Incêndios: caso de polícia, questão de saúde
Mato Grosso tem tratado o problema dos incêndios florestais como uma
questão ambiental, isso é natural. Mas essa abordagem tem sido
eficiente?
Por Augusto Pereira
A
fumaça vem do fogo irresponsável de milhares de pessoas em Mato Grosso.
Nas áreas urbanas pessoas queimam o lixo, reduzem a parte sólida em seus
quintais e compartilham o lixo em forma de fumaça com seus vizinhos. As
pessoas jogam o lixo para o ar. Da zona rural vem a maior quantidade de
fumaça. Seguindo o ensinamento de que o fogo "limpa" o pasto,
agricultores ou pecuaristas aplicam a técnica primitiva, desgastando o
solo, perdendo mais água e jogando para o ar mais fumaça.
Digamos que um agricultor produtor ou pecuarista não conheça uma forma
diferente de resolver seu problema, ainda assim ele tem a obrigação de
impedir que o fogo não queime mais do que ele planejou. Técnicas de
queimada segura foram ensinadas em muitas áreas do estado. O Programa
Fogo e o Projeto Proteger, no início da década, mostravam técnicas de
fazer uma queimada eficiente, abrindo uma roça do tamanho que o
agricultor precisava. O fogo é uma ferramenta de trabalho da grande
propriedade e da agricultura familiar. O mau uso dessa ferramenta
transforma a queimada num incêndio.
Incêndios rurais causam prejuízos patrimoniais nos vizinhos e muitas
vezes ao próprio causador. Há muitos relatos de canos de irrigação
derretidos, roças queimadas e até casas destruídas. O procedimento para
quem foi lesado é denunciar à polícia. O causador do incêndio vai dormir
na cadeia algumas noites. Isso aconteceu em Sinop, Vera, mas não temos
muitos exemplos desse tipo de punição. Na verdade os casos de punição a
qualquer tipo de crime ambiental são exceção.
Esse não é o único motivo, mas possivelmente é o mais importante para
continuarmos sofrendo com os incêndios. Apenas 1% das multas ambientais
são pagas em Mato Grosso segundo uma reportagem publicada em abril deste
ano em alguns veículos do estado.
As
multas ambientais não são emergenciais para o Estado nem o meio ambiente
é prioridade. Sabendo que Mato Grosso sofre anualmente com as queimadas
e consideramos isso um problema ambiental. Mas esse tratamento continua
ineficiente, parece razoável dar a atenção exigida encarando incêndios e
queimadas como casos de segurança e saúde públicas.
* Augusto Pereira é Comunicador
Social formado em Rádio e TV, atua com questões ambientais, com foco na
valorização das relações comunitárias.
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