Fórum Teles Pires Vivo faz primeira marcha contra UHE Sinop
O Fórum se posiciona contra a série de hidrelétricas planejadas nos rios
Teles Pires e Tapajós, da qual a UHE Sinop faz parte. Isso, por causa
dos desastrosos e irreversíveis impactos sócio-ambientais para a região.
Seria a morte dos rios Teles Pires e Tapajós.
A caminhada contou com a participação de aproximadamente 350
representantes das entidades e comunidades envolvidas, como pescadores,
camponeses e retireiros, educadores, estudantes, além de representantes
de dez povos indígenas.
Cancelamento das audiências
Uma exigência imediata do Fórum, expressada na caminhada de hoje à
tarde, é o cancelamento das audiências públicas referente à construção
da hidrelétrica Sinop. As audiências foram anunciadas na semana passada
e já se realizarão entre os dias 16 e 23. As entidades membros do Fórum
consideram que não há tempo suficiente para que a população se informe e
prepare para as audiências.
De fato, também o Ministério Público Federal entrou com ação contra as
audiências, pedindo sua anulação.
Preocupação
Na caminhada pelo centro de Sinop, os aproximadamente 350 participantes
passaram primeiro na Justiça Federal da cidade. Lá, o professor Carlos
Sanches da Universidade Federal de Mato Grosso/ANDES – Pantanal
entregou, em nome das entidades reunidas no Fórum, um documento ao juiz
responsável Dr. Murilo Mendes, reforçando o pedido de cancelamento das
audiências.
Depois a caminhada continuou à prefeitura, onde participantes tiveram
uma conversa com o prefeito e o secretário do meio-ambiente. Estes
expressaram que também estariam preocupados e insatisfeitos com o Estudo
do Impacto Ambiental da usina. Confirmaram, ainda, que o órgão federal
responsável, a Empresa de Pesquisa Elétrica (EPE) negou várias vezes
esclarecer as dúvidas da prefeitura.
A passeata seguiu para o Ministério Público do Estado. Inicialmente os
funcionários queriam impedir a entrada dos representantes da caminhada,
insinuando que as entidades pudessem “fazer uma baderna”. Ao final, o
procurador estadual recebeu dois porta-vozes e explicou que ele não era
responsável pelo caso da hidrelétrica, mas um procurador de Alta
Floresta. Este prometeu estar presente nas audiências públicas e, caso
estas sejam canceladas, de receber representantes do Fórum para
responder suas perguntas em reunião a ser agendada.
Rios mortos
O ato público encerra as atividades do seminário
Amazônia em Debate: Compromissos
das Universidades Públicas e Movimentos Sociais, que reuniu
aproximadamente 500 pessoas do Mato Grosso, Pará e Mato Grosso do Sul,
nos dias 10 a 12 de novembro, na paróquia da igreja São Cristovão em
Sinop.
Nos três dias de debates e palestras, os professores das universidades
estadual e federal de Mato Grosso e representantes dos movimentos
sociais apresentaram temas como a história da ocupação da região
Amazônica, a lógica do mercado de energia no Brasil e no mundo, os
impactos sociais e ambientais da implantação de hidrelétricas em geral e
especificamente no caso de Sinop e o complexo Tapajós.
A conclusão foi clara: o complexo de barragens transformará os rios
Teles Pires e Tapajós numa série de lagoas de água estagnada, suja e
morta, eliminando uma grande parte da biodiversidade, despojando
milhares de pessoas, impactando comunidades tradicionais como
ribeirinhos, pescadores, pequenos agricultores e povos indígenas. Ao
mesmo tempo, a energia gerada atenderá apenas às demandas da região
sudeste do Brasil, criando poucos empregos para a região e muito lucro
para as empresas de construção e de energia.
Cada entidade e comunidade presente deixou muito claro que está lutando
em favor de uma sociedade justa e um modelo econômico verdadeiramente
sustentável, com inclusão de todos os cidadãos, com outro modelo
energético e respeito ao meio-ambiente. Um desenvolvimento que o modelo
econômico vigente, o capitalista, não pode realizar. O complexo Tapajós
também não atende a estas demandas, já que não está priorizando o homem,
nem o meio-ambiente em que vive, mas os benefícios econômicos.
O último dia, sexta-feira, dedicou-se à definição das formas de
resistência contra as barragens. Formalizou-se o Fórum Teles Pires Vivo,
que reúne as entidades e povos presentes na luta contra as barragens da
região. Discutiu-se o posicionamento frente às audiências públicas,
consideradas como mero ritual para legitimar o empreendimento, a
mobilização das bases na luta, e seus próximos passos, as alianças a
serem realizadas a nível regional, nacional e internacional.
As entidades convidam outros movimentos e pessoas para aliar-se na luta
contra as barragens.
As seguintes entidades e comunidades fazem parte da luta em defesa dos
Rios Teles Pires-Tapajós e participaram da passeata
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