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Inácio Werner é premiado por luta em favor de direitos
Por Keka Werneck, da Assessoria de Imprensa do Centro Burnier Fé e
Justiça
Na tribuna da Assembléia Legislativa de Mato Grosso, com transmissão ao
vivo pela TV Assembléia, Inácio Werner, que é especialista em Movimentos
Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), disse: “Esta
noite, que antecede o dia 10 de dezembro – dia internacional dos
Direitos Humanos – é importante lembrar o desafio que é atuar por essa
causa. Sempre somos vistos como pessoas ou grupos que querem se meter em
algo que deveria ficar em silêncio. Mas é importante garantir direitos
àquelas pessoas que moram lá longe, a todos e todas. Essa deve ser uma
luta permanente pela garantia dos direitos conquistados; devemos trazer
para o dia a dia os direitos que estão no papel. Além disso, o grande
desafio é ampliar esses direitos. Para isso, é preciso que a sociedade
se organize, porque é injusta como está. A luta deve ser incansável até
que cada um e cada uma de nós possamos dizer: eu estou vivendo com
dignidade! Sem nos esquecermos de que para isso precisamos também
preservar nosso planeta”.
Inácio representa o Centro Burnier no Fórum Mato-grossense de Meio
Ambiente e Desenvolvimento (Formad). Ele nasceu
em Itapiranga (SC) e chegou a Cuiabá em 1982. Foi agente de Pastoral da
Paróquia do Rosário e da Comissão Pastoral da Terra (CPT). É um dos
fundadores do Centro de
Direitos Humanos Henrique Trindade e um dos articuladores para a
realização do Grito dos Excluídos e da Romaria dos Trabalhadores.
Participa da Comissão Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo
(COETRAE) e do Conselho Gestor do Fundo de Erradicação do Trabalho
Escravo (CEGEFETE).
O júri reconheceu que Inácio Werner “tem contribuído para a defesa da
vida” e também para assegurar “dignidade aos povos marginalizados”. Além
“animar permanentemente os movimentos e organizações sociais de Mato
Grosso”.
O deputado Ságuas Moraes explicou que, com este prêmio, buscou
homenagear o amigo Ten Cate, que faleceu em 2002 de esclerose lateral
múltipla. “Era pessoa imprescindível, que nunca pretendeu a vida
palaciana e o poder. Nas comunidades que estavam seus amigos. Ele
sonhava com um mundo em que todas as pessoas se alimentassem e não
sofressem qualquer discriminação”. Conforme o deputado, a premiação
serve também para estimular as lideranças sociais.
Conheça os vencedores
aqui.
Foi homenageada na categoria personalidade
in memorian a irmã
Dineva Vanuzzi, professora da UFMT, pela incansável luta popular.
Na categoria Personalidade 2010, recebeu a honraria o cacique Xavante
Damião da Terra indígena Marãiwatséde, na região de São Félix do
Araguaia. Ele é “a principal referência de luta pelo retorno do seu povo
para terra tradicional”. Um sobrinho recebeu o prêmio em nome dele e
disse, na tribuna da Assembléia, que desde a ECO 92 começou uma luta
mais organizada pela retomada das terras indígenas no Brasil. “Você não
vê índio tomando terra de branco, vê?”- perguntou o xavante. “Para
garantir nossas terras, meu tio vive uma vida de ameaças, mas não teve
medo do desafio”.
Na categoria Organizações Sociais, recebeu o prêmio a Associação
Bioenergética de Mato Grosso (Biosaúde). O padre Jesuíta Renato Barth
agradeceu o reconhecimento e disse que a rede à qual está ligado já
atendeu 3 milhões de pessoas em 17 anos de atuação na América Latina.
Ele destacou também o trabalho feito na África, um continente “condenado
à morte”. Barth lembrou que está processado pelo Conselho Regional de
Medicina (CRM), mas vai continuar sua luta para que as pessoas tenham
saúde e contra aqueles que vivem da doença humana.
Na categoria Ações e Experiências recebeu o prêmio o Projeto
“Ativo das Mulheres”, da Rede Mulher de Educação (RME / NUEPOM). A
educadora Maria Aparecida Cotti
Silva recebeu o troféu, que se estende, simbolicamente, a todas as
mulheres que lutam contra a violência e pelo protagonismo feminino.
Veja fotos:
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