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‘Não tomarás
o santo nome de Deus em vão’
Fonte: Adital
Em nenhuma época da humanidade se falou tanto de
Deus. Basta ligar uma TV com parabólica e contar os canais ditos
confessionais. São pelo menos quatro em nome dos católicos e três em
nome dos evangélicos. Mas, não é só. Pregadores desfilam programas
comprados em outros canais comerciais tanto durante o dia como pelas
madrugadas. Há uma super oferta de pregações, cultos, missas, terços -
misturados com ofertas de produtos -, sempre em nome de Deus. Ligando o rádio, vamos ouvir mais uma vez uma série
de programas católicos e evangélicos. Grande parte é programa musical,
dessas com uma pobreza literária, melódica, bíblica, teológica de
arrepiar os ossos, com meia dúzia de palavras já previsíveis -amém,
aleluia, glória, eu e Deus, Deus e eu, eu te amo- inundando nossos
ouvidos. Essa música invadiu também a liturgia e hits ocupam o lugar da
boa música litúrgica, trazendo o individualismo até no momento do Pai
Nosso. O capital demorou para descobrir que religião é um ótimo
comércio, mas agora explora até a última medalhinha milagrosa para fazer
dinheiro. Era inevitável que as religiões, inclusive o
cristianismo, se aproximassem dos meios de comunicação. Afinal,
evangelho quer dizer exatamente "boa notícia". Portanto, são meios que
podem ser postos a esse serviço. Porém, o que se está fazendo com esses
meios de comunicação em nome de Deus é que é a questão. Não se espere
daí uma palavra profética em nome da justiça, dos pobres, porque é um
anúncio mutilado que precisa sobreviver segundo as regras do mercado. O certo é que, em nenhuma outra época, se manipulou
tanto o nome de Deus como nessa que vivemos. Nessas eleições, então,
chegou-se às raias da aberração. A difamação, calúnia, parcialidade,
inclusive por alguns bispos católicos - usaram até o nome da CNBB -,
perdeu qualquer referência bíblica de respeito pelo próximo. "Levantar
falso testemunho", ou "invocar o Santo nome de Deus em vão" tornou-se
prática do cotidiano. Com dois pesos e duas medidas para avaliar e
recomendar candidatos, perdeu-se até o senso da dignidade. Ninguém manipula a Deus, mas pode manipular seu
nome. Entramos no terreno perigoso da caça às bruxas, com um vasto
respaldo dos meios de comunicação.
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