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Relatório da ONU mostra avanços no combate ao HIV/Aids
Natasha Pitts *
Adital -
No que diz respeito aos óbitos ocasionados por doenças relacionadas à
Aids, os casos registrados no ano passado (1,8 milhões) também foram
inferiores aos 2,1 milhões ocorridos em 2004. Um em cada quatro óbitos
por Aids é causado por tuberculose, uma doença que pode ser facilmente
detectada, prevenida e curada.
O avanço nos tratamentos com anti-retrovirais, medicamentos que reduzem
a carga viral do HIV e consequentemente diminuem a probabilidade de
progressão da doença, foram apontados como os responsáveis pelo
prolongamento da vida das pessoas que vivem com HIV. No final de 2009,
foi constatado que 33,3 milhões de pessoas estão conseguindo viver mesmo
estando infectadas.
O relatório revela que, em 2009, 5,2 milhões de pessoas pertencentes a
países pobres ou em desenvolvimento tiveram acesso aos anti-retrovirais,
enquanto em 2004 apenas 700 mil pessoas tiveram acesso a esses
medicamentos. A má notícia revelada pelo documento é que, para cada
pessoa que inicia o tratamento, surgem dois novos casos de pessoas
infectadas. Além disso, 10 milhões ainda não têm acesso ao tratamento
necessário.
É possível observar que os programas de prevenção estão gerando
resultados positivos ao analisar dados como a redução, em cerca de 25%,
nos casos de novas infecções em pelo menos 56 países, incluindo 34 da
África subsaariana. Ainda assim, esta região continua sendo a mais
afetada do mundo por novos casos. 69% de todas as novas infecções estão
aí.
De acordo com o relatório das Nações Unidas, Etiópia, África do Sul,
Zâmbia e Zimbábue também vêm reduzindo suas taxas de novas infecções por
HIV em mais de 25%. Na Nigéria, o número de infecções se estabilizou. Na
contramão dessa tendência de redução estão os países da Europa oriental
e da Ásia central, cujas taxas de novas infecções subiram 25%.
A redução no aparecimento de novos casos, provavelmente, se deve ao fato
de os jovens estarem adotando práticas mais seguras durante as relações.
Os homens que fazem sexo com outros homens também estão avançando em
matéria de prevenção, já que em 54 países mais de 50% deles têm
utilizado o preservativo. Outro dado do relatório é que em 69 países
mais de 60% dos profissionais do sexo utilizou o preservativo com seu
último cliente.
Apesar dos avanços, ainda é preciso investir nos programas de prevenção.
O empecilho está em casos como o de 79 países que ainda criminalizam as
relações sexuais entre pessoas do mesmo sexto. Destes, seis adotam a
pena de morte.
"Os investimentos na resposta à Aids estão dando resultados, mas os
avanços ainda estão frágeis - o desafio agora é como trabalharmos todos
juntos para acelerar o progresso", apontou Michel Sidibé, Diretor
Executivo do UNAIDS.
* Jornalista da Adital |