Estudo destrincha invasão da soja em terras indígenas no Mato Grosso
Relatório analisa o caso da TI Maraiwatsede, dos índios Xavante, com 90%
da área invadida por fazendeiros, onde dois projetos de soja são
responsáveis pelo maior desmatamento em Unidades de Conservação do
Estado.
http://www.reporterbrasil.org.br/documentos/indigenas_soja_MT.pdf
O
Centro de Monitoramento de Agrocombustíveis (CMA) da ONG Repórter Brasil
lança nesta semana um novo estudo sobre impactos da soja, focando a
relação da sojicultura com as terras indígenas no Mato Grosso.
Maior produtor do grão do país, o Estado detém também o maior número de
Terras Indígenas. Dos 141 municípios do Mato Grosso, de acordo com dados
do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2008,
apenas 44 (ou 31,2%) não cultivam soja ou não tinham registro da
cultura. No mesmo ano, 54 cidades (ou 38,3%) tinham entre 10 mil e 575
mil hectares de soja. Das 78 Terras Indígenas (TIs) listadas pela
Fundação Nacional do Índio (Funai) no Estado, ao menos 30 ficam em
municípios com mais de 10 mil hectares de soja.
Problemas inerentes à produção de soja no cerrado, como desmatamento,
contaminação de solos e cursos d’água, desertificação, pressão sobre os
territórios e outros já têm afetado várias aldeias indígenas.
Um
dos casos mais graves, no entanto, é a invasão e o desmatamento da Terra
Indígena Maraiwatsede. Homologada pelo governo federal em 1998 com 165
mil hectares, a TI permanece com 90% de seu território ocupado
ilegalmente por fazendeiros e posseiros não indígenas, majoritariamente
criadores de gado e produtores de soja e arroz. Estas atividades são
responsáveis por um dos maiores desmatamentos em áreas protegidas do
estado do Mato Grosso: 45% da mata nativa de Maraiwatsede já foi
destruída, como aponta o Relatório 2010 do Programa de Monitoramento de
Áreas Especiais (ProAE) do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam).
Entre os invasores da TI, estão “personalidades” o ex-prefeitos e o
atual prefeito de Alto da Boa Vista e seu irmão, o prefeito de São Félix
do Araguaia, e vários vereadores. Mas são duas fazendas de soja as
maiores responsáveis pelo desmatamento ilegal da área, tendo sido
multadas várias vezes pelo Ibama e agora denunc iadas pelo Ministério
Público Federal.
O
estudo do CMA/Repórter Brasil destrincha este caso e aborda a pressão da
soja em outras áreas, como a terra de Sangradouro, também dos Xavantes,
e as terras dos Paresi, Irantxe e Nambikwara, que passaram a cultivar
soja em parcerias com fazendeiros, questionadas pelo poder público.
Por fim, o relatório discute alternativas e boas práticas do setor, como
o projeto Y Ikatu Xingu, que busca recuperar as áreas degradadas da
cabeceira do rio Xingu.
Para acessar o estudo:
http://www.reporterbrasil.org.br/documentos/indigenas_soja_MT.pdf
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