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MÍDIA – A agenda do eleitor
Por Gibran Lachowski
Mas política é mais do que eleição, e ainda que tratemos de período de
concorrência, o cenário noticioso pode ser bem mais diverso, completo e
complexo. Uma boa proposta para os meios de comunicação é inverter a
lógica jornalístico-eleitoral e mostrar esse cenário a partir da agenda
do eleitor.
Disputa de espaço
Daí as reuniões de postulantes, comícios, caminhadas e carreatas deixam
de ser foco das atenções para, no mínimo, ter que dividir espaço com as
ações político-eleitorais do povo. Entre elas, sabatinas com candidatos,
entrevistas coletivas feitas por lideranças comunitárias, elaboração de
propostas de governo por grupos sociais, pesquisas junto à população
para saber o que se quer realmente dos eleitos.
E
a mídia tem papel importante para potencializar a agenda do eleitor, não
só fazendo a cobertura jornalística, mas também estimulando e
organizando eventos do tipo. Quando isso ocorre é possível dizer que se
está fazendo, de fato, o Jornalismo Comunitário ou o Jornalismo de
Interesse Público ou o Jornalismo Cívico ou o Jornalismo Cidadão ou
Jornalismo Popular ou, simplesmente, o Jornalismo.
Ideias
Os
veículos de comunicação podem, com tranqüilidade, coordenar painéis
comunitários de discussão sobre temas específicos de interesse público
para recolher propostas nas áreas de saúde, educação, segurança pública,
combate a pobreza... Daí chamar candidatos da região, expor os pontos
consensuados e verificar seus posicionamentos, porém tudo isto com a
presença física da população.
Também pode veicular em jornais, revistas, sites, emissoras de rádio e
tv artigos, entrevistas, matérias e reportagens com representantes de
ongs, sindicatos e associações a respeito das demandas comunitárias. Dar
espaço a essas lideranças é fundamental para incentivar que a mídia
caminhe, efetivamente, para se tornar porta-voz da pluralidade.
Ainda é possível realizar debates em que o público seja protagonista
podendo efetuar perguntas diretamente aos candidatos em uma praça, um
centro de eventos, um ginásio ou local semelhante. Não podemos ser
reféns de encontros televisivos.
Contudo, para que a agenda do eleitor passe a existir midiaticamente é
preciso semear a ideia em grupos de pressão social, colégios,
faculdades, universidades, empresas, órgãos públicos, vizinhanças,
famílias e tudo o mais.
Afinal, somos co-responsáveis pelo tipo de mídia que temos e consumimos.
Sigamos em frente, com a plena noção de que não somos espectadores, mas,
sim, protagonistas de nossas histórias.
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Gibran Lachowski é jornalista, professor e coordenador do curso de
Comunicação da Faculdade Cenecista de Rondonópolis
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