Eleições 2010: entre o padre e o voto!
Por
Marilza Lopes
Domingo, 17 de outubro de 2010 - Antes de proferir a benção final na
missa em que presidia na Comunidade Santa Isabel, no bairro Santa
Isabel, em Cuiabá, Pe. Izaías, sub-secretário da CNBB/MT, a despeito de
dar orientações sobre as eleições, chama a atenção dos fiéis para que no
dia 31 de outubro, fiquem atentos e não votem em candidatos que são a
favor do aborto, citando o nome da candidata Dilma e do Partido dos
Trabalhadores como gente a favor do aborto e que os fiéis devem pensar
muito bem na hora de votar e pesquisar o passado da candidata, além de
recomendar que assistam vídeo no YouTube de D. Luís – bispo de
Guarulhos. A reação de parte da comunidade foi imediata. Uns gritaram
que é preciso pesquisar também o passado do também candidato Serra
quando foi ministro da saúde e que também é a favor do aborto; outros se
indignaram com a fala do padre e no pátio da Igreja, pude ouvir uma
senhora da comunidade dizer:
“mulher não pode ser padre, mas pode ser presidente do Brasil”.
Ultimamente, é o que se tem visto: padres e bispos utilizarem-se do
púlpito com o pretexto de dar orientações para fazer campanha
político-partidária. Isto é anti-evangélico. Apresentar a candidata a
presidente como assassina de criancinhas e manchar sua reputação com
falsas acusações é ser contra a proposta de Jesus. Considerar os leigos
e as leigas como “criancinhas dóceis e inocentes que precisam ser
levados pela mão da hierarquia”, é negar o Vaticano II que eliminou esta
concepção e desconsiderar que todo cristão, pelo Batismo é “profeta,
sacerdote e rei”. Aliás, ninguém melhor do que o leigo e a leiga para
falar de política, este vasto e específico campo de atuação do leiga e
da leiga, protagonista da evangelização e sujeito eclesial. À hierarquia
não cabe assumir poderes políticos e indicar aos leigos e leigas que
votem nesse candidato e não votem nessa candidata.
Sobre o aborto, este é um atentado à vida, do qual sou contra, não por
motivos religiosos, mas pura e simplesmente por ser a favor da vida. O
tema deve ser discutido pela sociedade civil e nós, os católicos, irmos
às ruas, às praças, em romarias, em caminhadas, com abaixo-assinado, nas
escolas, nas universidades para debatermos nossa postura pela defesa da
vida, dos pobres, dos excluídos. Essa é a questão: a opção pela vida, a
opção pelos pobres! Mais alimentos na mesa dos pobres, mais empregos de
carteira assinada, redução da mortalidade infantil... Esta é a luta pela
defesa da vida plena!
É
fundamental a luta contra o aborto, mas é também fundamental a luta pela
vida plena. “Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância!”
O
Brasil está mudando e precisa continuar mudando! A nossa arma é o voto e
não o padre.
*
Marilza Lopes Schuina – professora, presidente do Conselho Nacional do
Laicato do Brasil – CNLB/Regional MT e vice-presidente do CNLB/Brasil. |