas destacadas do
programa de campanha:
1) Ampliar o Programa Rede Cidadã.
2) Ampliar a estrutura e postos de atendimento do PROCON.
3) Criar a Secretaria Adjunta de Direitos Humanos dentro da Secretaria
Estadual de Justiça.
4) Aprofundar a transversalidade da política de Direitos Humanos nas
diversas políticas setoriais.
5) Instituir o Programa Estadual de Direitos Humanos.
6) Instituir o Certificado de Entidade Promotora de Direitos Humanos.
7) Ampliar a política de acesso à justiça.
O Movimento dos Direitos Humanos acrescenta as suas prioridades:
1) Criar a estrutura da Secretaria Estadual de Direitos Humanos para
atender às demandas relativas ao tema, composta por servidores capazes
de dialogar com a sociedade civil.
2) Criar o programa estadual de proteção à testemunha, levando em conta
que há mais de 20 pessoas ameaçadas de morte em Mato Grosso, e o Estado
se mantém omisso.
3) Criar delegacias especializadas nas questões da mulher (pelo menos
uma em cada município) e construir casas de apoio às vítimas de
agressão, violência doméstica, estupro e outras formas de selvageria que
ainda acometem as mulheres aqui em Mato Grosso e no mundo.
4) Mudar a competência e a formação do Comitê Estadual de Conflitos
Agrários, que inclusive não tem cadeira para movimentos sem-terra,
entendendo que, da forma como está, não atende à sociedade e sim a
grupos hegemônicos, ao latifúndio e à criminalização dos pequenos.
5) Atuar na saúde e educação escolar indígena, dentro do que cabe ao
Estado, assegurada a efetiva participação destas populações segundo a
Convenção 169. Criar espaços para ampla participação dos povos indígenas
na definição das politicas que diretamente os afetem.
6) Criar um Instituto de Pesquisa Social, para que o governo tenha
indicadores confiáveis sobre a situação humana no Estado.
7) Intensificar a luta contra o trabalho escravo, que o Governo já
reconhece como prática que persiste em Mato Grosso.
8) Garantir, apoiar e respeitar as formas de saúde, educação, cultura e
informação popular.
9) Fortalecer a Defensoria Pública, para garantir às comunidades
empobrecidas o acesso à justiça.
10) Coibir a tortura e outras formas de perversidade nos presídios e
cadeias públicas de Mato Grosso, entendendo que a detenção deve ser um
tempo de resgate humano e não de aprofundamento da violência, que só
gera mais violência.
SENHOR GOVERNADOR,
a luta pelos Direitos Humanos em Mato Grosso é histórica. Remonta não só
1983, quando foi realizada a primeira semana de Direitos Humanos em
Cuiabá, mas o tempo de vida de diversos heróis anônimos, que, sem
qualquer apoio ou proteção, ergueram a voz por um mundo melhor, sem
ofensas à dignidade da pessoa.
A LINHA HISTÓRICA DOS DIREITOS
HUMANOS
Dia 10 de dezembro de 1948, foi aprovada e assinada a Declaração
Universal dos Direitos Humanos, na Assembléia da ONU, em Paris. Por
isso, esta data é considerada como o Dia dos Direitos Humanos. O
contexto, na época, foi o da superação do conflito étnico que provocou
milhões de mortes, estupros e perseguições, de todos os lados. A
humanidade estava diante do desafio da reconstrução da vida e do
convívio, após a 1ª e a 2ª guerras mundiais. A Assembléia da ONU
entendeu que a declaração, em seus 30 artigos, poderia ser um
instrumento importante na reconstrução das nações e das relações entre
os povos. Com base na dignidade humana, ela impulsionou aprovações de
constituições dos povos, inclusive a Constituição Brasileira de 1988, e
a criação de organismos para a mediação de conflitos e solução pacífica
das divergências. O documento da ONU serviu de base para a distribuição
de direitos entre as populações, em muitos países. Outros países ainda
patinam nas desigualdades sociais e em suas mazelas econômicas,
políticas, culturais, ambientais, como o caso do nosso país.
Recuperando brevemente a trajetória percorrida até aqui, no Brasil,
lembramos que, no dia 13 de maio de 1996, o governo brasileiro lançou o
Programa Nacional de Direitos Humanos – PNDH 1, com clara intenção de
ser um marco referencial de ações governamentais na promoção de defesa
dos direitos humanos. O 1º programa teve a sua demanda focada nos
direitos civis e políticos.
