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90% das terras Xavante estão ocupadas por fazendeiros em MT
Fonte: Blog da Sandra Carvalho
O prefeito de São Félix do Araguaia, Filemon Gomes Costa Limoeiro
(PPS/MT), é dono de uma fazenda de 250 hectares, onde cria suas 400
cabeças de gado. Dublê de político e fazendeiro, Limoeiro garante que
não se enquadra na categoria de invasor, já que, afirma ele, sua
propriedade não está dentro da terra indígena Marãiwatsede, localizada
entre os municípios de São Félix do Araguaia e Alto da Boa Vista, Norte
do Mato Grosso. Mas seu nome consta da lista de 68 fazendas, que,
segundo o Ministério da Justiça e a Fundação Nacional do Índio (Funai),
estariam sim dentro da terra dos xavantes.
“Estamos brigando e acabamos de recorrer da decisão da Justiça Federal
de Cuiabá, que considerou os índios os donos da terra” critica Limoeiro,
admitindo que não será fácil tirar os fazendeiros da área “porque todos
nós vamos querer ser indenizados”.
Três laudos antropológicos e 12 anos depois de homologada, a terra
indígena Marãiwatsede virou alvo de uma guerra de liminares.
Recentemente, a Justiça Federal do Mato Grosso decidiu pela retirada da
população não indígena da área. Só que a disputa em torno da região é
bem mais antiga e remonta à década de 1960. Foi quando a população
xavante que vivia na área foi retirada de seu território por aviões da
Força Aérea Brasileira (FAB). Os índios foram transferidos para o Sul do
estado, onde estava a Missão Salesiana de São Marcos.
A remoção foi traumática. De uma população de 300 pessoas, 86 delas
morreram, vítimas de sarampo. No lugar das aldeias dos xavantes
instalou-se a fazenda Suiá-Missú, um megaprojeto agropecuário da família
Ometto, que chegou a ser considerado o maior latifúndio do país. As
terras acabaram vendidas para a estatal petrolífera italiana Agip, que,
na época da Eco-92, prometeu devolver as terras para os índios. A
promessa, no entanto, nunca saiu do papel. Em 1998, o então presidente
Fernando Henrique Cardoso assinou a homologação da terra indígena
Marãiwatsede.
O bispo de São Félix do Araguaia, dom Leonardo Ulrrich Steiner -
substituto de dom Pedro Casaldágila, que transferiu-se para a região nos
anos 70 e é adepto da teologia da libertação - vem acompanhando a saga
dos xavantes. Ele está convencido de que, parte do milagre agropecuário
ocorrido no Mato Grosso se deu por "pilhagem dos recursos naturais e de
comunidades tradicionais":
“Como o desmatamento acaba afugentando os animais, os índios estão
mudando seus hábitos alimentares. Temos acompanhado a situação e é
impressionante como os índices de diabetes e hipertensão estão
aumentando”, observa o bispo.
Um dos maiores infratores ambientais já identificado pelo Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama)
mora no Mato Grosso e tem fazenda na terra indígena Marãiwatsede. Os
Penasso, da fazenda Colombo, constam da lista de punições com autos de
infração por desmatamento ilegal. Recentemente eles foram alvo da
Operação Soja Pirata.
Numa área contínua de 3,6 mil hectares de terra foram apreendidas 14 mil
toneladas de soja. A apreensão seria um caso isolado, não fosse o fato
de 30 das 78 terras indígenas do Mato Grosso estarem localizadas em
municípios com mais de dez mil hectares de soja.
(O Globo)
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