Arcebispo de Cuiabá apoia nota da CNBB que rechaça uso eleitoreiro da Igreja na campanha presidencial

 

Keka Werneck, da Assessoria de Imprensa do Centro Burnier Fé e Justiça

 

O arcebispo metropolitano de Cuiabá, dom Milton Santos, em tom de impaciência, disse hoje (15.10) que concorda com as orientações postas na nota emitida pela Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB), dia 8 de outubro, em Brasília. Na nota, a entidade “lamenta profundamente que o nome da CNBB – e da própria Igreja Católica – tenha sido usado indevidamente ao longo da campanha, sendo objeto de manipulação”. A Nota é uma reação ao imbróglio entre os candidatos José Serra (PSDB) e Dilma (PT). Serra acusa Dilma de ser favorável ao aborto. Ela nega. Esse debate, imposto pelos tucanos, está dando o tom eclesial a essa reta final de campanha, embora o Estado brasileiro seja laico. Os dois candidatos, na briga pelos votos, têm sido vistos em missas. Dom Milton disse também coadunar com a nota emitida no dia 22 de agosto pela regional Oeste 2 da CNBB, da qual Mato Grosso faz parte, que condena a venda do voto e, assim como a nota nacional, comemora a Lei da Ficha Limpa.

“Se cometi algum pecado, me diga qual”, indagou Dom Milton, se referindo ao fato dele apoiar as duas notas e à pressão política que invadiu os bastidores da Igreja Católica.

A influência da Igreja se dá não só pela histórica intervenção social que mantém, mas essencialmente porque no Brasil, segundo o IBGE, 73,6% da população se diz católica. Em período eleitoral, pessoas são iguais a votos.

“É toda hora gente me perguntando sobre esse assunto. A forma de perguntar também pode ser uma forma de coação”, reclama o arcebispo de Cuiabá.

A nota da CNBB, assinada pelo presidente da entidade, dom Geraldo Lyrio Rocha, além do vice e o secretário geral, respectivamente dom Luiz Soares e dom Dimas Barbosa, assegura o “direito – e, mesmo, dever – de cada Bispo, em sua dicocese, orientar seus próprios diocesanos, sobretudo em assuntos que dizem respeito à fé e a à moral cristã”.

Leia aqui a nota da CNBB do Brasil e aqui a nota da regional Oeste 2.








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