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Wagner Moura! Por Keka Werneck Chamá-lo de ator
global é muito reducionismo! O baiano Wagner Moura está entre os mais
relevantes atores brasileiros, considerando que, além de arrasar no que
se propõe a fazer profissionalmente, que é interpretar no teatro, no
cinema e na televisão, também sabe falar sobre a vida e o mundo.
Seria preconceito pensar que atores globais não sabem falar sobre a vida
e o mundo?
Foi esse cara sensível, bem informado e politizado que deu entrevista
ontem no programa Roda Viva (TV Cultura), que agora tem como âncora a
jornalista Marília Gabriela. Ela é meio impostada, mas também gosto
dela. Principalmente depois que namorou o Gianecchini e sofreu ataques
públicos por ser mais velha que ele.
O Roda Viva continua sendo o que há de melhor na televisão.
Eu até quis mudar de canal para ver a novela Passione (Globo), onde o
ex-namorado da apresentadora é o crápula Fred. Afinal de contas ontem o
Totó havia levado a Felícia para jantar, no mesmo restaurante onde a
esquifosa Clara está trabalhando de garçonete. Novela é uma doença! Mas
não resisti ao Moura. Até fora da Globo ele arrasta audiência.
Assim como ver novela, também deveria ser um vício mudar de canal.
Moura, que é jornalista por formação, defendeu a teledramaturgia em
detrimento dos shows de realidade que tomaram as programações. Defendeu
o teatro como uma arte “bastante mais complexa do que o cinema”.
Defendeu a distribuição de filmes por conta do produtor, para tirar a
arte das mãos das multinacionais. Defendeu o programa Bolsa Família,
enquanto houver uma única família no Brasil que passa fome. E disse que
é um entusiasta do Governo Lula, porém sofreu forte desesperança nos
últimos anos, porque esse projeto se perdeu em nome da tal
governabilidade. Por fim, confessou o voto em Marina para presidente
(PV), por entender que ela significa um passo além, acreditando
inclusive que a questão ambiental deve pautar, em primeiro plano -
primeiríssimo plano! - os rumos políticos do país de agora em diante.
Ele também disse que no Rio de Janeiro está fazendo campanha abertamente
para o deputado estadual Marcelo Freixo, do Psol, que faz resistência às
milícias.
Para quem não sabe, ele explicou que as milícias são o que se pode
chamar de crime organizado hoje no Brasil. São mais arrojadas do que o
tráfico, explicou ele, porque, além de vender drogas, também dominam as
comunidades em tudo, como poder paralelo mesmo e, para se manter no
status quo, estão devidamente representadas nos parlamentos.
Essas milícias aparecem muito, conforme Moura, no filme Tropa de Elite
2, no qual ele faz o capitão Nascimento, agora mais velho e em crise de
identidade.
Wagner Moura lamentou ter sido criticado por humanizar esse personagem e
disse que, fazendo uma pesquisa de campo, antes do Tropa 1, verificou
que os caras do Bope são pessoas comuns, duramente treinadas para
acreditar em um violento modelo de segurança pública, que o ator
considera fracassado, tanto para os servidores quanto para o povo.
Para Moura, reduzirá a criminalidade quando o Estado brasileiro se fizer
presente, levando mais do que a Polícia Militar para dentro das favelas
e das comunidades empobrecidas. Quando o Estado tiver a sensibilidade de
colocar lá um belo parquinho paras as crianças brincarem, boas escolas,
infraestrutura decente, enfim.
Não é a pólvora que ele inventa falando isso. Mas, de qualquer forma,
foi bom ver um grande ator fazendo análises progressistas.
Moura só baixou o astral do papo quando disse que está ganhando hoje
muito dinheiro com publicidade. Ele não precisava disso! Mas também,
nesse modelo capitalista, a gente acaba sendo fisgado de alguma forma.
Veja
aqui Wagner Moura apoiando o
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).
Keka Werneck é jornalista em Cuiabá |