Depois disso, o programa nacional foi reelaborado, em 2002, com enfoque
mais na gestão do sistema de direitos humanos, como 2ª versão do PNDH.
Nesta revisão foram incorporados os direitos econômicos, sociais e
culturais. Durante a 11ª Conferência Nacional de Direitos Humanos,
realizada durante os dias 15 a 18 de dezembro de 2008, em Brasília, foi
aprovado o 3º plano nacional, revisado o 2º. Incluiu-se, como destaque,
a transversalidade e interministerialidade de suas diretrizes, de seus
objetivos estratégicos e de suas ações programáticas, na perspectiva da
universalidade, indivisibilidade e interdependência dos direitos.
Ao longo destes anos que sucederam o lançamento do PNDH, foram
realizadas várias conferências por diversas organizações, tais como:
Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, o movimento
Nacional de Direitos Humanos e outros, no sentido de avaliar a
implementação do PNDH. Entre as conclusões destas conferências,
destaca-se que poucos recurso financeiros foram destinados para a
implementação do programa, os estados tiveram pouca participação na
elaboração do mesmo, bem como não construíram programas estaduais,
dificultando assim a efetiva implementação do PNDH, nas suas 3 versões.
Pedro Wilson, um militante histórico na área dos movimentos sociais, no
Brasil, manifesta-se sobre o tema e seu objetivo.
O PNDH, adotado pelo governo federal, resultou desta soma de
esforços realizada entre sociedade e governo com vistas à implantação,
no país, de um programa que pudesse ser convertido em um instrumento
capaz de contribuir para a superação das desigualdades e injustiças que
são vivenciadas pela maioria da população brasileira.[1]
Em Mato Grosso, desde que a história foi registrada, temos conhecimento
que houve pessoas que estavam ocupados com os direitos humanos, mesmo
antes da aprovação da declaração, pela ONU. Movimento por direitos
humanos significativo estava intimamente ligado aos espaços possíveis de
encontro, reflexão, articulação, debate, proposições e luta em favor da
justiça e da solidariedade. Já há muito tempo, mas especialmente, a
partir de meados da década de 1970, diante da violência e exclusão,
lideres de diferentes movimentos acolheram vítimas e organizaram
resistência em favor da vida e contra a morte e agressão provocadas pelo
próprio Estado e por setores da própria sociedade.
A partir de 1979, foram realizadas várias reuniões para a troca de
idéias sobre iniciativas em diferentes áreas de atuação das igrejas e
dos movimentos populares. As comunidades foram se envolvendo mais a
nível de encontros de reflexão sobre realidade política, social e fé. A
situação de miséria da maior parte da população de Cuiabá e Mato Grosso
foi sendo entendida como afronta contra os direitos humanos, em sua
dimensão individual e coletiva. Aí veio a necessidade teológica,
pastoral, social, econômica, jurídica, cultural e política de
envolver-se na mudança da realidade. .[2]
Foi importante a realização da
Primeira Semana de Direitos Humanos, em Cuiabá, entre os dias 18 e 26 de
junho de 1983. Durante aquele período foi formada uma Comissão
Provisória de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos. Era preciso
fortalecer as lutas em defesa do cidadão e em respeito à sua dignidade.
A atividade conseguiu grande repercussão na época, fortalecendo
substancialmente os trabalhos até então desenvolvidos. A comissão,
então, pesquisou sobre a violência e a modernização dos aparatos de
repressão policial e promoveu a “Jornada de Direitos Humanos” em favor
da vida. Isso aconteceu no primeiro semestre de 1983.[3]
Depois da realização da semana dos direitos humanos, foram organizados
vários centros de defesa e promoção de direitos, comissões de igrejas,
câmaras de vereadores, assembléia legislativa, bem como a criação do
Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana.
As principais questões pontuadas pelo movimento estadual,
regional e nacional foram a criação da ouvidoria da polícia, a
defensoria pública, direitos humano na educação formal, apoio e
segurança para as vítimas da violência e testemunhas ameaçadas, atenção
para as populações mais vulneráveis, aulas de direitos humanos nas
academias de polícia. Certamente, algumas demandas estão sendo
atendidas. Cabe fazer o diagnóstico se elas atendem aos objetivos de sua
criação, isto é, os direitos humanos. Outras nem sequer foram
asseguradas.
