|
A
CORRUPÇÃO CENSURADA
Por: Vilson Nery e Antonio
Cavalcante Filho Não causou o menor
espanto a decisão de veto, anunciada minutos antes do início do debate
realizado sábado (25/09), em Cuiabá, entre os candidatos ao governo de
Mato Grosso. No alto de seu ‘poder’, os organizadores da mencionada
discussão de idéias, sem justificativas, simplesmente proibiram que o
assunto ‘corrupção’ fosse abordado pelos candidatos. Uma pena. Mas nada
novo. Em Mato Grosso
temos uma das mais longevas censuras à imprensa de que se tem notícia. E
o cerceamento de liberdade (de comunicar e de receber a informação) tem
a ver exatamente com a corrupção. A coisa funciona
assim: determinados políticos, mesmo enrolados na justiça por suas
cleptomaníacas relações com o erário, são tratados como deuses, por
setores da imprensa. Em retribuição, os ‘vendedores de opinião’ recebem
mensalmente polpudas quantias de verbas publicitárias. ‘Por dentro’ e
‘por fora’.
Mas a censura do tema ‘corrupção’ nos
debates entre os postulantes ao Paiaguás traz um prejuízo irreparável ao
poder de decisão do eleitor para formar sua convicção. O ‘dies ad
quem’ do processo eleitoral (3 de outubro) se aproxima. E tem muita
coisa que poderia ser esclarecida, se o debate não sofresse a famigerada
censura. Exemplifiquemos.
O ‘Secomgate’ foi um assalto às
verbas publicitárias, cujos autores são eméritas figuras de governos
recentes, e que rendeu (com o lucro) uma grande rede de comunicação, com
rádio, tevê e jornal. Da noite pro dia o império nasceu, e hoje (des)
manda em nossos políticos. Investigando o
sumiço das verbas do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), em
busca do paradeiro de 700 milhões de reais destinados à construção de
casas, redes de água e esgoto, a polícia chegou a figuras da política.
Identificados os meliantes (autoria), faltou a recuperação do butim
(materialidade), e a vítima (povo) continua sem água encanada. Mas o PAC
em Cuiabá e Várzea Grande, graças à corrupção, empacou de vez! E não é apenas e
tão somente isto (como diria o humorista!). Tem o vergonhoso
escândalo do ‘Mato Grosso 70% equipado’ (30% é propina), que sangrou os
cofres do Estado em mais de 44 milhões de reais. Em estado de
flagrância, alguns meliantes desandaram a chorar. Outros riem da nossa
cara até hoje. E o que dizer da
compra de um Partido Político (nas eleições de 2008) por 400 milhões,
até hoje não esclarecida a origem da grana e quem prometeu o pagamento?
E o desvio de 9 milhões de reais do Senar (verba federal), de dinheiro
destinado a comprar livros a crianças da área rural? O interessante é
que esses escândalos indignam o Alexandre Garcia (Tv Globo), mas são
proibidos de citação entre os candidatos a governador. Os deputados que
enriqueceram ao lado do Arcanjo, a ele entregando cheques (da Assembléia
Legislativa) em branco, alguns inclusive recebendo pensão (uma espécie
de aposentadoria) milionária paga com recursos públicos, mereciam
explicar-se ao povo. E os candidatos que
recebem aposentadorias da Assembléia Legislativa, do Governo, do
Tribunal de Contas, da Câmara do Senado, deveriam explicar a ‘mágica’
aos velhinhos que morrem nas filas do INSS. Interessante é que
os protagonistas dos escândalos do passado são candidatos novamente,
agora beneficiados com a censura ao tema (corrupção), nos debates. Alguém merece isso? Vilson Nery e
Antonio Cavalcante Filho são militantes do MCCE (Movimento de Combate à
Corrupção Eleitoral) Comitê de Mato Grosso.
|