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Dilma: garantir conquistas e consolidar avanços
Serra representa outro projeto de Brasil que vem do passado, se reveste
de belas palavras e de propostas ilusórias mas que fundamentalmente é
neoliberal e não-popular e que se propõe privatizar e debilitar o Estado
para permitir a atuação livre do capital privado nacional, articulado
com o mundial.
Leonardo Boff
Fonte:
http://www.cartamaior.com.br/
O
Brasil já deixou de “estar deitado eternamente em berço esplêndido”. Nos
últimos anos, particularmente sob a administração do Presidente Lula,
conheceu transformações inéditas em nossa história. Elas se derivaram de
um projeto político que decide colocar a nação acima do mercado, que
concede centralidade ao social-popular, conseguindo integrar milhões e
milhões de pessoas, antes condenadas à exclusão e a morrer antes do
tempo. Apesar dos constrangimentos que teve que assumir da macroeconomia
neoliberal, não se submeteu aos ditames vindos do FMI, do Banco Mundial
e de outras instâncias que comandam o curso da globalização econômica.
Abriu um caminho próprio, tão sustentável que enfrentou com sucesso a
profunda crise econômico-financeira que dizimou as economias centrais e
que devido à escassez crescente de bens e serviços naturais e ao
aquecimento global está pondo em xeque a própria reprodução do sistema
do capital.
O governo Lula realizou a revolução brasileira no sentido de Caio Prado
Jr. no seu clássico A Revolução Brasileira (1966):”Transformações
capazes de reestruturarem a vida de um pais de maneira consentânea com
suas necessidades mais gerais e profundas, e as aspirações da grande
massa de sua população…algo que leve a vida do país por um novo rumo".
As transformações ocorreram, as necessidades mais gerais de comer,
morar, trabalhar, estudar e ter luz e saúde foram, em grande parte,
realizadas. Rasgou-se um novo rumo ao nosso pais, rumo que confere
dignidade sempre negada às grandes maiorias. Lula nunca traiu sua
promessa de erradicar a fome e de colocar o acento no social. Sua ação
foi tão impactante que foi considerado uma das grandes lideranças
mundiais.
Esse inestimável legado não pode ser posto em risco. Apesar dos erros e
desvios ocorridos durante seu governo, que importa reconhecer, corrigir
e punir, as transformações devem ser consolidadas e completadas. Esse é
o significado maior da vitória da candidata Dilma que é portadora das
qualidades necessárias para esse “fazimento” continuado do novo Brasil.
Para isso é importante derrotar o candidato da oposição José Serra. Ele
representa outro projeto de Brasil que vem do passado, se reveste de
belas palavras e de propostas ilusórias mas que fundamentalmente é
neoliberal e não-popular e que se propõe privatizar e debilitar o Estado
para permitir atuação livre do capital privado nacional, articulado com
o mundial.
Os ideólogos do PSDB que sustentam Serra consideram como irreversível o
processo de globalização pela via do mercado, apesar de estar em crise.
Dizem, nele devemos nos inserir, mesmo que seja de forma subalterna.
Caso contrário, pensam eles, seremos condenados à irrelevância
histórica. Isso aparece claramente quando Serra aborda a política
externa. Explicitamente se alinha às potências centrais, imperialistas e
militaristas que persistem no uso da violência para resolver os
problemas mundiais, ridicularizando o intento do Presidente Lula de
fundar uma nova diplomacia baseada no dialogo e na negociação sincera na
base do ganha-ganha.
O destino do Brasil, dentro desta opção, está mais pendente das
megaforças que controlam o mercado mundial do que das decisões políticas
dos brasileiros. A autonomia do Brasil com um projeto próprio de nação,
que pode ajudar a humanidade, atribulada por tantos riscos, a encontrar
um novo rumo salvador, está totalmente ausente em seu discurso.
Esse projeto neoliberal, triunfante nos 8 anos sob Fernando Henrique
Cardoso, realizou feitos importantes, especialmente, na estabilização
econômica. Mas fez políticas pobres para os pobre e ricas para os ricos.
As políticas sociais não passavam de migalhas. Os portadores do projeto
neoliberal são setores ligados ao agronegócio de exportação, as elites
econômico-financeiras, modernas no estilo de vida mas conservadores no
pensamento, os representantes das multinacionais, sediadas em nosso pais
e as forças políticas da modernização tecnológica sem transformações
sociais.
Votar em Dilma é garantir as conquistas feitas em favor das grandes
maiorias e consolidar um Estado, cuja Presidenta saberá cuidar do povo,
pois é da essência do feminino cuidar e proteger a vida em todas as suas
formas.
Leonardo Boff é teólogo e escritor.
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