Filme ‘Home’ abre videoforum sobre crise ecológica
Por Keka Werneck, da Assessoria de Imprensa do Centro Burnier Fé e
Justiça
Um choro, um aviso, um alerta, um consolo. Tudo isso provoca o filme
“Home- O mundo é nossa casa”, direção do francês
Yann
Arthus-Bertrand, que abriu ontem, dia 9 de novembro, o videoforum “Crise
Ecológica e Cinema”. A professora da UFMT, Michele Sato, doutora em
educação, orientou o debate com os presentes, após o belíssimo
documentário. Veja o filme
aqui.
O videoforum está sendo realizado, com entrada franca, pelo
Centro Burnier Fé e Justiça (CBFJ), dias 9, 10 e 11 de novembro, das 19h
às 22 horas, no Auditório do Studium Eclesiástico Dom Aquino Corrêa
(Sedac),
Derci Rocha, 23 anos, de Juína, filósofo e estudante de Teologia no
Sedac, é seminarista, quer ser padre. Ao saber do videoforum pensou em
participar para melhorar seu entendimento sobre a questão ambiental já
que sua diocese, em Juína, fica dentro da Amazônia Legal. Segundo ele,
um padre ou qualquer liderança deve tratar de todos os assuntos que
dizem respeito à vida. Assim como Darci, outros estudantes do Sedac ou
da UFMT, e pessoas vindas de paróquias
O filme lembrou os 4 bilhões de anos de vida na terra e atribuiu ao
homem, que habita o planeta há 200 bilhões de anos, o desequilíbrio
instaurado.
O documentário convida: saiba mais sobre sua vida, indicando que nós
estamos inseridos nessa natureza que está sendo ferida. E pergunta: o
que vamos fazer com ela?
Desenhando a linha histórica da humanidade e sua influência no meio
ambiente, o documentário explica a importância da agricultura, como
primeira revolução humana, para resolver o maior drama humano: a fome, a
necessidade de se alimentar. Essa prática, de forma organizada, se dá há
10 mil anos. Porém, nos últimos 60 anos, a população da terra triplicou
e o petróleo provocou uma segunda revolução humana, maquinizando as
práticas.
Um aviso para a necessidade de muita água na produção internacional de
alimentos e carne. E alertou que a escassez de água pode atingir 2
bilhões de pessoas até 2025. Alguns estudiosos falam em 2015. E um
destaque para a importância dos pantanais na regeneração e purificação
da água, já que, cuidadosamente, se encarregam disso.
O sinal vermelho acende em vários momentos do filme, como quando informa
que em 40 anos a Amazônia foi reduzida em 20%, essencialmente para o
plantio de soja e abertura de pasto para pecuária. Um alarme tanta
produção, sendo que 95% da soja cultivada na Amazônia serve para
engordar aves na Europa. E não para alimentar a humanidade.
O filme mostra ainda que esse modelo de exploração das riquezas naturais
destrói o essencial para produzir o supérfluo. Isso para enriquecer
poucas pessoas. Somente 20% da população mundial consome 80% dos
recursos extraídos do planeta. Na Nigéria, por exemplo, grande
exportadora de petróleo, 70% da população vive abaixo da linha da
miséria. Mais de 1 bilhão de pessoas ainda passam fome. Todo ano 13
milhões de hectares de florestas desaparecem. E para que? Lucro.
Home destaca ainda o aquecimento global, e o risco para populações que
vivem às margens de mananciais, rios e mares. A temperatura média dos
últimos 15 anos foi a maior já registrada. Perigo de enchentes de grande
proporção e outras catástrofes.
A trilha sonora chora por todo o filme, como se fosse o planeta a pedir
um socorro. O expectador é tomado pela angústia da impotência, o peso de
saber que algo precisa ser feito e rápido. Mas o que?
Diz o filme, é tarde demais para desistir, governos agiram, sociedade
estão mudando de comportamento e cada vez mais nos conscientizamos de
que é possível uma outra forma de viver bem com a natureza e inseridos
nela. Uma vida baseada na moderação, no consumo consciente e na divisão
de riquezas. É tarde demais
para sermos pessimistas, há boas iniciativas e exemplo em várias partes
do mundo, que enchem de esperança.
A professora Michele Sato destacou que uma nova visão ambiental surgiu
depois de 1962, com a consolidação da teoria do caos, que aponta a
desarmonia do planeta, a frágil harmonia dos ecossistemas, entre os
quais não há fronteiras. Isso quer dizer que uma agressão aqui reflete
no outro lado do mundo e vice-versa.
Sato mostrou que há correntes anti-ecologismo, justamente porque não
aceitam frear o superlucro. Essas forças, na visão dela, disseminam
informações contraditórias, para confundir a opinião pública. Se o
progresso é tão bom, porque gritar contra ele? Para Michele Sato,
estudar ainda é um ato revolucionário, que abrir nossas mentes e
consciências.
O importante, diz o filme, não é o que perdemos, mas o que nos restou.
Soluções existem. Então, o que estamos esperando?
Informações: (65) 3023-2959.
|
||||