A população precisa de mais informação ambiental

Por Augusto Pereira*

Há muitas questões em pauta atualmente sobre meio ambiente e gestão pública de recursos naturais. Ao cidadão comum que confunde efeito estufa, aquecimento global e camada de ozônio* é difícil emitir opinião sobre a reforma do Código Florestal, Zoneamento Sócio Ecológico Econômico ou a Hidrelétrica de Belo Monte. A população está atenta aos temas ambientais mais recentes?

As campanhas do início do ambientalismo global eram muito claras (salvem as baleias). Havia uma causa, um apelo e um vilão. Simples assim. O risco de destruir a camada de ozônio foi evitado com um clamor popular e uma resposta objetiva da indústria. Reciclagem, Unidades de Conservação e direito às terras indígenas são conceitos bem assimilados pelas populações urbanas no Brasil.

Mas as questões ambientais vão muito além destas. Elas envolvem reformulação de leis que regem a produção, a comercialização e até o descarte de produtos. Os problemas na nossa gestão de recursos ambientais são conseqüência direta da má fiscalização e controle dessas leis. As questões ambientais estão estreitamente ligadas às sociais e políticas, e é nessa trama que o leitor de mídia e a própria mídia se perdem.

A internet está repleta de informações como as pessoas continuam tão desinformadas? O leitor deste artigo certamente é leitor de outras fontes de informação socioambientais.  A média dos cidadãos consume notícias dos grandes veículos, estes têm se esforçado para manter uma cobertura ambiental, mas ainda faltam editorias específicas.

As propostas de reforma do Código Florestal (pauta do Congresso Federal) estão relacionadas à base econômica de Mato Grosso e à política estadual. É por causa da possível mudança do Código que o programa de regularização ambiental do estado está empacado. Os deputados que defendem a reforma são ruralistas, têm interesses pessoais no afrouxamento da lei.

A trama é complexa, como a mídia pode mostrar todas as faces dos problemas ambientais (que envolvem o nome de políticos a trabalho escravo, ameaças, desmatamento...) e no pouco tempo disponível aos telejornais e no pouco espaço que os jornais impressos reservam?

Aqui encontramos uma saída já anunciada por novos pensadores desde os anos 80: não podemos compartimentar os conhecimentos, como temos feito. A pauta ambiental deve permear todos os espaços do jornalismo da mesma forma que o respeito à criança parece ter conseguido.

Nessa semana fomos surpreendidos com uma nova proposta de Zoneamento Sócio Econômico Ecológico. Os zoneamentos são estratégias de planejamento territorial, são baseados em dados técnicos e consideram um grande número de variáveis. Com o zoneamento Mato Grosso pode dizer quais são as áreas onde haverá apoio estatal para determinadas atividades econômicas.

Por exemplo, não haverá nenhum apoio à produção de gado em áreas onde já há produção de soja ou apoio à produção de grãos onde existe uma bacia leiteira. O objetivo disso é potencializar os talentos regionais e não transformar toda a base econômica de uma região por uma moda ou aumento de preço. Com isso os investimentos públicos e privados concentram-se em melhorar o que já tem.

Esse é o motivo econômico do zoneamento que também deve atentar para o social e o ambiental. Sabemos que Mato Grosso ainda é um dos estados que mais desmata a Amazônia. O cuidado que o estado precisa ter com suas florestas não é somente para sair bem nos jornais, é preciso cuidar de um pedaço importante de floresta e Cerrado ligados a bacia amazônica e ao Pantanal.

Os deputados não sabem disso. O conhecimento deles sobre os temas não é maior que o senso comum. Deputados não são uma classe pensante especializada, o legislativo não é em nenhum lugar do Brasil. Se quisermos melhorar o comportamento do legislativo e do executivo nas pautas ambientais precisamos ampliar o conhecimento sobre os novos temas em toda a sociedade.

* Efeito estufa é um comportamento normal da atmosfera terrestre que apreende parte do calor irradiado pelo Sol. Sem o efeito estufa a Terra seria gelada demais.

Aquecimento global é o aumento do efeito estufa. Com mais gases na atmosfera que retêm calor a temperatura se eleva.

Camada de ozônio é uma camada de gases localizada a cerca de 30 quilômetros da superfície. O ozônio é uma combinação de três átomos de oxigênio, diferente do nosso oxigênio respirável que tem dois.

* Augusto Pereira é Comunicador Social formado em Rádio e TV, atua com questões ambientais, com foco na valorização das relações comunitárias.



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