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Ambientalistas
preparam “bombardeio” contra o Governo de MT O governador Silval Barbosa, ao contrário do seu antecessor, não atua
no agronegócio, não mexe com produtos florestais, mas, corre sérios
riscos de acabar sendo premiado como “inimigo” do meio ambiente. No
Fórum Mato-grossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento (Formad) há um
sentimento de que Barbosa estaria “chancelando” os interesses do
agronegócio em detrimento das questões ambientais. Por conta disso,
Barbosa poderá sofrer fortes um duro “bombardeio” dos ambientalistas, a
partir das repercussões, de âmbito internacional. Os ambientalistas criticaram, por exemplo, a decisão do governador em
prorrogar por dois anos o prazo para adesão ao Programa Mato-grossense
de Regularização Ambiental Rural, o MT Legal. O anuncio foi feito poucos
dias depois de o governador conseguir nas urnas a reeleição. Seguiu-se
um rosário de justificativas para a medida, centradas em questões
nacionais, como o novo Código Florestal Brasileiro e suas possíveis
modificações. Na cabeça dos ambientalistas, a decisão governamental faz parte de
uma manobra dos produtores para, ao invés de recuperarem 80% de áreas
degradadas, aqueles que tem bioma amazônico em suas terras, passem a
recuperar pouco mais que a metade disso, ou seja, 50%, a partir das
alterações propostas pelo relator do novo código. Acusam também o
Governo Federal de fazer vistas grossas ao que chamaram de
“flexibilização” do rigor ambiental. “O argumento usado para justificar o pedido de prorrogação é
enganoso, já que a regulamentação do MT Legal prevê, explicitamente, a
incorporação ao Programa de 'eventuais benefícios advindos com a
aprovação do Zoneamento Socioeconômico e Ecológico (ZSEE) e alterações
legislativas estaduais e federais'”, segundo nota do Instituto Centro
Vida (ICV). De outro lado, vem a questão do Zoneamento Socioeconômico Ecológico:
esse sim, vai ser problema para o Governo. Os ambientalistas não se
conformam com a manobra executada pela Assembléia Legislativa para
aprovação da proposta. Discutido com a sociedade civil de Mato Grosso em
15 audiências públicas, o Projeto de Lei, eles dizem, não contempla as
contribuições da população. A proposta aprovada no dia 27 de outubro, um
dia depois de Silval anunciar a prorrogação do MT Legal, é um
substitutivo integral de autoria do deputado estadual Dilceu Dal Bosco
(DEM). “Somos contrários porque o substitutivo não corresponde ao resultado
das audiências públicas. É completamente contra o princípio democrático
e a favor da bancada ruralista” - ressaltou a secretária de
Formação Sindical do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de
Mato Grosso (Sintep/MT) Marli Keller, que representa a entidade no
Formad. A proposta estava parada desde março na Comissão de Constituição,
Justiça e Redação (CCJR), após ser aprovada em primeira votação pelo
plenário. Dilceu Dal Bosco foi nomeado relator do projeto na Comissão.
Isso quer dizer que coube ao deputado dizer se o projeto criado e
apresentado por ele mesmo era constitucional ou não. Isso ocorreu na
tarde de 27 de outubro, após colher as assinaturas necessárias para a
aprovação na Comissão. Em menos de 24 horas, os deputados estaduais, com
exceção de Ságuas Moraes, aprovaram o ZSEE. Pelas falhas e inconsistências apresentadas, o Zoneamento aprovado
pela AL, segundo o que ficou convencionado na reunião, corre o
risco de não passar pela Comissão Nacional de Zoneamento e pelo Conselho
Nacional de Meio Ambiente (Conama). Caso isso ocorra, o processo de
construção dessa importante ferramenta de ordenamento territorial
voltará à “estaca zero”. Isso pode significar problemas para o
Governo, inclusive de caixa. Uma análise feita pelo Instituto Centro de Vida (ICV) comparou o
substitutivo 1, apresentado pelo deputado estadual Alexandre Cesar, que
contemplava as contribuições da sociedade e respeitava as questões
técnicas e científicas, com a proposta recém-aprovada. Entre vários
problemas detectados, estão as mudanças drásticas na composição do mapa
do ZSEE. Um exemplo é que o item voltado à intensificação das atividades
agropecuárias avançou indiscriminadamente sobre áreas que apresentam
alguma restrição ambiental, passando de 23 milhões de hectares no
Substitutivo 1 para 39 milhões de hectares no Substitutivo 3, um
acréscimo de 67%. Já o trecho que compreende áreas de relevância ecológica e
paisagística, devido às suas características físicas, de sazonalidade do
regime fluvial, de rica cobertura florestal e de proteção dos recursos
hídricos, sofreu redução 26%. Além disso, o zoneamento aprovado pelos
deputados estaduais também contradiz as políticas nacionais e estaduais
de meio ambiente e os compromissos assumidos perante a comunidade
internacional, que preveem a redução do desmatamento e a promoção da
agricultura de baixas emissões de carbono. Veja Video: Para que serve um Zoneamento?
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