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O Brasil é um Estado laico. O governo não prega religião,
mas ela tem influência nos aspectos social, cultural e
político do país. As informações foram assumidas por dom
Milton Santos, 64, arcebispo da Arquidiocese católica de
Cuiabá, e pelo pastor evangélico-luterano Teobaldo Witter,
60, em entrevista concedida ao Diário de Cuiabá.
Eles orientam os fiéis de suas
congregações a escolherem bem em quem vão votar. Recomendam
pesquisar o passado do candidato e a não votar nos
fichas-sujas. A Igreja Católica incentiva fiéis leigos a
entrarem na vida política, mas não permite que padres se
candidatem. Já pastores podem ser candidatos, para trabalhar
não apenas para o seu grupo de pessoas, mas para toda a
sociedade.
Dom Milton informou que a
Arquidiocese de Cuiabá iniciou movimento cívico-religioso
com professores paroquiais, que são os multiplicadores
leigos para as 512 comunidades de 27 paróquias, envolvendo
18.500 pessoas nos grupos de reflexões.
Pastor Teobaldo disse que a Igreja
Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) está no
país desde 1824, quando migrantes edificaram comunidades e
escolheram seu presbitério, seus ministros religiosos, a
presidência de sua igreja e seus conselheiros. A Igreja pede
para, antes de votar, ouvir, pesquisar, indagar, questionar,
propor, selecionar.
“É hora de olhar nos olhos dos
candidatos e não se deixar enganar por belas palavras e
slogans políticos vazios, vendo neles a real intenção dos
seus programas de governo, dos seus projetos legislativos e
a vontade política de defender a vida humana desde a sua
concepção até o seu final natural, de promover a família
brasileira fundada sobre o casamento entre o homem e a
mulher, de preservar o meio ambiente no respeito aos vários
biomas existentes em nosso país”, defendeu dom Milton.
Na campanha ficha-limpa o povo
brasileiro deu um bom exemplo de ajuda para a transformação
da sociedade. “Toca agora a cada eleitor escolher pessoas
honestas, competentes, desprovidas de interesses pessoais,
de grupos ou de setores privilegiados da sociedade, mas que
promovam o bem comum e tenham compromisso social com os mais
necessitados. Eles têm o direito de saber para votar
conscientemente e a responsabilidade de não eleger quem
desmereceu sua confiança”, enfatizou o prelado católico.
Para o pastor Teobaldo, a lei da
ficha-limpa é muito importante. “O fato de denúncias de
desonestidade de alguns mandatários serem levadas ao público
é sinal de que as coisas estão melhorando. Já não é mais tão
simples esconder a corrupção. A participação da indignação
popular cresce na busca por transparência e justiça. A lei
da ficha-limpa é uma consequência do clamor de parte
considerável da população brasileira. Ela deve ser, agora,
aplicada adequadamente pelos órgãos responsáveis”,
ratificou.
O voto não tem preço, tem
consequência: é uma decisão da consciência e exercício da
cidadania que se reflete na vida das pessoas, frisou dom
Milton.A igreja apoia as práticas políticas da luta por
trabalho, moradia, água tratada, alimentação, saúde pública,
segurança, lazer, terra, escola, coleta e tratamento de
lixo, enfim, as coisas necessárias para a vida humana com
dignidade, emendou o pastor Teobaldo.
O pluralismo na política é
necessário para a saúde da democracia. Sem isso, não há
regime democrático. No púlpito, a linguagem é bastante
simbólica e se refere ao sagrado. Diante do sagrado, as
pessoas silenciam. Elas ficam sem argumentos. Na política,
não pode haver silêncio. Deve haver argumentação. Houve
época na história em que Igreja e Estado eram uma coisa só.
Foi tempo muito ruim, com escravidão, terrorismo e guerra
santa, lembrou o pastor luterano.
A Arquidiocese de Cuiabá está
sistematizando um setor de elaboração de projetos na
dimensão social na área administrativa com esta finalidade.
É dever dos governos municipal, estadual e federal
destinarem verbas para o social, para a educação, mas é
preciso que tudo se comprove com Projetos e Prestações de
Conta, assumiu dom Milton.
O pastor Teobaldo entende que quem
deve fazer este trabalho é o Estado. Para isso ele foi
criado e para isso o cidadão vota e paga impostos. A Igreja
deve cuidar da vida de fé, enquanto o Estado cuida da vida
temporal, material, humana. Mas, como o Estado tem
fracassado, não dá conta, a sociedade se organiza, através
do terceiro setor, das igrejas, do movimento social.
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