Consumo consciente

 

Por Keka Werneck*

 

Todo final de ano é natural pensar sobre o que passou em 12 meses, se tudo correu bem, se as coisas saíram como pensadas, se demos um passo adiante individualmente ou coletivamente...

É tempo de natal, então é bom lembrar que natal é nascimento de Cristo em nós; não é apenas comer, beber e comprar.

A vida ensina que os melhores presentes entre todos os possíveis e imagináveis não se compra. Paz no coração, tranqüilidade para dormir sem neuras, harmonia em casa, felicidade.

Mas isso é raridade em dias atuais.

Não importam os avanços da ciência, a tal globalização e até o acesso à informação, o mundo está cheio de guerra, dando lugar à violência e ao que a potencializa. Valores é tudo aquilo fora de moda e desgastado. E honestidade vai contra a lógica do sistema desonesto, que a cada dia nos joga num cabo de forças, numa correria desvairada, atrás do dinheiro que paga as contas. Para alguns, não se trata só de pagar contas, mas sim de manter estilo de vida, o que vira um vício também sistemático, uma ganância, uma roda viva.

No meio disso aí, talvez soe como demagogia falar em Cristo, outra referência desgastada, afinal já se fez tantas barbáries em nome dele...

Durante o ano inteirinho os meios de comunicação mostram, no intervalo publicitário, o tanto de coisas boas, úteis e inúteis que o capitalismo produz. É celular de tudo que é tipo, é sapatos e sandálias de todo jeito, cor e estilo. É apartamento que mais parece ilha de prazer. Carros, então, nem se fala...É tanto apelo, desejos construídos, sonhos, mas falta grana...Porém, em dezembro, tem o 13º salário, que mal entra e já sai, pagando tudo que aquela quantia extra puder comprar. É o desejo de consumo represado se aliviando...

Mais comum é a gente querer ter coisas boas, isso não é crime nenhum. Mas o melhor mesmo é lembrar que as coisas boas, mas as melhores mesmo, são aquelas que a gente não pode comprar, nem agora, nem nunca.

Basta ter um mal estar qualquer, para a gente se lembrar que saúde é fundamental. Numa situação de óbito, por exemplo, é que a gente dá maior valor à vida. Quando problemas enchem a cabeça é que fica claro como são suaves os dias calmos...

Além disso, é preciso dizer que esse excesso de ofertas só é possível às custas dos bens naturais do planeta, que já vem dando repetidos sinais de esgotamento ambiental.

Sendo assim, nesse final de ano, comprar menos seria uma boa...

 

* Keka Werneck é jornalista em Cuiabá

 







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