90% das terras Xavante estão ocupadas por fazendeiros em MT

 

Fonte: Blog da Sandra Carvalho
Link: http://www.24horasnews.com.br/blog/index.php?tipo=lista&blogueiro=916/11/2010




Prefeito de São Félix é um dos fazendeiros que tem propriedade em terras Xavante

 

O prefeito de São Félix do Araguaia, Filemon Gomes Costa Limoeiro (PPS/MT), é dono de uma fazenda de 250 hectares, onde cria suas 400 cabeças de gado. Dublê de político e fazendeiro, Limoeiro garante que não se enquadra na categoria de invasor, já que, afirma ele, sua propriedade não está dentro da terra indígena Marãiwatsede, localizada entre os municípios de São Félix do Araguaia e Alto da Boa Vista, Norte do Mato Grosso. Mas seu nome consta da lista de 68 fazendas, que, segundo o Ministério da Justiça e a Fundação Nacional do Índio (Funai), estariam sim dentro da terra dos xavantes.

“Estamos brigando e acabamos de recorrer da decisão da Justiça Federal de Cuiabá, que considerou os índios os donos da terra” critica Limoeiro, admitindo que não será fácil tirar os fazendeiros da área “porque todos nós vamos querer ser indenizados”.

Três laudos antropológicos e 12 anos depois de homologada, a terra indígena Marãiwatsede virou alvo de uma guerra de liminares. Recentemente, a Justiça Federal do Mato Grosso decidiu pela retirada da população não indígena da área. Só que a disputa em torno da região é bem mais antiga e remonta à década de 1960. Foi quando a população xavante que vivia na área foi retirada de seu território por aviões da Força Aérea Brasileira (FAB). Os índios foram transferidos para o Sul do estado, onde estava a Missão Salesiana de São Marcos.

A remoção foi traumática. De uma população de 300 pessoas, 86 delas morreram, vítimas de sarampo. No lugar das aldeias dos xavantes instalou-se a fazenda Suiá-Missú, um megaprojeto agropecuário da família Ometto, que chegou a ser considerado o maior latifúndio do país. As terras acabaram vendidas para a estatal petrolífera italiana Agip, que, na época da Eco-92, prometeu devolver as terras para os índios. A promessa, no entanto, nunca saiu do papel. Em 1998, o então presidente Fernando Henrique Cardoso assinou a homologação da terra indígena Marãiwatsede.

O bispo de São Félix do Araguaia, dom Leonardo Ulrrich Steiner - substituto de dom Pedro Casaldágila, que transferiu-se para a região nos anos 70 e é adepto da teologia da libertação - vem acompanhando a saga dos xavantes. Ele está convencido de que, parte do milagre agropecuário ocorrido no Mato Grosso se deu por "pilhagem dos recursos naturais e de comunidades tradicionais":

“Como o desmatamento acaba afugentando os animais, os índios estão mudando seus hábitos alimentares. Temos acompanhado a situação e é impressionante como os índices de diabetes e hipertensão estão aumentando”, observa o bispo.

Um dos maiores infratores ambientais já identificado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) mora no Mato Grosso e tem fazenda na terra indígena Marãiwatsede. Os Penasso, da fazenda Colombo, constam da lista de punições com autos de infração por desmatamento ilegal. Recentemente eles foram alvo da Operação Soja Pirata.

 

Numa área contínua de 3,6 mil hectares de terra foram apreendidas 14 mil toneladas de soja. A apreensão seria um caso isolado, não fosse o fato de 30 das 78 terras indígenas do Mato Grosso estarem localizadas em municípios com mais de dez mil hectares de soja. (O Globo)

 

 



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