Em 1999, a I Conferência Estadual de Direitos Humanos aprovou um
programa Estadual de Direitos Humanos. Ele é resultado do
trabalho coletivo síntese da I Conferência Estadual de Direitos Humanos
com o tema “Construindo uma Proposta para Mato Grosso”, realizado no
período de 15 a 18 de julho de 1999, em Cuiabá.
A realização desta conferência contou com a efetiva participação de
entidades da sociedade civil e do Estado, ainda que a representação mais
significativa tenha sido da sociedade civil. Participaram 167 pessoas,
representando 79 entidades governamentais e não governamentais.
Relembramos que, em Mato Grosso, diversas entidades da sociedade civil
que trabalham com a temática dos Direitos Humanos, organizados no Fórum
Pró Conferência, com a preocupação da não implementação do PNDH,
propuseram a realização da I Conferência Estadual de Direitos Humanos,
em Mato Grosso. O objetivo principal foi elaborar uma proposta de
programa estadual. O referido fórum estava preocupado com o fato de que
o governo federal havia aprovado um plano nacional, mas os estados, como
governos, sequer haviam sido envolvidos na discussão do projeto. Esta
realidade foi considerada como importante impulso para o chamado da
discussão estadual entre Sociedade e Estado
A organização da Conferência coube ao Conselho de Defesa do Direitos da
Pessoa Humana – MT, através de suas diversas representações, vinculada à
Secretaria de justiça, bem como de um Fórum de Entidades
Pró-Conferência, da Assembléia Legislativa e da Universidade Federal de
Mato Grosso, através dos núcleos de estudos com apoio das entidades
nacionais, como ABONG, CESE, CERIS, FASE e outras.
O programa estadual foi aprovado pela conferência. É um documento com
279 propostas, sendo este o resultado final daquela conferência. Ele
traz, no seu texto, propostas de implementação de políticas públicas de
Direitos Humanos, tanto pela Sociedade como pelo Estado. Ele tem base
nos direitos humanos, com diretrizes e meta as serem implementadas a
curto, médio e longo prazo.
A conferência entendeu que este foi um passo de significativa
importância para a história de Mato Grosso. É a contribuição que
esperamos que seja efetivamente incorporada e defendida, em nome de uma
sociedade mais justa e igualitária baseada na solidariedade, na
compreensão e na construção da cidadania. Isso certamente pode levar o
Estado de Mato Grosso a se redimir diante da sua trajetória política,
social e econômica, marcada historicamente por arbitrariedades,
desigualdade, violência e outras formas de violação dos Direitos
Humanos.
Metodologicamente, conferência foi efetivada em dois momentos: o
primeiro momento consistiu na organização de grupos de trabalho, sendo
eles:
1.
Direitos Humanos e Justiça;
2.
Direitos Humanos e Terra;
3.
Direitos Humanos e Direitos Sociais e Econômico e
4.
Direitos Humanos e Exclusão.
Estes grupos trabalharam na elaboração do diagnóstico da realidade
vivenciada em Mato Grosso com relação as violações dos Direitos Humanos,
bem como as políticas adotadas pelo Estado para superação destas. O
segundo momento se deu durante a conferência, onde já na ficha de
inscrição os participantes optaram por um dos quatro grupos de trabalho
para então estudar, elaborar e aprovar as propostas que ora
apresentamos.
Em novembro de 1999, o resultado da conferência foi protocolado, numa
audiência com o Governador do Estado, na época.
Nossa proposta é de que o governo Silval Barbosa, após incluir na
estrutura sistêmica do Estado um órgão oficial que cuide dos direitos
humanos, como está no seu plano de governo, convoque conferências
regionais e estadual de direitos humanos; que estas conferências
considerem o programa votado e aprovado pela conferência de 1999;
que inclua as novas demandas, após diagnóstico com ampla
participação da Sociedade e do Estado; que aprove e implante um sistema
estadual com programa de Direitos Humanos, assegurando, no orçamento do
Estado, recursos e
estrutura para a devida concretização do programa.
