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MT usa 20% de todo o veneno agrícola consumido no Brasil
* Por Keka Werneck
Como se vê, há problemas trabalhistas no setor. Há também, por tabela,
problemas ambientais e de saúde. Tanto é que motivaram tal oficina.
O professor Wanderlei Pignati, 58 anos, do Instituto de Saúde Coletiva
da UFMT, é doutor em saúde do trabalhador e ambiente pela FIOCRUZ,
realizadora da oficina. “O uso de venenos primeiro impacta os
trabalhadores, segundo a família, depois a população e o ambiente. Sendo
que essa cadeia começa com o desmatamento e continua na indústria da
madeira, agricultura e pecuária, transporte e armazenamento desses grãos
e a própria agroindústria em si. O que fica mais evidente e mais grave
em primeiro lugar são os mutilados e sequelados da primeira etapa da
cadeia do agronegócio. Muitos vão inclusive a óbito. Em segundo lugar,
são também muito graves as intoxicações agudas e crônicas, decorrentes
do uso e abuso dos agrotóxicos nas lavouras”.
No dia 6 de setembro deste ano, o jornal Folha de S.Paulo divulgou que
pesquisadores da FIOCRUZ encontraram resíduos de agrotóxicos no sangue e
na urina de moradores de Campo Verde e Lucas do Rio verde, em poços
artesianos e amostras de ar e de água da chuva coletadas em escolas
públicas. As duas cidades são meninas-dos-olhos do agronegócio no
Estado.
Segundo informações da Folha, o monitoramento da água de poços revelou
que 32% deles continham resíduos de agrotóxicos, também achados em mais
de 40% das amostras de chuvas. Já 11% das amostras de ar tinham resíduos
de tóxicos como o endossulfam. Este produto está entre os 14
ingredientes ativos que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa) colocou em reavaliação toxicológica em 2008. Em agosto deste
ano, a Anvisa publicou a resolução que determina a proibição da
importação do endossulfam a partir do ano que vem, a proibição da
fabricação em território nacional a partir de 31 de julho de 2012 e a
proibição da comercialização e do uso a partir de 31 de julho de 2013. A
razão disso são as evidências de que o agrotóxico pode provocar defeitos
congênitos (nascimento de bebês com malformações genéticas), abortos
espontâneos, problemas no desenvolvimento, além de problemas
neurológicos, imunológicos e hormonais.
Na última safra, 8% das 2,5 milhões de toneladas de soja e milho
colhidas no Estado saíram das cidades pesquisadas.
“Mato Grosso é campeão em produção de soja; segundo em produção de
milho; primeiro em algodão; primeiro em boi; e primeiro em uso de
agrotóxicos!”- destaca Pignati. “Quem vai pagar os prejuízos em mortes e
internações hospitalares? E a despoluição ambiental?”- indaga.
Essa oficina se faz necessária, segundo Pignati, diante das condições
precárias dos trabalhadores no agronegócio e da precária organização da
vigilância em saúde dos trabalhadores na zona rural.
O evento visa discutir e potencializar as iniciativas de pesquisadores,
instâncias públicas e organizações da sociedade civil com vistas ao
controle ou à eliminação de riscos à saúde dos trabalhadores e ao
ambiente em setores do agronegócio. Pretende-se reunir um conjunto de
convidados que possam contribuir para formulação de estratégias nessa
direção e para construção de um esboço de protocolo que sirva para
subsidiar a atuação intersetorial dos vários segmentos envolvidos.
Os convidados vão participar da oficina na perspectiva de abordar as
questões com profundidade e reagir contra.
Leia entrevista completa do professor Wanderlei Pignati
aqui.
Veja aqui o folder do
evento.
Keka Werneck, da Assessoria de Imprensa do Centro Burnier Fé e Justiça |