Seca
eleição
Por
Dafne Spolti
Para
conviver com toda a tensão urbana dessa época, é preciso buscar uma
energia cósmica absoluta. Lembrar um mantra, pensar no som das águas.
Mas às vezes não dá. Além do caos que une a seca poluída com o asfalto e
falta de vento, é preciso conviver ainda com a campanha eleitoral.
Andamos entre milhões de placas, bandeiras, adesivos e sons. Perdidos. O
sentimento é de morte. Enquanto algumas pessoas ficam com seus pés
suados, andando, sufocando com secura, as grandes caminhonetes de
latifundiários, empresários e outros ricaços desfilam com o nome “Riva”.
Eles lá, ao ar-condicionado, defendendo os interesses Dele. E nós, nessa
situação.
Também do Sérgio Ricardo há adesivos em toda a parte. Muitos, colados em
carros velhos de gente pobre, revelam a insanidade desse Estado que
permite a um apresentador de TV ser parlamentar, ou vice-versa. Ainda
dessa turma televisiva tem o Walter Rabello. Não tão poderoso quanto
Sérgio Ricardo e nem comparável ao José Riva, mas também xarope.
Cada
um ao seu estilo, uns com mais poder e outros com menos, vão se tornado
nossos “representantes”. Nos roubam a programação boa e produtiva que
temos por direito. Às custas de uma mídia sem fiscalização e de
regulamentação tosca, nos fazem engolir poeira seca o tempo todo.
Enjoada do tempo, das eleições, quero me trancafiar numa casa com rios e
mata fechada. Esse país está muito poluído. A depressão vai tomando
conta de todos e todas. Já não dá mais vontade de comer, nem acordar,
nem de fazer nada.
Cansadíssima, não aguento esperar a primavera chegar. E olha que sou
apenas uma estudante “meio de classe média”... Deus do céu. Vida dura.
*
Dafne Spolti é Estudante de Jornalismo da UFMT e membro do Coletivo
Juntos Somos Fortes
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