São signatários do programa de 1999 as seguintes entidades sociais e
organizações governamentais e não governamentais, que seguem:
CONSELHO DE DEFESAS DOS DIREITOS DA PESSOA HUMANA – CDDPH/ MT
MOVIMENTO NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS – Reg. Centro Oeste
CENTRO DE DIREITOS HUMANOS HENRIQUE TRINDADE – CDHHT
CENTRO DE DIREITOS HUMANOS DOM MÁXIMO BIENNÉS – CDHMB
CENTRO DE DIREITOS HUMANOS SIMÃO BORÓRO
CENTRO DE DIREITOS HUMANOS DE BARRA DO GARÇAS – CDHBG
CENTRO DE DIREITOS HUMANOS DE JUÍNA – CDH
COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS JOÃO BOSCO BUNIER – CDHJBB
COMISSÃO PASTORAL DA TERRA -
CPT/ MT
CONSELHO INDIGINISTA MISSIONÁRIO – CIMI/ MT
GRUPO DE TRABALHO MISSIONÁRIO EVANGÉLICO – GTME
OPERAÇÃO AMAZONIA NATIVA - OPAN
INSTITU PASTORAL DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE POPULAR – IPESP
ASSOCIAÇÃO MATO-GROSSENSE DE DEFICIENTES – AMDE
GROPO DE SAÚDE POPULAR – GSP
MOVIMENTO POPULAR DE SAÚDE – MOPS
MOVIMENTO NACIONAL DE MENINOS E MENINAS DE RUA – MNMMR / MT
ASSOCIAÇÃO DE EDUCAÇÃO CATÓLICA – AEC
CENTRO DE ESTUDOS E PESQUISAS DO PANTANAL, AMAZÔNIA E CERRADO
CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES
- CUT / MT
SINDICATO DOS TRABALHADORES NO ENSINO PÚBLICO DE MATO GROSSO
FEDERAÇÃO DOSA TRABALHADORES NA AGRICULTURA – FETAGRI / MT
CENTRO DE DIREITOS HUMANOS DO VALE SÃO LOURENÇO
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ONG’s – ABONG
FÓRUM MATOGROSSENSE DE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO - FORMAD
ESCOLA DE FORMAÇÃO PARA CIDADANIA - EFC
IGREJA EVANGÊLICA DE CONFISSÃO LUTERANA NO BRASIL – IECLB
PARÓQUIA DO ROSÁRIO
ASSOCIAÇÃO DE FAMILIARES DE VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA
SOCIEDADE MATOGROSSENSE DIVINA PROVIDÊNCIA
MOVIMENTO DE REINTEGRAÇÃO DAS PESSOAS ATINGIDAS PELA
HANSENÍASE – MORHAN
CENTRO DE INTEGRAÇÃO FORMAÇÃO INTEGRAL DA CRIANÇA E
ADOLESCENTE -
CIFICA
PASTORAL DO MIGRANTE
PARÓQUIA SANTÍSSIMA TRINDADE – CÁCERES
PARÓQUIA CRISTO TRABALHADOR – CÁCERES
MOVIMENTO DE INTELIGÊNCIA NEGRA
CENTRO DE ORGANIZAÇÃO DE DEFESA DA CRIANÇA E ADOLESCENTE
- CEDEC
COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS DE ÁGUA BOA
ASSOCIAÇÃO QUILOMBO MATO CAVALO
GRUPO DE UNIÃO E CONSCIÊNCIA NEGRA – GRUCON
NÚCLEO DE DREITOS HUMANOS UFMT
NÚCLEO DE ESTUDOS DE PESQUISA SOCIAL – NUEPS
DEFENSORIA PÚBLICA – MT
UNIVERSIDADE DO MATO GROSSO – UNEMAT
MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL
SECRETARIA DE SEGURANÇA PÚBLICA/ JUSTIÇA E CIDADANIA
CONSELHO ESTADUAL DA MULHER
CONSELHO ESTADUAL DO NEGRO
UNIVERSIDADE DE CUIABÁ – UNIC
CORDENADORIA DE ASSUNTOS INDÍGENAS DO ESTADO DE MATO GROSSO
- CAIEMT
CORREGEDORIA DA POLÍCIA MILITAR
[1] GUIMARÃES, Pedro Wilson.
Os Direitos Humanos no Brasil. Polígrafo: palestra proferida na
1ª Conferência Estadual de Direitos Humanos. Cuiabá, MT,
15-18/07/99, p. 01.
[2] WITTER, Teobaldo,
Considerações sobre fé em direitos humanos em Cuiabá. Trabalho
de Conclusão de Curso (Especialização em Ensino Religioso)-
Escola Superior de Teologia, Instituto Ecumênico de
Pós-Graduação em Teologia, São Leopoldo, RS, 2001, p. 39-40..
[3] VV. AA.. Cartilha de
Direitos Humanos: Centro de Direitos Humanos Henrique Trindade.
Masiero Impressões Gráficas. Cuiabá, MT, 1998.
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