Celebração do ‘Grito dos Excluídos’ leva mensagem contra ganância e absurda concentração de terras

A celebração do “Grito dos Excluídos” levou fiéis e militantes pela reforma agrária à Igreja do Rosário e São Benedito, ontem, 7 de setembro, à noite, no fechamento da “Semana da Pátria”.

O rito da celebração permitiu uma abordagem politizada da fé, contra a concentração de terras nas mãos de alguns poucos, em detrimento de milhares de famílias sem-terra.

 

 

No Evangelho, segundo Lucas 12, 13-21, uma passagem pertinente para a ocasião.

Não entesourar – Alguém da multidão lhe disse: “Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo a herança”. Ele respondeu: “Homem, quem me estabeleceu juiz ou árbitro da sua partilha?” Depois lhes disse: “Precavei-vos cuidadosamente de qualquer cupidez, pois, mesmo na abundância, a vida do homem não é assegurada pelos seus bens”.

E contou-lhes uma parábola. “A terra de um rico produziu muito. Ele, então, refletia:  ‘Que hei de fazer? Não tenho onde guardar minha colheita’. Depois pensou: “Eis o que vou fazer: vou demolir meus celeiros, construir maiores, e lá hei de recolher todo o meu trigo e os meus bens. E diria à milha alma: Minha alma, tens uma quantidade de bens em reserva para muitos anos; repousa, come, bebe, regala-te’. Mas Deus lhe diz: “Insensato, nessa mesma noite ser-te-á reclamada a alma. E as coisas que acumulaste, de que serão? Assim acontece àquele que ajunta tesouros para si mesmo, e não é rico para Deus”.

 

Essa passagem bíblica orientou a homilia feita pelo padre João Inácio Wenzel, coordenador do Centro Burnier Fé e Justiça (CBFJ), que celebrou a missa de São Benedito do Grito dos excluídos, junto com o padre Adilar, coordenador do Centro Pastoral do Migrante, e do Padre Renato Barth, do Centro de Biosaúde.

O tema do Grito este ano foi “Onde estão os nossos direitos? Vamos às ruas para construir um projeto popular".

Durante a “Semana da Cidadania”, urnas do plebiscito foram disponibilizadas ao povo em todo o país.

“Qual é a nossa compreensão sobre o uso dos bens disponíveis? E da terra? A terra é o maior dos bens que Deus nos deu, para podermos nos alimentar”, disse o padre João Inácio.  “Deus é o proprietário da terra, que nos entregou para cuidar dela e cultivá-la.”

João Inácio também explicou por que a Igreja apoia o plebiscito. “Porque somos a favor da vida e contra o trabalho escravo. Porque a terra é um bem limitado, que recebemos de outras gerações há milhares de anos e não temos o direito de exauri-la, porque as futuras gerações também precisam dela”.

Segundo João Inácio, Jesus foi ao xis da questão, quando alertou para a ganância. “A sua vida não depende dos seus bens. Os bens não são garantia de felicidade e nem de vida em abundância”, destacou o padre.

Ele também propôs que tenhamos atitude diante dos fatos. Perguntou: “O que vamos fazer para mudar o rumo da sociedade e do modo de produção?” O padre destacou ainda que o limite da propriedade rural não vai resolver a reforma agrária, mas é um passo decisivo em direção à mudança do modelo de produção, em favor da natureza e da alimentação saudável. E propôs algumas mudanças de comportamento. “Podemos mudar nosso consumo. Deixar de comer carne uma vez por semana significa menos desmatamento, menos aquecimento global. Reduzir a energia elétrica em 10% também.”

O padre encerrou a homilia dizendo que “este é apenas um grito, para que a gente acorde e assuma essa bandeira de luta”.

O resultado do plebiscito em Mato Grosso será encaminhado até o final da semana ao Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo, que irá açambarcar os votos de todo o país./span>

Além de levar urnas às praças, a equipe que trabalhou pelo plebiscito no Estado chegou à comunidade, paróquias, feiras, assentamentos e escolas.

UUm abaixo-assinado continuará percorrendo o país até abril do ano que vem, quando o apelo popular será encaminhado ao Congresso Nacional, para que, nos moldes da Lei da Ficha Limpa, o povo consiga aprovar uma PEC (Projeto de Emenda Constitucional), incluindo no artigo 186 da Constituição Federal o inciso V (limite da propriedade rural).

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Abertura da Celebração

 
Procissão de Entrada

 
Ato Penitencial

 
Celebração da Palavra