'Chapéu Preto' é de novo denunciado

Da Reportagem

A ocupação ilegal de terras da União destinadas à reforma agrária para fins
particulares em Novo Mundo (785 quilômetros de Cuiabá) motivou o Ministério
Público Federal (MPF) a denunciar novamente Sebastião Neves de Almeida, o
conhecido "Chapéu Preto". Latifundiário da região, o acusado é conhecido há
décadas da Justiça, sobretudo por manter em suas propriedades trabalhadores
em situação análoga à de escravidão.

Outras nove pessoas também foram denunciadas na ação por participação na
grilagem. Com exceção do latifundiário, que já estava preso por ter cometido
outros crimes, todos os denunciados foram presos preventivamente por
determinação do juiz federal Fábio Henrique de Rodrigues Moraes Fiorenza, de
Sinop.

Segundo denúncia do MPF, desde a década de 1980 Sebastião expulsou muitos
moradores da Gleba Nhandu - do governo federal - e criou duas fazendas
voltadas a criação de gado e plantio de soja. São elas: Fazenda Recanto e a
Fazenda Cinco Estrelas. Além da exploração ilegal das terras, Sebastião e
outros fazendeiros que compraram as áreas mantinham a posse das propriedades
por meio de ameaça.

O episódio mais recente e crítico ocorreu na fazenda Cinco Estrelas. No dia
1º de agosto, o novo proprietário, que comprou a terra em 2009, Osmar
Rodrigues da Cunha, além de José Humberto de Araújo e Eduardo Ribeiro,
tentaram matar a tiros 26 pessoas do acampamento União Recanto. Ninguém
morreu na ação criminosa. Mesmo assim, o MPF entendeu que "deixar os
acusados livres contribuirá para a desordem nas áreas agrícolas, que há
muito são palco de brutais crimes contra os direitos humanos".

PUNIÇÃO - Na ação penal, o MPF pediu à Justiça Federal que os denunciados
Sebastião Neves de Almeida e Osmar Rodrigues da Cunha paguem pela invasão e
ocupação ilegal das terras da União e que Osmar Rodrigues da Cunha, José
Humberto de Araújo e Eduardo Ribeiro sejam condenados por tentativa de
homicídio.

Já a fazenda Recanto foi transferida por Sebastião em junho de 2008 a José
Íris de Souza Nunes, José Pedro de Faria e Márcio Antônio Nunes. Segundo a
denúncia, o trio se uniu ao prefeito de Brejo Grande do Araguaia (PA) e
começaram a ameaçar de morte os assentados pelo Incra.

O MPF pediu a condenação dos denunciados pela invasão e ocupação de terras
da União, com pena que pode variar de três a seis meses de detenção; ameaça,
com punição entre um a seis meses, e estelionato, crime com punição prevista
de um a cinco anos, mais multa. (Com assessoria)