Bom para refletir: onde estamos e para onde vamos?
25/11/2010
ONGs
de hoje e o espírito do capitalismo
"Grande parte das
ONGs brasileiras e até institutos sociais vinculados à igrejas
absorveram estes espírito do capitalismo. E nem sabem disto, porque não
analisam claramente o que fazem", escreve
Rudá Ricci,
sociólogo, no seu
blog, 24-11-2010.
Eis o texto.
"Algumas ongs, fundações e institutos sociais afirmam que o "espírito
anos 80" já é passado, o que parece uma tautologia. Contudo, o que vem
em seguida é que merece atenção. Afirmam que o momento atual exige
profissionalismo e resultados concretos. Aí, encobrem algo que pode
parece novo mas é um espírito de mais de um século atrás. Durante os
anos 1990, foi se projetando uma interferência perniciosa de
instituições financiadoras de ongs e organizações populares sobre os
famosos resultados concretos. Eram, em sua maioria, entidades européias.
Eles desejavam resultados, resultados concretos. Lembro de uma discussão
que tive com um representante da Misereor, um agência de
desenvolvimento da Igreja Católica da Alemanha fundada em 1958 para
combater "a fome e a doença no mundo". O tal representante desejava
ardentemente que demonstrássemos os resultados das romarias de
agricultores familiares.
Queria saber se elas
geravam renda. Eu fui ficando irritado e, ao final, respondi que o único
alimento que geraram foi para o espírito. Ele não entendia que se
tratava de uma ação de massas, que gerava identidade social e confiança
política. Só seria possível medir impactos com indicadores qualitativos,
ao longo de um período. Mas o "espírito empresarial" já havia se
alastrado.
Grande parte das
ONGs brasileiras e até institutos sociais vinculados à igrejas
absorveram estes espírito do capitalismo. E nem sabem disto, porque não
analisam claramente o que fazem. Acham que é uma novidade. Trata-se do
âmago do espírito empresarial. O impacto sobre a formação da nova
geração de ongueiros é imensa: eles pensam seu trabalho como emprego e
não como projeto. E, assim, la nave va.
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